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Crypto Talks

Segurança e opcionalidade

Em 2008, eu estava terminando o ensino médio quando a crise hipotecária dos Estados Unidos estourou; na época, eu nem sequer me preocupei em saber do que se tratava.

Por André Franco

04 set 2019, 05:00

Ouro e bitcoin

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Em 2008, eu estava terminando o ensino médio quando a crise hipotecária dos Estados Unidos estourou; na época, eu nem sequer me preocupei em saber do que se tratava.

Meus pais eram servidores públicos concursados e, graças à estabilidade no emprego, o risco de alguma crise nos afetar era mínimo.

Mas me lembro de algumas coisas desse período, como do presidente Lula se pronunciando publicamente para falar da “marolinha”, e também que os brasileiros precisavam continuar consumindo porque a “roda da economia” precisava girar.

Outro fato marcante para mim foi quando um amigo do basquete chegou e disse: “A crise bateu na porta lá de casa”.

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O pai dele tinha sido desligado da Vale devido aos cortes que a empresa precisava fazer para sobreviver aos novos tempos.

Naquele momento, comecei a pensar em como seria a minha vida se meu pai perdesse o emprego e aquilo me fez entender que a “marolinha” de que o ex-presidente Lula falava poderia, sim, dar um caldo em muita gente.

Da mesma forma, entendi que uma crise poderia afetar a vida de muita gente, apesar de não fazer muito sentido lá em casa.

Por isso, me preocupo muito com a situação em que nos encontramos hoje.

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Posso até comprar juros negativos em uma parte do mundo, mas, em uma epidemia generalizada, onde os juros negativos reinam e o dinheiro vale mais hoje do que amanhã, eles me parecem totalmente bizarros.

A economia mundial está punindo os poupadores em detrimento daqueles que gastam?

O dinheiro barato para a recompra de ações e expansões faz com que as empresas tenham a “obrigação” de pegar dinheiro emprestado.

Não é mais o caso de pensar se vale a pena ou não tomar um empréstimo. A questão é onde se deseja gastar o dinheiro.

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Já para aqueles que são poupadores, a lógica de que o dinheiro perde valor no tempo só nos faz pensar que guardar dinheiro debaixo do colchão ou em um cofre “is the new black”.

Quebramos a principal lógica do mercado financeiro: a de que os investidores precisam aplicar seu dinheiro para fazê-lo render, e os tomadores precisam de mais recursos do que possuem.

Os juros negativos indicam para o poupador que ele não deveria aplicar o seu dinheiro, porque não vai ter rendimento positivo lá na frente; e, para os tomadores, que mesmo que eles não precisem de dinheiro vale a pena tomar de terceiros.

Nessa nova lógica, me pergunto se esse “dinheiro” que o mundo todo utiliza tem algum valor de fato.

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Como o valor da moeda é basicamente fiduciário e depende da fé daqueles que a usam, uma vez perdida essa crença, perde-se o valor.

E essa falta de fé já mostra os seus primeiros sinais, não apenas em moedas mais fracas, mas também no dólar.

Países do mundo todo seguem aumentando suas reservas de ouro, e alguns investidores mais atentos também.

Eu me incluo nesse grupo — com ouro em “mãos” — e aconselho que você também faça o mesmo.

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Não dá para saber quando toda essa nova normal vai ruir.

Mas uma coisa é certa: a bolha, antes de estourar, pode sempre inflar mais.

No exemplo de Joe Kennedy, do engraxate que dá dicas de investimentos, a bonança pode se estender até o ponto em que ele (engraxate) começa a ganhar dinheiro de verdade e passa a ensinar sua mãe a investir também.

Ela, por sua vez, também pode ganhar dinheiro e ensinar a sua vizinha a fazer igual. Até o momento em que tudo isso começa a desmoronar.

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E uma coisa é certa, quanto mais tempo demora para a crise chegar, mais aguda ela tende a ser.

Nesse mundo louco, ter ouro como segurança e bitcoin como opcionalidade é uma ótima pedida.

Abraços,
André Franco

Engenheiro mecatrônico formado pela Universidade de São Paulo, é editor responsável pelas séries sobre criptoativos. Vive em busca das próximas oportunidades nesse meio para multiplicar o patrimônio dos seus assinantes.