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Day One

Menos cabeças, mais PIB? 

A notícia mais “não perecível” da semana veio da China e talvez tenha passado despercebida. 

Por Rodolfo Amstalden

21 jan 2026, 13:30

Imagem: iStock/ Leontura

Enquanto todas as atenções se voltam para a Atlas/Intel de Flávio Bolsonaro, a compra da Groenlândia ou o rebote dos bonds japoneses, a notícia mais “não perecível” da semana talvez tenha passado despercebida. 

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Na última segunda-feira 19), o governo chinês anunciou 7,92 milhões de nascimentos em 2025, consideravelmente abaixo dos 9,54 milhões contabilizados em 2024. 

A taxa de fecundidade total do país caiu para 0,93 – portanto, muito aquém da taxa de reposição populacional (2,10). 

Ainda que Xi Jinping esteja se esforçando em prol de políticas públicas capazes de ressuscitar essa estatística, a tendência descendente parece inabalável. 

Mesmo que um ritmo próximo a 8 milhões de nascimentos/ano seja milagrosamente preservado, a população chinesa cairia para cerca de 600 milhões em 2100; menos de metade do número atual de 1,405 bilhão. 

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Até pouco tempo atrás, essa era uma hipótese completamente absurda, mas 600 milhões de chineses em 2100 não é sequer um cenário pessimista agora. Já tem gente séria falando em 500 milhões. 

Embora os estudos de caso da China sejam sempre repletos de hipérboles (para cima ou para baixo), o contexto está longe de ser exclusivo; trata-se de um fenômeno global. 

Curiosamente, suas explicações modernas (melhora da educação, métodos contraceptivos, mulheres no mercado de trabalho e urbanização) dificilmente poderiam ser imaginadas por Thomas Malthus em 1798. 

Não temos muitas referências para avaliar os impactos diretos e indiretos de uma queda vertiginosa da população mundial, até porque nunca vivemos nada parecido antes. 

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É óbvio e relevante falar em ônus demográfico, mas também existem vias de bônus à medida que um mesmo conjunto de recursos acumulados passa a ficar à disposição de um contingente menor de pessoas. 

Ademais, parte dessa lacuna pode ser preenchida por robôs e demais mecanismos autômatos, capazes de realizar trabalhos braçais e operacionais de baixa complexidade. 

De qualquer forma, o efeito líquido pertence ao futuro, e a notícia da fecundidade chinesa não vai mexer com os preços de tela agora – especialmente em uma semana repleta de atrações afeitas ao paladar infantil. 

Sócio-fundador e CEO da Empiricus, é bacharel em Economia pela FEA-USP, em Jornalismo pela Cásper Líbero e mestre em Finanças pela FGV-EESP.