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Crypto Talks

A dificuldade do investidor institucional

“Acredito que as plataformas de confiança descentralizada vão causar as mudanças mais significativas em como a sociedade lida com a informação desde o advento da internet. E, no final, elas vão virar o mundo do dinheiro, da riqueza e do valor de cabeça para baixo”

Por André Franco

09 out 2019, 05:34

“Só queremos tranquilidade e monotonia”

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“Acredito que as plataformas de confiança descentralizada vão causar as mudanças mais significativas em como a sociedade lida com a informação desde o advento da internet. E, no final, elas vão virar o mundo do dinheiro, da riqueza e do valor de cabeça para baixo”

Michael J. Casey, professor do MIT

Se o que Michael Casey disse estiver certo, provavelmente temos diante de nós a maior oportunidade de ganhos depois da internet. 

E você já deve imaginar que eu tendo a concordar com ele. 

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Mas, se a oportunidade é tão clara, por que o mercado institucional ainda não tomou de assalto os ganhos e deixou, como sempre, o varejo com as migalhas? 

Porque, mesmo já havendo vários serviços de custódia de cripto, como Coinbase e BitGo, os fundos ainda não se sentem confortáveis com as estruturas nativas desse universo.

O que um fundo de hedge tradicional quer é uma empresa como a BNY Mellon, com os seus 30 trilhões de dólares em custódia, oferecendo os mesmos serviços para bitcoin e outros criptoativos. 

Enquanto eu e você queremos acertar aquela tacada para botar uma bela grana no bolso, o investidor maior, que já tem os bolsos cheios, quer a tranquilidade e a monotonia do mercado tradicional a que está acostumado.

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Ainda temos um longo percurso para percorrer até uma grande parcela dos 40 mil consultores de investimento registrados nos Estados Unidos começar a sugerir cripto como uma solução de ponta a ponta para seus clientes, ou a investir por conta própria com os fundos que administram. 

As barreiras para isso são inúmeras. Lembre-se de que, hoje, esses consultores conhecem de cabo a rabo o funcionamento do mercado tradicional. Eles sabem onde comprar, quanto pagar de comissão, quem vai custodiar, quem vai auditar e por aí vai. 

Já quando o assunto é cripto, o problema começa pela falta de contato que esses profissionais têm com esse novo paradigma e também pela falta de conhecimento real sobre bitcoin e outros criptoativos. 

A consequência disso é que somente 201 fundos privados têm exposição a cripto, o que representa apenas 1,3 por cento do total desses fundos nos EUA. 

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Temos um longo caminho até a adoção em massa, mas nossa chegada até aqui merece ser comemorada e me faz ter a mesma certeza de Michael Casey sobre o assunto. 

A partir do presente momento, o que vai definir se a sua exposição vai fazer você ganhar dinheiro ou muito dinheiro é apenas a sua paciência. 

Estima-se que entre 3 bilhões a 5 bilhões de dólares estejam investidos em cripto atualmente, o que me leva a crer que os grandes investidores estão molhando o dedinho com muita cautela. 

E a esta altura do campeonato, depois de dez anos de rede e 2 trilhões de dólares transacionados, não me parece que a água está gelada demais a ponto de fazê-los voltar atrás. 

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É apenas uma questão de tempo até que uma massa crítica seja minimamente educada a respeito do bitcoin e capaz de mudar o paradigma atual. 

Como já enfatizei algumas vezes, esse é um caminho sem volta e a cada dia que passa estamos mais próximos de ver as criptomoedas se tornarem o status quo. 

Abraços, 

André Franco

Engenheiro mecatrônico formado pela Universidade de São Paulo, é editor responsável pelas séries sobre criptoativos. Vive em busca das próximas oportunidades nesse meio para multiplicar o patrimônio dos seus assinantes.