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Crypto Talks

Dos criadores do “prêmio Kimchi”, o “custo Kimchi”

“Se andar com os bons, será como eles; já se andar com os maus, será pior que eles”, dizia meu pai para fazer com que eu parasse de andar com a galera do fundão da turma.

Por André Franco

17 out 2018, 18:00

Na minha infância, meu pai sempre foi meu herói em diversos aspectos. Desde sua força física até como jogava bola.

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Mas acredito que o fato de ele ser policial influenciava muito a imagem que eu tinha dele.

Para uma criança, ver que seu pai é o mais próximo possível daqueles heróis da TV que combatem o crime é quase um sonho.

No entanto, sua profissão fazia com ele tivesse conceitos sobre como a vida deve ser vivida que pareciam dogmas.

Por isso, ele repetia alguns ditados que me marcaram no final da infância e começo da adolescência, bem quando eu flertava com a ideia de andar fora da linha.

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“Se andar com os bons, será como eles; já se andar com os maus, será pior que eles”, dizia meu pai para fazer com que eu parasse de andar com a galera do fundão da turma.

Outra coisa que tentava me ensinar era que não teremos vida suficiente para cometer todos os erros necessários para aprender com eles.

Por isso, dizia que eu deveria ficar atento também ao erro dos outros. Só assim eu poderia acelerar meu aprendizado e ser “alguém na vida”.

De qualquer forma, acredito que eu não deva ter prestado atenção no erro do coleguinha, porque, se tivesse, não teria errado tanto ao longo da minha caminhada.

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Vai ver eu precisava de um mínimo de maturidade para começar a olhar ao meu arredor e aprender com os tropeços dos outros.

Agora, na vida adulta, isso ficou bem mais fácil, mas não era nem um pouco trivial quando eu tinha pouco mais de uma década de vida.

Hoje é padrão me reunir com a minha equipe para discutir cripto e falar sobre erros que vi em alocações de portfólios.

Parece que adquiri um pouco mais de maturidade para aprender com o erro alheio.

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Quem também deve estar aprendendo com os outros são os reguladores do mercado financeiro incumbidos de formular regras para o universo cripto.

A cada nova regulamentação implantada ao redor do mundo, emergem pontos positivos e negativos, que são observados por todos e influenciam decisões subsequentes.

A mais recente reação quanto ao posicionamento de um regulador veio da Coreia do Sul.

Lá, o regulador pegou tão pesado com o mercado que as principais corretoras locais deixaram o país e se mudaram para outros territórios na Ásia, onde a legislação é mais branda.

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A Coinone já vai se mudar e a Bithumb e a Upbit anunciaram seus planos para uma emigração futura.

O cenário é diferente do de uma corretora tradicional, para a qual uma regulação não pode causar a expulsão do país, pois se trata de uma economia local.

O mundo cripto não tem fronteiras, por isso, uma empresa pode facilmente se mudar para não ter que se adaptar às novas regras.

O que aconteceu na Coreia do Sul me fez pensar nos EUA e na SEC.

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Em Nova York, quando a BitLicense foi aprovada, causou uma diáspora do movimento cripto de lá.

Esse talvez tenha sido o primeiro gostinho que o governo norte-americano teve do efeito de uma legislação restritiva.

E, agora, as respostas das corretoras sul-coreanas à regulação, que fez seu negócio parecer um crime, mostra, mais uma vez, um risco para a SEC.

O órgão regulador norte-americano cada vez mais tem amostras de que, quando o ecossistema local não concorda com a legislação, ele migra.

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Se correr, o bicho pega; se ficar, o bicho come.

Engenheiro mecatrônico formado pela Universidade de São Paulo, é editor responsável pelas séries sobre criptoativos. Vive em busca das próximas oportunidades nesse meio para multiplicar o patrimônio dos seus assinantes.