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Investimentos

Ibovespa hoje: mercado vende antes de entender? Receios sobre IA, payroll dos EUA e Galípolo em evento do BTG

Leia sobre uma nova IA para tributação, avanço de acordo entre EUA e UE, sucessão presidencial na Turquia e mais.

Por Matheus Spiess

11 fev 2026, 09:14

Atualizado em 11 fev 2026, 09:14

trade ações bolsa mercado (1)

Imagem: iStock/ @phongphan5922

Os receios em torno do avanço da inteligência artificial continuam a pressionar ações de setores percebidos como mais expostos à automação, com destaque recente para empresas de gestão de patrimônio, que registraram quedas expressivas após o lançamento de uma ferramenta de estratégia tributária baseada em IA. No contexto atual, os investidores tendem a reagir rapidamente, adotando a lógica de “vender primeiro e perguntar depois” — movimento que já havia atingido companhias de software recentemente. Em paralelo, outros vetores dividiram a atenção do mercado: o Banco Popular da China reiterou seu compromisso com uma política monetária mais frouxa, em resposta à fraqueza da demanda doméstica e à persistência da deflação ao produtor; no mercado de criptoativos, grandes detentores de Bitcoin voltaram a acumular posições, contribuindo para alguma estabilização de preços; e, no campo comercial, a União Europeia avançou nas negociações de um acordo com os EUA. 

Do ponto de vista macroeconômico, o foco global permaneceu concentrado nos Estados Unidos, à espera do payroll de janeiro, divulgado com atraso e visto como um dado-chave para recalibrar as expectativas em torno da trajetória de juros do Federal Reserve. Indicadores recentes — como vendas no varejo mais fracas e sinais de desaceleração nas contratações, especialmente entre trabalhadores mais jovens — elevaram a sensibilidade dos mercados a qualquer surpresa negativa, ainda que autoridades minimizem os riscos associados a um eventual número mais fraco.  

· 00:57 — Atenção no que ele tem a dizer 

No Brasil, as atenções do mercado se voltam para a participação de Gabriel Galípolo em evento promovido pelo BTG Pactual (clique aqui para conferir), especialmente após a divulgação do IPCA de janeiro, que acabou elevando a probabilidade relativa de um corte de apenas 25 pontos-base na Selic em março, em detrimento de um movimento mais agressivo de 50 pontos. Esse ajuste nas expectativas ajudou a justificar a realização de lucros observada no pregão anterior, em linha com o humor misto dos mercados internacionais. Ainda assim, como destacou André Jakurski, também durante o evento do BTG, uma das principais regras do mercado brasileiro segue sendo acompanhar o investidor estrangeiro: quando o fluxo externo entra, você precisa acompanhar (compre também). Esse movimento vem sendo observado desde o ano passado, com forte aprofundamento em janeiro, ainda que haja sinais de acomodação mais recente. 

A fala de Galípolo, aliás, será relevante não apenas para calibrar expectativas sobre a trajetória de curto prazo da Selic, mas também para avaliar o grau de independência do Banco Central, sobretudo após novos ataques verbais e pressões vindas de lideranças do governo. Esse ambiente político mais agressivo, que inclui propostas de viés mais radical, populista e divisivo, paradoxalmente tende a abrir espaço para candidaturas percebidas como mais moderadas. Nesse contexto, caso Flávio Bolsonaro continue a adotar um discurso mais centrista e se distancie das alas mais radicalizadas do bolsonarismo, sua viabilidade eleitoral pode aumentar. Vale, portanto, acompanhar tanto sua participação no CEO Conference do BTG quanto os próximos levantamentos de intenção de voto. Além disso, o mercado segue digerindo o relatório de produção da Petrobras, que impulsionou as ADRs da companhia no pré-mercado em Nova York nesta manhã, ao mesmo tempo em que monitora a temporada de balanços: à noite, por exemplo, serão divulgados os resultados do Banco do Brasil, após uma sequência de trimestres mais fracos, o que torna o balanço particularmente importante para avaliar se a instituição começa, de fato, a contornar suas dificuldades recentes. 

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· 01:24 — Renovando máxima entre humores mistos 

Nos Estados Unidos, as ações atravessaram um pregão na terça-feira marcado por ajuste. O S&P 500 e o Nasdaq registraram leves quedas, enquanto o Dow Jones voltou a destoar do restante do mercado ao encerrar o dia em novo recorde histórico, sustentado principalmente por ações de perfil mais cíclico, ligadas aos setores industrial e de consumo. Esse desempenho desigual reflete um pano de fundo ainda dividido: de um lado, cresce o debate sobre uma possível formação de bolha em tecnologia, com valuations conflitantes entre instituições que ainda enxergam espaço adicional de valorização e aquelas que alertam para sinais clássicos de excesso, intensificados pelos investimentos em inteligência artificial; de outro, ganha peso a expectativa pelo relatório de empregos de janeiro, considerado um dado-chave após números fracos de vendas no varejo e indícios recentes de arrefecimento do mercado de trabalho. Nesse contexto, os juros de longo prazo recuaram, o dólar permaneceu relativamente estável e começaram a surgir, ainda de forma tímida, apostas em cortes de juros mais à frente, embora o discurso do Federal Reserve siga apontando para uma postura cautelosa no curto prazo. A mudança de liderança em maior será central. 

· 02:38 — Ruídos no mercado financeiro 

O avanço acelerado da inteligência artificial voltou a produzir efeitos colaterais relevantes nos mercados. O gatilho, desta vez, foi o lançamento de uma ferramenta de estratégia tributária baseada em IA pela startup Altruist, que desencadeou uma onda imediata de aversão ao risco em ações de empresas tradicionais de planejamento tributário e gestão de patrimônio — como Raymond James Financial, Charles Schwab e LPL Financial Holdings (até alguns bancos brasileiros sentiram calor por conta da notícia). O movimento espelha uma postura que vem se tornando cada vez mais comum: diante da percepção de que a IA pode pressionar margens, reduzir barreiras de entrada e “commoditizar” serviços especializados, muitos investidores preferem reagir primeiro e analisar depois, penalizando companhias vistas como vulneráveis a esse tipo de disrupção. Em paralelo, porém, o fluxo de capital para a tecnologia segue robusto: a Alphabet continua financiando, em escala, a corrida pela liderança em IA, enquanto o Ant Group direciona sua próxima etapa de expansão para aplicações na área de saúde. O contraste ajuda a entender o momento atual: a mesma tecnologia que alimenta temores de substituição em alguns segmentos também abre frentes de produtividade, novos produtos e crescimento em outros — e é essa assimetria que tem ditado, cada vez mais, a dinâmica de vencedores e perdedores no mercado. 

· 03:26 — O sucessor 

Um nome que começa a ganhar maior tração nas discussões sobre a sucessão do presidente turco Recep Tayyip Erdogan é o de seu filho mais novo, Bilal Erdogan. Nos últimos meses, a agência estatal de notícias passou a conferir maior visibilidade a Bilal, com a publicação recorrente de reportagens sobre suas atividades públicas. Em paralelo, ele tem acompanhado o pai com mais regularidade em viagens internacionais ao longo do atual mandato, o que amplia sua exposição institucional e reforça a percepção de um movimento gradual de inserção no cenário político. 

Embora a sucessão presidencial sempre tenha sido um tema sensível na Turquia — tratado como um tabu —, a possibilidade de uma transição de poder passou a ser discutida com maior frequência nos bastidores do partido governista, o AKP. Segundo relatos, a entrada formal de seu filho mais novo na política já é considerada por integrantes da legenda, e alguns chegam a cogitar sua eventual ascensão à liderança no futuro. Esse debate sugere que a hipótese deixou de ser apenas uma especulação distante e passou a integrar, de forma mais concreta, as conversas internas do núcleo de poder, com potenciais implicações para a continuidade do atual arranjo político no país. 

· 04:15 — Desconforto 

Apesar de 2025 ter sido, no plano externo, um ano de conquistas relevantes para a China — da afirmação tecnológica simbolizada pela DeepSeek ao enfrentamento da ofensiva tarifária de Donald Trump, passando por um superávit comercial em níveis recordes —, o país entra em 2026 com um desconforto doméstico cada vez mais visível. O desemprego juvenil segue alto, muitos trabalhadores deslocados migram para a economia informal, a classe média vê parte do patrimônio corroída pela prolongada fraqueza do setor imobiliário e até o funcionalismo público, tradicionalmente associado à estabilidade, convive com ajustes e cortes salariais em algumas regiões. Em paralelo, a campanha anticorrupção conduzida por Xi Jinping continua avançando e, ao alcançar figuras de alto escalão nas esferas política e militar, reforça a sensação de incerteza entre as elites. No fim, a mensagem é simples: a força geopolítica chinesa pode até ganhar tração lá fora, mas sua capacidade de sustentar essa projeção dependerá de como Pequim lidará com essas fragilidades internas — que, por ora, permanecem bem presentes. 

· 05:01 — Mudança estratégica 

SpaceX, de Elon Musk anunciou uma inflexão estratégica relevante ao redirecionar seu foco de longo prazo de Marte para a Lua. A companhia agora trabalha com a ambição de construir uma cidade lunar autossustentável ao longo da próxima década, enquanto a colonização de Marte fica postergada para um horizonte superior a 20 anos. Na prática, isso representa o abandono (temporário?) do plano de enviar um foguete não tripulado ao planeta vermelho até 2027, um projeto condicionado por janelas de alinhamento planetário e por desafios tecnológicos ainda relevantes. 

Esse novo direcionamento está mais alinhado às prioridades estratégicas dos EUA no curto e médio prazo. A SpaceX mantém um…

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.