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Day One

Para aqueles que veem as coisas de forma diferente

Ontem a negociação do MFII11 foi suspensa pela Comissão de Valores Mobiliários. Em 22 de maio de 2017, Daniel Malheiros já alertava sobre MFII11 (Mérito Desenvolvimento Imobiliário). Entenda o caso.

Por Rodolfo Amstalden

19 jul 2018, 11:41

Coco Chanel era muito mais do que um rostinho bonito.

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“A natureza nos presenteia com o rosto que temos aos vinte anos, mas cabe a nós mesmos o mérito do rosto que teremos aos cinquenta anos.”

Esqueça qualquer merda de autoajuda sobre “saber envelhecer bem”.

Chanel quer apenas nos dizer que existem dois tipos de riqueza no mundo: uma vinda de herança (sorte) e outra conquistada por nossos próprios esforços (mérito).

Frequentemente, beldades com um rosto lindo aos vinte anos tornam-se estragadas aos cinquenta, pois achavam que dava para subir uma ladeira indefinidamente em ponto morto, só com os embalos de sábado à noite.

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Conheço também alguns heróis do outro extremo, cuja jovem pobreza motivou a transpirar, transpirar e construir riqueza na raça (e no talento). Esses são raros e exemplares. Merecem um pedestal no qual sempre negar-se-ão a subir.

A Empiricus, definitivamente, não se enquadra na tenra beleza. Nascemos feios e moribundos, de modo que só nos resta brigar pela transpiração.

É o que estamos tentando fazer, a cada dia.

Em 22 de maio de 2017, Daniel Malheiros escreveu sobre MFII11 (Mérito Desenvolvimento Imobiliário) em sua publicação semanal sobre fundos imobiliários:

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Embora as “não compras” passem despercebidas pela maioria do mercado, elas são – para nós – mais importantes do que as compras, graças a um dos princípios éticos que rege o Código de Conduta da Empiricus:

“Antes de fazer com que nossos leitores ganhem dinheiro, devemos suar sangue para que eles NUNCA percam muito dinheiro”.

Ninguém fica rico não comprando alguma coisa, mas muitos investidores evitam de ficar pobres, e outros mantêm sua riqueza conquistada sob enorme esforço.

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Em 3 de agosto de 2017, após continuar estudando o fundo, Malheiros aprofundou suas críticas a MFII11:

Ironicamente, depois da publicação dessas duas edições, fomos criticados nas redes sociais por alguns “especialistas” em fundos imobiliários que só atentavam para o yield elevado de MFII11.

Vou privá-los aqui dos prints desses “especialistas”, pois meu foco é construtivo, e não destrutivo. A natureza já está cuidando deles.

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Vamos, portanto, ao que interessa: o que enxergamos de diferente em MFII11?

O que vimos que outros não viram?

Os assinantes da publicação semanal do Malheiros sempre tiveram essas respostas detalhadas, na ponta da língua.

Aqui no Day One vou dar uma palhinha, que na verdade são cinco:

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1) Por incrível que pareça, nós fomos efetivamente visitar algumas das obras e empreendimentos do Mérito, para ver com os próprios olhos se existiam de fato, e se estavam evoluindo num ritmo aceitável. Não estavam.

2) Não encontramos qualquer explicação convincente para justificar um rendimento elevadíssimo de 15 por cento ao ano. Isso foi um problema para o Malheiros. Entre as frases de tiozão que ele gosta de soltar aqui no escritório, todo mundo já ouviu: “Quanto mais alto o yield, mais eu desconfio, sabe?”.

3) Aquilo que os “especialistas” interpretavam como um patrimônio crescente do fundo ao longo do tempo era visto pelo Daniel como um mero empilhamento de captação sobre captação sobre captação. Nenhuma vida pode ser rotineiramente criada a partir de matéria inanimada.

4) Muitos leitores nos questionavam o porquê de não recomendarmos um fundo maravilhoso, que pagava rendimentos previsíveis e crescentes, acima do CDI, e que performava melhor que o Ifix. Isso corrobora outro princípio do nosso Código de Conduta: “Devemos nos sentir sempre à vontade para nadar contra a corrente”.

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5) Em suas investigações, Malheiros logo percebeu que MFII11 parecia uma incorporadora disfarçada de fundo imobiliário, pois aportava dinheiro em terrenos, obras em andamento e estoque pronto. Como poderia um fundo cíclico desse tipo pagar rendimentos previsíveis e crescentes, no mesmo momento em que todas as incorporadoras estavam sofrendo para sobreviver? Formar sua própria opinião sobre um ativo implica rasgar peles de cordeiro.

Talvez você não saiba ainda, mas ontem a negociação do MFII11 foi suspensa pela Comissão de Valores Mobiliários.

O comunicado oficial cita inclusive uma atuação do fundo que remete a pirâmide financeira, com sinais de fraude.

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Não podemos estar contentes com isso, pois o episódio em si é tristíssimo. Mas celebramos hoje o senso de dever cumprido por termos evitado essa dor de cabeça aos nossos assinantes.

Em nome de todos aqueles que leem a Empiricus e que trabalham na Empiricus, agradeço aqui ao Daniel por ter apontado, publicamente, a nova roupa do rei nu.

“Here’s to the crazy ones. The misfits. The rebels. The troublemakers. The round pegs in the square holes. The ones who see things differently. They’re not fond of rules. And they have no respect for the status quo.”

Sócio-fundador e CEO da Empiricus, é bacharel em Economia pela FEA-USP, em Jornalismo pela Cásper Líbero e mestre em Finanças pela FGV-EESP.