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Day One

A invasão da Crimeia

“Eu quis testar a noção geral de que sabedoria é algo que só vislumbramos através da intimidade. Na época, eu era jovem […]”.

Por Rodolfo Amstalden

24 fev 2022, 10:30

“We rise, we fall.
We may rise by falling.
Defeat shapes us.
Our only wisdom is tragic,
known too late,
and only to the lost.”
— Guy Davenport

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Eu quis testar a noção geral de que sabedoria é algo que só vislumbramos através da intimidade.

Na época, eu era jovem.

Apresentei-me ao lúdico desafio de tentar identificar pessoas sábias à distância, superficialmente.

No pátio do colégio, nas filas de cinema, na piscina de domingo do clube, eu olhava ao redor em busca dos mínimos múltiplos comuns à sabedoria.

Por força da repetição, gosto de pensar que cheguei perto de algumas conclusões não espúrias.

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Ao contrário do que eu imaginava antes de iniciar esse exercício impossível, o semblante sábio não é um semblante feliz. Não predomina a paz.

Estatisticamente, a sabedoria vem acompanhada de um cenho carregado por rugas, manchas na pele, o olho esquerdo um pouco mais fechado que o direito (ou vice-versa).

Com o acúmulo da idade necessária à sabedoria, os indivíduos sábios tornam-se colecionadores de derrotas, e isso transparece em seus físicos cansados.

Como diz Davenport, a sabedoria decorre única e exclusivamente das ocorrências trágicas e tardias. Só pode ser sábio aquele que erra, que sente o peso do erro, que se perde completamente e, ainda assim, encontra seus restos e sobrevive dos restos.

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Isso nada tem a ver com a impressão amadora de que é possível aprender com a experiência.

Aprender com a experiência custa caro ao investidor.

A experiência não se oferece como aprendizado, pois foge ao utilitarismo assim como o indivíduo sagaz foge da pobreza de espírito.

“Aprendi, pode acreditar. Nunca mais erro dessa maneira” — diz o financista, agora seguro de si, duas vezes mais sujeito ao erro.

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Sim, todos nós vamos cometer exatamente os mesmos equívocos, over and over again. Mas não se preocupe: vamos cometer outros erros também, novos, para evitar o tédio.

Essas pessoas da sala de jantar, sempre ocupadíssimas, não têm escolha a não ser nascer e morrer de tédio.

O erro é, portanto, a moeda que se cobra daqueles que chegaram até aqui devido à vontade de fazer escolhas.

Entre a sorte e a sabedoria, eu escolheria mil vezes a sorte.

A sorte é a chance de enriquecer quando o mercado sobe.

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A sabedoria é a chance de enriquecer quando o mercado cai.

Pena que não deu sorte, até o momento. Uma hora ela vem.

Quanto à sabedoria, sou aquele mesmo jovem, da época em que eu era jovem, olhando superficialmente ao redor.

Sócio-fundador e CEO da Empiricus, é bacharel em Economia pela FEA-USP, em Jornalismo pela Cásper Líbero e mestre em Finanças pela FGV-EESP.