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Felipe Miranda: ‘Temos três forças atômicas acontecendo neste momento no mercado’; veja quais são e como se posicionar

Em live no Instagram, o sócio-fundador da Empiricus fala sobre a guerra em curso na Eurásia, a alta do juro longo nos EUA e a piora do fiscal no Brasil.

Por Nicole Vasselai

18 de abril de 2024, 14:57

Imagem com vários números e gráficos os quais representam ações na Bolsa de Valores

Para Felipe Miranda, fundador e analista-chefe de investimentos da Empiricus Research, o mercado enfrenta agora três forças atômicas, que podem abalar as Bolsas no curtíssimo prazo, mas devem trazer ganhos no longo prazo para quem se posicionar agora.

Na live realizada nesta quinta-feira (18) em seu perfil do Instagram, Miranda conta como enxerga e como se proteger deste tripé complexo: a valorização dos títulos soberanos de 10 anos dos EUA, a deterioração da questão fiscal no Brasil e as guerras que permeiam a Eurásia, com conflitos entre Irã e Israel, Rússia e Ucrânia.

1. ‘O que mais faz preço no mundo atual é a alta do rendimento dos Treasuries de 10 anos’

Nesta quinta (18), os chamados “Treasuries de 10 anos“, títulos soberanos dos Estados Unidos com vencimento de longo prazo, sofrem uma disparada de 1%, alcançando o patamar acima de 4,6% ao ano. A última vez que os papéis chegaram perto dessa taxa foi em novembro de 2023.

Mas qual a relevância disso para os mercados?

Segundo Miranda, o Treasury de 10 anos determina o preço-justo de um ativo. Isso porque o preço-justo é determinado pela soma dos fluxos de caixa esperados de hoje até o infinito, trazidos a valor-presente por uma taxa de juros livre de risco e apropriada – e essa taxa é justamente a do título americano de longo prazo.

Isso afeta dramaticamente o fluxo de capital de curto prazo, porque antes o investidor tinha possibilidade de comprar o título rendendo 3,82%; agora a mesma taxa está em 4,59%. Ou seja, ainda mais vantajosa”, explica.

Também reforça que, com essa migração dos recursos para os títulos soberanos americanos, ocorre a valorização do dólar e a depreciação das moedas de países emergentes, como o real (BRL). “Consequentemente, isso impacta os ativos de risco brasileiros”.

Volatilidade causa mais volatilidade

Para o analista-chefe, estamos em uma dinâmica perversa de curtíssimo prazo, causada pela volatilidade, que se retroalimenta: “O mercado entra no que chamamos de clusters de volatilidade e é difícil sair dele”, comenta.

O que acontece, ele explica, é que neste momento os fundos que seguem tendências alocam o orçamento de risco de acordo com o retorno esperado: “O risco, para os mercados, gera volatilidade, então, quando ela sobe, o risco aumenta ainda mais e o modelo desses fundos dão inputs de vender ativos de risco. Quando a venda é intensifica, aumenta novamente a volatilidade e o mercado entra num ciclo vicioso”.

Os recursos vão migrar para os EUA

Miranda lembra também que o Banco Central Europeu (BCE) vai reduzir os juros em junho, o que provocaria uma grande discrepância em relação ao patamar da taxa nos EUA.

“Com esse diferencial de juros, o dinheiro da Europa migra pros EUA, o dólar se fortalece, os bens da balança comercial são valorizados e a inflação americana arrefece“, resume.

Desenhado esse cenário, ele acredita em movimentos de alta muito rápidos e intensos nos mercados, como aquele visto nas Bolsas em novembro e dezembro de 2023.

E não acho que houve um abandono da tese de 2024, mas isso foi deslocado no tempo, porque o afrouxamento monetário foi empurrado para frente. Talvez a gente tenha uma redução da intensidade do corte de juro nos EUA, mas ela não vai deixar de existir”, complementa.

Um outro fator bastante deflacionário para a Terra do Tio Sam, aponta o especialista, é o fluxo migratório. “Mesmo com a criação de centenas de milhares de vagas de emprego por lá, o salário não é elevado porque trata-se de uma mão de obra barata, então não causa inflação nos EUA”.

Miranda ainda adiciona a essa conta o aumento de produtividade do mercado de trabalho que pode ser resultado da dinâmica da inteligência artificial, cada vez mais aplicada a atividades operacionais.

2. Mudança nas metas fiscais brasileiras para 2025

A segunda força “atômica” exercida sobre o mercado agora é o redesenho das metas fiscais do Brasil para 2025.

Na última segunda-feira (15), o Executivo enviou o Projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) ao Congresso Nacional. O novo marco fiscal prevê uma meta de déficit zero para 2025 – a mesma a ser perseguida neste ano.

Até então a meta fiscal previa um superávit de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano que vem e de 1% para 2026.

Mas, nas palavras do analista, essa mudança “não é o fim do mundo“. Segundo ele, o mercado já trabalhava com metas muito parecidas com as impostas.

“Inclusive, vendo o copo meio cheio, temos agora metas mais críveis. As metas eram muito irreais, ia ficar meio ridículo”, afirma.

Ainda assim, Miranda não achou este o melhor momento para o Brasil fazer esse reajuste das metas fiscais, devido ao cenário internacional ainda ruim.

“O fato de o governo ter verbalizado que não está comprometido em nenhuma instância com o corte de gastos e jogar o superávit para a próxima administração foi muito ruim”, avalia.

Mas não acho que acabou o arcabouço fiscal. Mais do que isso: o mercado já colocou isso no preço“.

Com o juro real de longo prazo acima de 6%, tendência de queda da Selic ainda em 2024 e o crescimento da economia brasileira, Miranda não vê outro caminho a não ser o preço das ações dispararem quando o investidor se der conta: “Com os lucros das empresas aumentando e considerando a relação preço sobre lucro das ações, o preço vai precisar andar para acompanhar a expansão do lucro“.

3. Ações, petróleo e ouro como proteção contra a guerra da Eurásia

Por fim, Miranda fala também sobre a importância de estar posicionado em petróleo em meio às guerras geopolíticas na Eurásia (Irã, Israel, Rússia, Ucrânia). “O que eu recomendo é se expor à commodity por meio de ações de petrolíferas. Gosto muito de Prio (PRIO3) e 3R Petroleum (RRRP3)“.

Também traz para a conversa a performance do ouro, cuja cotação tem subido consideravelmente nos últimos meses, considerado uma proteção para a carteira. “Dá para comprar contratos futuros de ouro, mas também dá para investir em fundos de ouro e até comprar barra física, por exemplo”.

O importante, ele reforça, é o investidor saber “o momento de atravessar e o momento de multiplicar”.

“Para aqueles que têm capacidade de atravessar o momento ruim e tem horizonte de longo, já há grandes oportunidades na mesa. Além dos hedges [ativos para proteção], o Tesouro IPCA+ pagando 6% ao ano é uma excelente oportunidade”, recomenda na live.

E para fechar com chave de ouro, Miranda lista algumas das ações que considera de qualidade: Localiza (RENT3), BTG Pactual (BPAC11), Direcional (DIRR3), B3 (B3SA3) e Cosan (CSAN3).

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Sobre o autor

Nicole Vasselai

Editora do site da Empiricus. Jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero, com MBA em Análise de Ações e Finanças e passagem por portais de notícias e fintechs.