As semanas em que aconteceram décadas
Existe uma famosa frase atribuída a Vladimir Lenin que diz o seguinte: “Há décadas em que nada acontece e há semanas em que décadas acontecem”.
Acredito que estamos em um desses momentos e, por isso, vejo as notícias das últimas semanas como acontecimentos de uma década.
Tivemos anúncios dos lançamentos de dois ETFs de cripto no Brasil, do primeiro fundo de DeFi local, de uma atualização do Ethereum que acontece hoje (14), do IPO da Coinbase e do futuro IPO do Mercado Bitcoin.
Minha conclusão é que demoramos mais de dez anos para ver cripto como uma classe legítima dentro do sistema financeiro tradicional, mas, quando isso aconteceu, foram notícias atrás de notícias.
E como ansioso nunca dorme tranquilo, a pergunta que fica para mim é se isso é um sinal de uma nova pernada de alta bancada pelo capital institucional ou uma indicação de topo deste ciclo.
Quero deixar claro que não tenho a pretensão de acertar topos e fundos do mercado, essa tarefa é inglória.
No entanto, ter uma noção probabilística de em qual momento do ciclo estamos nos faz maximizar lucros e reduzir perdas.
Por isso, vale a pena olhar indicadores.
Começando pelo indicador consagrado do mercado, o MVRV Ratio (valor de mercado dividido pelo valor realizado), que pode ser visto como o preço/lucro do mercado tradicional, nos mostra um mercado aquecido, próximo do topo, mas com espaço para se valorizar.

Figura 1. MVRV Ratio (valor de mercado em relação ao valor realizado)
Fonte: Glassnode
Como esperado, a derivação desse índice, o MVRV Z-Score, que o divide pelo desvio-padrão do valor de mercado, nos aponta a mesma narrativa.

Figura 2. MVRV (valor de mercado em relação ao valor realizado) Z-Score
Fonte: Glassnode
Outra métrica que gosto de olhar diariamente é o lucro/prejuízo líquido não realizado (NUPL, na sigla em inglês), que nos mostra um mercado aquecido, mas que ainda não atingiu o topo. Isso porque nos ciclos passados essa métrica teve que primeiro ultrapassar a marca de 0,75 para então o bear market ser iniciado, sinal que ainda não ocorreu.

Figura 3. Lucro/prejuízo líquido não realizado (NUPL)
Fonte: Glassnode
Na mesma direção aponta o suprimento de bitcoin que não se move há dois anos ou mais: estamos em um processo de alta que ainda tem espaço para buscar novas máximas neste ciclo.

Figura 4. Percentual do suprimento de bitcoin não se move há dois anos ou mais
Fonte: Glassnode
Para finalizar, o suprimento que não se move há três anos ou mais segue firme, o que está em linha com todas as métricas anteriores, como você pode ver abaixo.

Figura 5. Percentual do suprimento de bitcoin que não se move há três anos ou mais
Fonte: Glassnode
Olhando tudo isso e colocando em perspectiva macro, na qual passamos pela maior expansão monetária de uma geração, temos a propagação da narrativa do bitcoin como reserva de valor e lançamentos de ETFs de cripto pelo mundo; fica difícil não ser otimista.
No entanto, isso tem um limite, pois tenho um plano de caminhar com uma exposição alta nesse mercado até a marca dos US$ 100 mil e, depois, ir desmontando a posição sobrealocada.
Vale lembrar que não pretendo zerar minhas posições em cripto.
Gosto de trabalhar com cenários probabilísticos, como disse no início, e acredito que, quando chegar a essa marca, boa parte dos indicadores acima mostrará sobreaquecimento do mercado, ou grande probabilidade de esgotamento do ciclo.
Por ora, apenas aproveite a subida sem ser dominado pela euforia.
Forte abraço,
André Franco