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Crypto Talks

“Super gêmeos, ativar!”

Winklevoss não é um sobrenome muito comum. No entanto, ficou conhecido depois que os gêmeos Cameron e Tyler processarem Mark Zuckerberg.

Por André Franco

22 ago 2018, 12:59

Winklevoss não é um sobrenome muito comum. No entanto, ficou conhecido depois que os gêmeos Cameron e Tyler processarem Mark Zuckerberg.

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Depois, os irmãos ficaram famosos pelo seu massivo investimento em bitcoin. A história desde então é que, no auge da euforia em 2017, eles se tornaram bilionários em cripto e também grandes nomes do mercado.

No mesmo ano, a dupla tentou emplacar um pedido de ETF na SEC — que foi negado. Então, eles voltaram para casa, fizeram a lição e voltaram a solicitar o instrumento financeiro de bitcoin.

Foi negado novamente, para azar deles e do mercado, que ficou sem a porta de entrada para os investidores institucionais.

Além dessas iniciativas no universo cripto, os gêmeos Winklevoss são donos de uma corretora, a Gemini, e também defensores de uma autorregulação do mercado.

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Ambos desejam criar uma SRO (self-regulation organization) e iniciaram um grupo de trabalho com outras três exchanges, além da Gemini, com foco nessa ideia.

O grupo formado por Bitstamp, bitFlyer, Bittrex e Gemini visa criar diretrizes para o ecossistema que promovam justiça, transparência, controle de risco e liquidez.

Além disso, a SRO quer desenvolver boas práticas que enderecem conflitos de interesses nas corretoras, comunicação com os clientes e disclosures necessários.

Tudo aquilo que já dá certo no mercado tradicional, o time formado pelos gêmeos quer trazer para o mercado cripto.

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Parece justo com todos que o mercado de ações — que teve seus primórdios nas grandes navegações (500 anos atrás) — empreste sua maturidade e expertise para um novo mercado.

No entanto, semanticamente, uma autorregulação do mercado funcionaria? Existe a possibilidade de que um mercado tão novo e pouco estudado seja capaz de regular a si próprio?

Infelizmente, eu acho que não.

Historicamente, o próprio mercado de ações já passou por esse acúmulos de função de poucos atores em determinados locais e isso não terminou bem…

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Um dos casos mais famosos foi o de Johannis Law, ou John Law, se preferir. Esse escocês viciado em jogos foi condenado por duelar e fugiu do seu país de origem para se esconder em Amsterdã.

Naquela região, Law encontrou um terreno fértil para suas jogatinas, já que podia fazer apostas com o dinheiro que investia nas dívidas do governo, mas não foi isso que o tornou famoso.

O que fez dessa figura um ícone na história foi o fato de ficar fascinado pela relação que poderia construir entre o banco central, empresas e Bolsa de Valores.

Na capital holandesa, ele aprendeu como construir um promíscuo vínculo entre o banco de câmbio de Amsterdã, a Companhia das Índias Orientais e as ações dessa empresa.

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Então, na França, com o acúmulo de funções de ser tanto o fiscalizador das empresas, chefiando o Generale Bank, como também o gestor da Companhia do Mississippi, Law deu vazão a seus desejos mais íntimos.

Naquela época, o economista promovia a autorregulação do seu mercado e achava, realmente, que estava fazendo o certo. Segundo as suas declarações catalogadas, ele acreditava que a engenharia financeira criada por ele levaria o país à prosperidade e seria maior do que a descoberta das Índias.

Infelizmente, ele usou o dinheiro criado sem lastro, do banco central francês, para pagar os acionistas da Companhia do Mississippi, o que culminou em uma catástrofe financeira.

Inclusive, a crise foi tão aguda que dali se desencadeou a Revolução Francesa.

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Por isso, não acredito que uma autorregulação do mercado por poucos atores da cadeia cripto possa ser a melhor solução.

Eles falam de administrar conflitos de interesses das corretoras, mas quem vai cuidar dos conflitos internos da SRO?

Na verdade, o caminho mais indicado é que se comece algo nessa linha, já que as autoridades de cada país não deram os primeiros passos, mas que, no futuro, seja entregue o poder de fiscalizar aos que já o fazem.

É muito bonita a história de autorregulação, mas, na prática, podemos agravar uma situação que já não é bem vista pelos reguladores.

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PS.: Antes de terminar nosso papo de hoje, queria convidá-lo para algo que me chamou muito a atenção.

Uma entrevista com Helena Margarido para falar sobre O Trade do Ano”. Um evento totalmente online, no qual ela vai falar o porquê que a onda de pessimismo acabou no mercado cripto.

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Engenheiro mecatrônico formado pela Universidade de São Paulo, é editor responsável pelas séries sobre criptoativos. Vive em busca das próximas oportunidades nesse meio para multiplicar o patrimônio dos seus assinantes.