Na terça, falei sobre professores de Finanças que não gostam de comprar ações.
Acredite: eles são mais regra do que exceção.
Bruce Greenwald é um gênio, desperta em nós profunda admiração.
Ele é um dos docentes mais famosos da Escola de Negócios de Columbia – onde, inclusive, deu aulas de valuation para o Caio, que é meu sócio aqui na Empiricus.
Sabe qual é o livro preferido de investimentos do Greenwald?
“Orgulho e Preconceito”, da Jane Austen – porque é um livro sobre estar ciente de suas próprias qualidades e, sobretudo, de seus próprios defeitos.

Graças a toda uma carreira dedicada ao estudo de Finanças, Bruce Greenwald aprendeu vários requisitos técnicos e psicológicos para se tornar um bom investidor.
E, olhando para si mesmo, ele aprendeu também que não reúne tais requisitos.
Deixe eu transcrever aqui livremente o que eu ouvi do próprio Greenwald:
“Conheço bem os meus defeitos. Estou sempre tentando ser o cara mais esperto da sala, mesmo sabendo que essa é uma atitude estúpida.”
“A última vez que manifestei esse tipo de atitude como investidor foi quando comprei ações da [John] Deere. Eu queria entrar no menor valuation possível, para que fosse uma barganha. Em termos práticos, isso significava entrar a um custo médio de 70 dólares.”
“Consegui comprar meus primeiros lotes a 75 dólares. Mas, logo depois, a ação subiu para cerca de 80 dólares. Eu sabia que teria que completar meus lotes a esse preço maior, mas acabei me boicotando, obcecado que eu estava por comprar Deere entre 70 e 75 dólares.”
“Então, a conclusão é que eu não completei minha posição almejada, a despeito do fato primordial de que eu realmente achava que a ação valia algo entre 150 e 200 dólares.”
“Eu sabia que tinha uma margem muito grande a meu favor. Infelizmente, isso não bastou para que eu pudesse convencer a mim mesmo que 70 ou 80 dólares seriam ambos excelentes pontos de entrada.”
“Fui mesquinho com as ações da Deere. Você é quem você é. Minha vontade de ser o mais esperto me levou a uma decisão estúpida. Por isso, eu realmente não sou nem quero ser um investidor de ações.”
Que aula do Greenwald!
Por que estou falando tudo isso?
Não importa se você é um professor PhD em Finanças ou um músico-assistente da Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte.
Não é sua formação ou seu cargo que vão determinar se você é um investidor de ações.
Isso tem muito mais a ver com os seus orgulhos e preconceitos na vida, com suas ambições e seus medos.
Você é quem você é.
A decisão de comprar uma ação a 70 dólares ou 80 dólares incomoda profundamente, supondo que essa ação possa valer algo entre 150 e 200 dólares?
Se incomodar, tire um tempo para pensar.
Mas, se você fica igualmente feliz lucrando 150% ou 120%, seu perfil é perfeitamente adequado para conhecer nossas Melhores Ações da Bolsa.
Nesta série essencial da Empiricus, estamos sempre interessados em ganhar bastante, sem jamais nos preocuparmos com mesquinharias.