RISCO EX-ANTE E RISCO EX-POST
Carlos está à frente de um grupo de 20 alunos de engenharia em visita a uma fábrica que fica às margens de uma rodovia bem movimentada.
A fábrica possui um galpão de cada lado da rodovia — para os funcionários acessarem mais facilmente as duas áreas, existe uma passarela ligando as margens da rodovia.
No entanto, no dia da visita, a passarela está em manutenção, e Carlos e seus alunos têm que esperar uma minivan buscá-los de um lado da rodovia e levá-los para o outro.
O problema é que a van vai demorar, e o guia do passeio está com pressa.
Então, tomado por um súbito lampejo de “genialidade”, ele decide atravessar a rodovia a pé. Para adicionar mais drama a sua escolha, Carlos decide realizar a estúpida empreitada vendado.
Ele começa a caminhada com vários dos seus alunos o chamando de louco e, a cada passo na rodovia, ouvem-se gritos de apreensão e buzinas dos mais variados tipos e modelos.
Quando Carlos dá seu último passo e sai intacto da rodovia, ele tira a venda e percebe que todos seus 20 alunos estão comemorando do outro lado, e alguns funcionários da fábrica, que se aglomeraram para ver a proeza, estão filmando e gritando igualmente.
Então, nosso protagonista de um número circense decide chamar seus alunos e pedir que façam o mesmo, afinal, deu certo para ele.
Essa pequena história mostra muito bem como o mercado funciona e como ele tira do jogo vários investidores que não sabem interpretar os fatos que estão na sua frente.
Carlos é a representação de um gestor que tomou risco excessivo e saiu vencedor no semestre. Se ele atravessar a rodovia nessas condições novamente, provavelmente será atropelado, seja na segunda, na terceira ou na décima tentativa.
No entanto, toda vez que ele atravessar e sair ileso, vai ganhar confiança de fazer novamente o trajeto adicionando mais risco: correndo, com uma perna só, com as mãos, saltitando, etc.
Para piorar, a multidão na margem só irá incentivá-lo a continuar tentando com seus gritos de euforia.
Pode ser até que alguém ganhe coragem e decida fazer o mesmo.
Até que uma hora ou outra um carro vai invariavelmente acabar atropelando alguém, decretando o fim do jogo para essa pessoa.
Isso é o risco de ruína.
Outra coisa que podemos aprender com Carlos e sua loucura é o que chamamos de risco ex-ante (antes do fato) e ex-post (depois do fato).
O risco ex-ante de atravessar a rodovia naquelas condições é elevadíssimo e não é porque o ex-post de Carlos foi bem-sucedido que a decisão foi sábia.
Se você julgar se uma decisão foi correta ou errada a partir do seu resultado final, você estará fadado a tomar péssimas decisões, e isso só nos leva a prejuízos nos investimentos.
As criptomoedas tiveram um semestre surpreendente, mesmo com um ano bizarro, nos mais diversos sentidos. O bitcoin se valorizou pouco mais de 75% em reais, enquanto o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, amargou uma queda de 20%.
Na série Empiricus Crypto Legacy, conseguimos ganhos ainda mais expressivos, mais de 100% em seis meses.
Isso não significa que é para você colocar todo seu dinheiro aqui, mas, com certeza, não é algo que você possa ignorar.
A decisão de entrar no Crypto Legacy não é pelos mais de 100% no semestre, mas sim pelo que está por vir.
Forte abraço,
André Franco