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Crypto Insights

A guerra dos IPOs de inteligência artificial começou 

Estamos à beira de um novo império financeiro, e o mercado de IPOs está despertando para financiá-lo

Por Marcello Cestari

27 jan 2026, 10:38

Atualizado em 27 jan 2026, 10:38

IPO inteligencia artificial IA

Imagem: iStock.com/rudall30

Em 1602, um grupo de mercadores holandeses teve uma ideia maluca.

Eles queriam navegar até a Indonésia para comprar noz-moscada e pimenta (que, naquela época, valiam mais que ouro).

Mas havia um problema: as viagens eram incrivelmente caras e perigosas.

Navios afundavam, piratas atacavam e, pior de tudo, havia escorbuto (uma doença causada pela falta de vitamina C).

(Curiosidade: Durante esse período, o escorbuto matou mais marinheiros do que tempestades e combates juntos. Quem diria que a vitamina C era literalmente mais difícil de encontrar do que um tesouro?)

Era muito arriscado para uma pessoa financiar sozinha, então eles inventaram algo novo:

Oferta Pública Inicial (IPO).

A Companhia Holandesa das Índias Orientais (VOC) tornou-se a primeira empresa da história a vender ações em papel ao público.

A carta constitutiva tinha duração de 21 anos, o que assustou os investidores, então os fundadores adicionaram uma brecha que mudou o capitalismo para sempre:

Liquidez.

Eles permitiram que os investidores vendessem suas ações para outras pessoas em uma ponte em Amsterdã.

Essa única inovação deu origem ao mercado de ações moderno.

E foi um enorme sucesso.

Em seu auge, no século XVII, a VOC foi a empresa mais valiosa da história.

Seu valor máximo foi estimado em mais de US$ 7,9 trilhões em valores atuais.

A VOC tornou-se uma superpotência global com seu próprio exército, moeda e colônias.

Era basicamente a Apple, a Amazon e os Fuzileiros Navais dos EUA reunidos em uma só empresa.

Avancemos 424 anos. Já não estamos mais à procura de noz-moscada.

O novo “tempero” é a inteligência

Os “navios” são centros de dados e os piratas? Bem, agora eles são apenas reguladores.

Os recursos mudaram, mas a ambição permanece a mesma.

Estamos à beira de um novo império financeiro, e o mercado de IPOs está despertando para financiá-lo.

O evento principal de 2026? Um confronto de pesos pesados ​​entre os dois reis absolutos da IA.

De um lado do ringue temos a OpenAI.

Segundo informações, a OpenAI planeja realizar seu IPO em 2026 com uma avaliação de US$ 1 trilhão, o que a tornaria uma das maiores estreias na bolsa da história.

Mas eles não estão tornando isso público apenas para fazer alarde.

Eles estão tornando o assunto público porque descobriram uma nova lei da física financeira:

Mais poder = Mais dinheiro.

Analisando os últimos três anos, sua receita acompanhou sua capacidade computacional com uma precisão assustadora:

  • 2023: 0,2 GW de capacidade computacional = US$ 2 bilhões em receita.
  • 2024: 0,6 GW de capacidade computacional = US$ 6 bilhões em receita.
  • 2025: 1,9 GW de capacidade computacional = receita de US$ 20 bilhões.
Fonte: OpenAI 

Tanto a capacidade computacional quanto a receita estão crescendo 3 vezes ano após ano, comprovando que sua máquina transforma eletricidade em ouro de forma eficaz.

Para manter esse volante 3x girando, no entanto, a conta finalmente está chegando.

Mesmo com uma receita de 20 bilhões de dólares, a diferença entre seus rendimentos e suas ambições é um abismo que os investidores privados não conseguem mais preencher.

É por isso que estão correndo para os mercados públicos para levantar imediatamente os estimados 60 bilhões de dólares.

Mas eis o pequeno segredo sujo escondido em suas demonstrações financeiras:

Embora se vangloriem de receitas enormes, 73% delas (aproximadamente US$ 14,6 bilhões) provêm de consumidores que pagam US$ 20 por mês pelo ChatGPT Plus.

Mas, ao analisar os números, a receita média por usuário é de apenas US$ 25 por ano.

Por quê? Porque a versão gratuita é uma enorme fogueira que queima de US$ 2 a 3 bilhões por ano em créditos de computação.

Sam Altman basicamente admitiu isso:

“Os ricos pagam para que os pobres possam usar de graça.”

Ou seja, o inevitável finalmente está acontecendo: anúncios.

A OpenAI está oficialmente integrando anúncios ao ChatGPT

Se você estiver no plano gratuito, prepare-se para ter suas profundas conversas filosóficas interrompidas por um anúncio.

Além disso, a empresa planeja ficar com uma porcentagem de toda a propriedade intelectual que sua IA ajudar os clientes a inventar.

Pense nisso. Se você usar o modelo deles para descobrir um novo medicamento, inventar um novo material ou decifrar um código financeiro, eles não querem apenas a sua taxa de assinatura.

Eles querem royalties pelo seu gênio.

Eles estão, na prática, tentando se tornar a Receita Federal dos Estados Unidos, no setor de inteligência.

Enquanto a OpenAI tenta descobrir como tributar suas ideias, os usuários simplesmente estão indo embora.

A participação de mercado da Gemini atingiu 22%, um aumento em relação aos 19,5% de apenas um mês atrás e aos 13,3% de três meses atrás.

Fonte: @RihardJarc 

O índice Gemini subiu 2,5 pontos percentuais apenas nos últimos 30 dias, comprovando que o êxodo está se acelerando em vez de se estabilizar.

Os usuários estão percebendo que não precisam de um oráculo onisciente que exige uma parte dos lucros, especialmente quando concorrentes como a Gemini fazem o mesmo trabalho.

Mas, do outro lado da batalha temos outro nome: a Anthropic, apoiada por Amazon e Google. 

A Anthropic foi fundada por Dario Amodei e uma equipe de dissidentes da OpenAI que construíram o Claude com base na “IA Constitucional”:

Uma estrutura de segurança rigorosa que impede que o modelo se descontrole.

Enquanto o ChatGPT tenta ser tudo para todos, o Claude foi desenvolvido para trabalho profundo

Sua inovação, o Claude Code, é um agente autônomo capaz de programar sozinho por até 30 horas seguidas:

  • Ele navega pelos sistemas de arquivos como um engenheiro sênior.
  • Ele corrige erros e refatora bases de código complexas sem intervenção humana.
  • É basicamente um engenheiro turbinado que custa uma fração do preço.

Esta é a parte em que o Anthropic realmente rouba o cinturão da OpenAI.

Segundo os dados mais recentes da Menlo Ventures, a Anthropic conquistou todo o mercado corporativo:

  • Em 2023: a OpenAI era a líder incontestável, com 50% do mercado empresarial.
  • Em 2025: a participação da OpenAI despencou para 27%. Já a da Anthropic (Orange) disparou para 40%.
Fonte: @thexcapitalist 

Esse roubo de participação de mercado está se transformando diretamente em roubo de dinheiro.

Sua receita anualizada dobrou em apenas seis meses, atingindo US$ 9 bilhões em janeiro de 2026 (contra US$ 4 bilhões em julho de 2025).

Para se ter uma ideia: eles estão adicionando um bilhão de dólares em receita recorrente quase todos os meses.

E aqui está o golpe final: a Anthropic está a caminho de obter lucro muito mais rapidamente do que a OpenAI.

De acordo com as projeções:

  • A Anthropic prevê atingir o ponto de equilíbrio até 2028.
  • A OpenAI prevê prejuízos operacionais de US$ 74 bilhões nesse mesmo ano.

A Anthropic está atualmente finalizando uma nova rodada de financiamento que, segundo relatos, já recebeu mais subscrições do que o esperado.

Embora a meta inicial fosse de US$ 10 bilhões, com compromissos prévios da Microsoft e da Nvidia, o valor total arrecadado pode ultrapassar US$ 20 bilhões, avaliando a empresa em cerca de US$ 350 bilhões.

A OpenAI vende um sonho que custa US$ 74 bilhões por ano para manter, exigindo essencialmente uma conta corrente infinita para sobreviver.

A Anthropic está jogando um esporte completamente diferente.

Eles já conquistaram os clientes mais exigentes, os maiores contratos e o caminho mais eficiente para a lucratividade.

Enquanto a internet discute qual chatbot tem a melhor personalidade, o ideal é ficar de olho nas margens de lucro.

Variações semanais (19/01/25 a 26/01/26)

  • Bitcoin (BTC): US$ 87.990 | Var. -5,69%
  • Ethereum (ETH): US$ 2.914 | Var.-8,94%
  • 🟠 Dominância Bitcoin: 59,63% | Var. -0,07%
  • 🌐 Valor total do mercado cripto: US$2,94t | Var. -5,47%
  • 💵 Valor de mercado de stablecoins: US$ 309,019b | Var. -0,36%
  • 📊 Valor total travado (TVL) em DeFi: US$ 119,106b | Var.-6,38%

*dados referentes ao fechamento em 26/01/26

Tópicos da semana

  • Nova York Stock Exchange desenvolve plataforma para valores mobiliários tokenizados: A Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) está desenvolvendo uma plataforma para negociação e liquidação on-chain de valores mobiliários tokenizados que permitirá operações 24 horas por dia, 7 dias por semana, liquidação instantânea, negociação de frações de ações e financiamento baseado em stablecoins. Sujeita a aprovações regulatórias, a plataforma combinará o sistema operacional da NYSE com sistemas pós-negociação baseados em blockchain que suportam múltiplas redes. Detentores de ações tokenizadas receberão dividendos tradicionais e direitos de governança.
  • BlackRock prevê que a Ethereum liderará a tokenização de ativos do mundo real (RWA): A BlackRock está posicionando o Ethereum como o principal beneficiário do crescimento da tokenização de RWA, com a rede atualmente hospedando 66% de todos os ativos tokenizados, em comparação com concorrentes como BNB Chain (10%) e Solana (5%). O JPMorgan lançou seu primeiro fundo de money market tokenizado em Ethereum e o Morgan Stanley registrou um pedido para um ETF de Ethereum. Essa validação institucional ocorre apesar do ETH estar negociando 40% abaixo de sua máxima histórica de agosto, sugerindo que os players do mercado financeiro tradicional (TradFi) estão priorizando as vantagens de infraestrutura do Ethereum para produtos de tokenização regulados.
  • Trump Pressiona por Projeto de Lei sobre Estrutura do Mercado Cripto: O presidente Trump disse que espera assinar em breve uma legislação abrangente sobre a estrutura do mercado de criptoativos, reiterando no Fórum Econômico Mundial que os EUA devem ser a capital global dos criptoativos, enquanto o Congresso corre para finalizar o projeto de lei. O avanço enfrenta conflitos internos, com bancos e empresas de cripto em desacordo sobre rendimentos de stablecoins, a Coinbase retirando seu apoio, e legisladores tentando resolver disputas antes que o projeto perca força.

Como pensa o maior trader pessoa física da Binance?

Neste episódio do Crypto Never Sleeps, Jader Nogueira — maior trader pessoa física da Binance, campeão da Bybit e referência em análise on-chain no Brasil — compartilha uma história real de ascensão improvável, saindo de barbeiro e atleta de MMA até se tornar um dos traders mais respeitados do mercado cripto global.

Ao longo da conversa, Jader explica por que disciplina vence talento, como o on-chain revela o que o mercado tradicional esconde e por que muitos investidores perdem dinheiro seguindo narrativas de influenciadores sem entender oferta, demanda e inflação de tokens.

Assista esse episódio aqui e tire suas conclusões!

Vale ressaltar que escrevo aqui no Crypto Insights representando o time da Empiricus Asset!

Saiba mais sobre nossos fundos de criptoativos:

Empiricus Digital Crypto Empiricus Criptomoedas 

Além do trabalho na asset, regularmente produzo conteúdo e análises aprofundadas sobre o mercado de criptoativos em meu Instagram @cestari.crypto e escreverei mais vezes aqui no insights, qualquer comentário, feedback ou dúvida podem me procurar sem problema algum.

Forte abraço,

Marcello Calbo Cestari

Aviso obrigatório: Este conteúdo é apenas informativo e tem como objetivo compartilhar insights e análises sobre o mercado. Não constitui recomendação de investimento, e qualquer decisão financeira deve ser feita com base em sua própria análise e, preferencialmente, com o apoio de profissionais qualificados.

Marcello Cestari é analista e trader responsável por todos os fundos de criptoativos na Empiricus Asset. É formado em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-EAESP). Além de suas responsabilidades na Empiricus Asset, Marcello Cestari compartilha regularmente sua expertise por meio da produção de conteúdos e análises aprofundadas sobre o mercado de criptoativos, contribuindo para a disseminação de conhecimento e informação no setor.