Não tenha medo de usar a intuição: acionista é aquele que possui ações de uma determinada empresa. Ou seja, são pessoas ou instituições que detêm “pedaços” da companhia em questão. Acionistas são, portanto, investidores. Eles empregam dinheiro a fim de possuir uma fatia de um negócio.
Esses pedaços de empresas — as ações —, contudo, não carregam apenas valor. Elas atribuem a seus donos direitos e responsabilidades. Firmam um vínculo entre o acionista e a companhia.
Nesse artigo você entende a importância dos acionistas e a influência que eles exercem sobre uma empresa; conhece o tipos de acionistas que existem; e ainda confere a diferença entre shareholder (que é outro nome para acionista) e stakeholder. Para facilitar sua leitura, o texto está dividido em tópicos, os quais você pode acessar através dos links:
- Direitos e responsabilidades: o que é ser um acionista
- Minoritário, majoritário, controlador… os tipos de acionistas
- Shareholder x Stakeholder
Direitos e responsabilidades: o que é ser um acionista
Especificamente no caso da bolsa de valores, os investidores estarão movimentando dinheiro. O acionista, por meio do pregão, emprestará determinada quantia a uma empresa e receberá em troca alguns “pedacinhos da companhia”, as ações. Todo investidor pode ser considerado, então, um credor.
Ao adquirir os papéis de uma empresa, esse agente se tornará um acionista. A partir desse momento, ele dependerá do desempenho financeiro da companhia para reembolsar o dinheiro emprestado. Esses retornos podem vir em forma de proventos (que são quantias pagas aos acionistas quando a empresa lucra) ou pela “revenda” da ação em um momento em que ele esteja mais valorizada.
Ou seja, diferentemente daqueles que investem em títulos de renda fixa, os acionistas não têm garantias de que serão integralmente reembolsados. Por outro lado, têm a possibilidade de multiplicar rapidamente o valor empregado. Tudo dependerá da qualidade do investimento. Os investidores que adquiriram pedaços da companhia, via de regra, só irão lucrar se a empresa apresentar bom desempenho.

Tá! Mas, o que significam aquela porção de números e letras quando tratamos de ações? (Imagem: Shutterstock.com)
Esse é um momento propício para esclarecer outra dúvida recorrente. Existem diferentes tipos de ações, que atribuem aos seus donos distintos benefícios e responsabilidades. Sabe aquele número que acompanha a sigla de uma empresa na bolsa de valores, por exemplo PETR4, BBAS3 e etc? Esse numerozinho irá definir parte dessas condições.
As que terminam em “3”, por exemplo, são ações ordinárias. Além de direito a proventos, elas conferem direito a voto em reuniões de acionistas, ou seja, a chance de influenciar as decisões que definem os rumos da companhia em questão. Já as terminadas em “4” são as ações preferenciais. Elas não atribuem essa possibilidade, mas aqueles que as possuem têm prioridade na distribuição de dividendos.
Acontecimentos recentes relacionados ao quadro de acionistas da Vale S.A. podem auxiliar na compreensão dessa interação. Privatizada em 1997, a empresa passou por uma grande mudança no final de 2020: a mineradora se transformou em uma corporação sem grupo de controle acionário definido.
A companhia realizou um procedimento para dispersar suas ações entre diferentes investidores. O objetivo era impedir que um único agente acumulasse mais de 25% do capital da empresa. Tal mudança pôde ocorrer devido ao fim de um acordo de acionistas, do qual faziam parte o grupo Litel, o Bradesco, a Mitsui e o BNDES, que garantia a concentração dos ativos.
O processo fez com que 20,26% das ações da mineradora — o que equivalia na época a R$ 68 bilhões — ficassem livres no mercado para que novas pessoas e instituições adquirissem pedaços da empresa e se tornassem acionistas.
Minoritário, majoritário, controlador… os tipos de acionistas
Além das distinções já citadas, referentes ao tipo de ação adquirida, a posição de um acionista também varia de acordo com o “tamanho da fatia” que ele possui da empresa. Neste caso, pode-se dividir os investidores em dois grupos: os acionistas minoritários e os majoritários
Por definição, um acionista minoritário é aquele que possui um número pequeno de papéis de uma determinada empresa. Caso esse investidor tenha adquirido ações ordinárias, como já mencionado, ele terá direito ao voto em reuniões. Porém, visto a quantidade reduzida de papéis, ele não será capaz de definir os rumos da companhia sem necessidade de apoio alheio.
Já o acionista majoritário é aquele que possui a maior parcela das ações de um negócio. Ou seja, a tendência é que suas vontades superem as dos demais. Na maioria dos casos essa pessoa ou instituição será também o acionista controlador, aquele que, de fato, toma as decisões que definem os rumos da companhia.
No entanto, há exceções. Em algumas organizações em que ocorre, por exemplo, acordos de votos orquestrados, pode ser que o acionista majoritário não se posicione como o acionista controlador.

Casos em que o acionista majoritário não é controlador são raros. Mas, eles existem. (Imagem: Shutterstock.com)
Apesar de as definições pintarem o acionista controlador como uma figura de poderes ilimitados, é importante lembrar que a Lei das Sociedades Anônimas fiscaliza essa dinâmica. Ela estabelece uma série de responsabilidades a esse agente, de modo a coibir ou punir qualquer ação que possa prejudicar os demais investidores.
Shareholders x Stakeholders
Outro termo comumente utilizado para se referir a acionistas é “shareholders”. O que constantemente traz dúvidas sobre a diferenciação entre os conceitos de shareholder e stakeholder.
O primeiro — conforme neste artigo é explicado — se refere a pessoas ou instituições que possuem ações de uma empresa e atuam diretamente no negócio. Já os stakeholders são outros agentes que exercem alguma influência ou têm algum interesse na companhia em questão, independentemente se de maneira direta ou não.
Os stakeholders de um negócio vão variar de acordo com sua área e modelo de atuação. Mas, dentre os exemplos mais comuns estão investidores, gestores da empresa, colaboradores, clientes, sindicatos, o governo, a mídia e etc.
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