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Investimentos

Eneva (ENEV3): despachos impulsionam crescimento no 4T25, apesar de lucro abaixo do esperado; confira análise

A Eneva apresenta um pipeline de crescimento importante apesar dos resultados abaixo das expectativas no 4T25. Entenda.

Por Ruy Hungria

06 mar 2026, 11:50

Atualizado em 06 mar 2026, 11:51

eneva enev3 vibra vbbr3

A Eneva (ENEV3) apresentou resultados do 4T25 com forte crescimento na comparação anual, apesar de um pouco abaixo das expectativas.

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No complexo Parnaíba, o ebitda do Eneva cresceu +1%, para R$ 296 milhões, abaixo das expectativas, com maiores despachos sendo parcialmente compensados por menores margens de comercialização. Na UTE Jaguatirica II, em Roraima, o ebitda cresceu +5,4%, para R$ 103 milhões, impulsionado por reajustes da receita fixa. O hub Sergipe mostrou boa evolução de +11,7% no ebitda, para R$ 367 milhões, ajudado por reajustes de receita fixa, maiores despachos, parcialmente compensadas por menores resultados de comercialização de gás on-grid.

Linhas de atuação da ENEV3 no 4T25

No segmento de geração a gás com combustível de terceiros (usinas a gás adquiridas do BTG em 2024), o ebitda expandiu +41%, para R$ 494 milhões, ajudado por maiores despachos e reajustes de receita fixa. Vale mencionar que os contratos dessas usinas se encerraram em dezembro/25 (Viana 1 e Linhares) e janeiro/26 (Povoação e Linhares 1). Linhares tem um novo contrato de fornecimento a partir de julho/26, enquanto as outras usinas permanecem aguardando uma nova oportunidade de recontratação.

Nas usinas a carvão, o ebitda ajustado por impairments realizados no 4T24 cresceu +19,6%, para R$ 140 milhões, com menores custos variáveis, enquanto as usinas a óleo mostraram avanço de +210% no ebitda, por conta da antecipação de contratos que estavam previstos para começar em jul/26.

O segmento solar segue sofrendo com as restrições operacionais impostas pelo regulador, o que resultou em um ebitda de -R$ 7,9 milhões.

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O segmento de upstream (exploração e produção de gás) apresentou recuo de -50% no ebitda, com maiores despachos sendo mais do que compensados por maiores gastos exploratórios.

Finalmente, o segmento de comercialização de gás off-grid segue mostrando boa evolução, com ebitda saltando de -R$1,8 milhão para R$ 73 milhões no 4T25, se consolidado como uma alternativa de monetização do gás em períodos de baixos despachos.

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Lucro da Eneva no 4T25 fica abaixo do esperado

No consolidado, Eneva apresentou um ebitda de R$ 1,49 bilhão, aumento de 144% para o 4T24, mas um pouco abaixo das expectativas, especialmente por gastos exploratórios e menores margens de comercialização.

O resultado financeiro da Eneva melhorou cerca de R$ 1 bilhão frente ao 4T24, com efeitos positivos de variação cambial e marcação a mercado de swaps. Sem esses efeitos, o resultado financeiro teria melhorado cerca de R$ 200 milhões.

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No fim, a Eneva apresentou um lucro líquido de R$ 192 milhões, abaixo das expectativas, mas com reversão do prejuízo de R$ 949 milhões no 4T24.

Além dos resultados, a companhia divulgou a atualização de reservas de gás na Bacia do Parnaíba. No fim de 2025, o volume total de reservas 2P somava 37,9 bilhões de metros cúbicos (bcm), um pouco acima da atualização anterior, que ocorreu no fim de 2023. Isso significa que a companhia encontrou mais gás do que o volume produzido no período, o que implica em índice de reposição de reservas acima de 100%. Lembrando que a Eneva segue firme em suas campanhas exploratórias, e que eventuais descobertas relevantes podem abrir novas avenidas de receita para a companhia.

Apesar de resultados um pouco abaixo das expectativas, Eneva tem um pipeline de crescimento importante, especialmente a partir de 2027, e entrará no Leilão de Reserva de Capacidade com boas chances de emplacar projetos de retornos elevados.

Por 7,6x valor da firma/ebitda 2026, as ações da Eneva segue como recomendação de compra pela Empiricus.

Bacharel em Física formado na Universidade de São Paulo (USP), possui MBA de Finanças na Fipe e iniciou a carreira no mercado financeiro em 2011, na própria Empiricus Research. Está à frente da série da casa focada em opções desde 2018, além de contribuir na elaboração e decisões de investimentos nas séries da Empiricus focadas em microcaps e dividendos, além de fazer o acompanhamento de companhias de diversos setores, com mais foco em Utilities e Oil & Gas. Desde o início de 2020 é colunista do portal Seu Dinheiro.