…SEM IGREJAS FÍSICAS
“Uma religião que enfatizasse a magnificência do universo revelada pela ciência moderna poderia conseguir extrair reservas de reverência e admiração dificilmente exploradas pelas crenças convencionais. Mais cedo ou mais tarde, uma religião como essa há de surgir.”
— Carl Sagan
A comunidade de cripto está pautada em um ciclo virtuoso muito interessante que não vejo sendo replicado em outras praças.
Primeiro, chamo a atenção para o fato de que o uso da palavra “comunidade” é muito bem aplicado a esse ecossistema. Isso porque qualquer entusiasta desse mercado, por mais inacessível que pareça, estaria disposto a dedicar 30 minutos de conversa com algum outro indivíduo pelo simples prazer de propagar conhecimento.
Já tentei isso algumas vezes e sempre consegui ter bons diálogos.
Segundo, existe uma cultura nesse meio de que os ciclos do mercado têm papéis diferentes na vida dos investidores e promotores dessa nova classe de ativos — lembrando que um ciclo completo compreende um bull market e um bear market inteiro.
No primeiro ciclo, você aprende do que se trata o mercado, se apaixona por ele e ganha algum dinheiro.
No segundo, é muito provável que você ganhe muito dinheiro e isso ajude a aumentar sua paixão pela tese de longo prazo. Afinal, uma das melhores formas de unir duas pessoas é ganhar dinheiro juntas.
No terceiro, o seu sentimento de gratidão e a sua certeza cada vez mais apurada do futuro do mercado o fazem querer se doar para a construção do ecossistema.
Por isso, acredito que todo dinheiro gerado dentro desse mercado acaba voltando para ele de alguma forma nos ciclos posteriores.
A quantidade de pessoas que ganham dinheiro com cripto e decidem sair totalmente dele para buscar novas coisas é muito menor do que a daquelas que decidem continuar nele.
Pessoalmente, não conheço “ex-bitconianos”. Todos que já fizeram muita grana nesse mercado até diminuem suas posições, mas nunca as zeram.
É difícil para alguém que compreendeu a escassez digital trazida pelo bitcoin querer sair totalmente de um ativo que simplesmente inventou algo impossível de ser feito até o seu surgimento.
Além disso, a quantidade de pessoas extremamente inteligentes e altruístas nesse ecossistema fazem você admirar o meio em que se encontra e não querer buscar outros círculos.
E hoje a escassez digital contrasta com a impressão sem limites de papel-moeda e a inteligência coletiva bitconiana se contrapõe a políticos e políticas burras.
É o cenário perfeito para termos uma nova década de grandes desenvolvimentos nessa seara e a consolidação de uma nova classe de ativos.
Consequentemente, mais uma década de geração de riqueza para aqueles que seguem essa “religião” sem igrejas físicas.