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Investimentos

Ibovespa em 250 mil pontos? Possível retomada da renda variável, ata do Fed e efeitos inflacionários da IA movimentam o mercado nesta quarta (7)

Avanços concretos na agenda econômica abrem espaço para valorização adicional. Veja mais destaques

Por Isabelle Lima de Oliveira

07 out 2026, 10:49

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Atualizado em 07 out 2026, 10:49

dinheiro investimentos mercados ibovespa ações

Imagem: iStock/ @Dusan Stankovic

Os mercados começam o dia atentos à divulgação da ata do Federal Reserve, que deve ajudar a calibrar as expectativas para os próximos passos da política monetária americana. Após a divulgação de indicadores de inflação e emprego mais fracos que o esperado, cresce a percepção de que o banco central poderá fazer uma pausa em outubro antes de eventualmente retomar o ciclo de aperto em dezembro.

No Brasil, enquanto os investidores aguardam novas pesquisas eleitorais e mais detalhes sobre a agenda econômica do próximo governo, o principal tema continua sendo a reprecificação dos ativos domésticos. O movimento já levou grandes bancos a revisarem suas projeções para a Bolsa brasileira e abriu espaço para uma discussão ainda mais interessante: a possibilidade de retorno dos fluxos para a renda variável depois de anos de escassez de capital para ações.

1:43 – Gringo já começou a revisar

A disparada da Bolsa nos últimos dias foi explicada, em grande medida, pela reprecificação do risco político e fiscal. A perspectiva de um ambiente mais favorável para as contas públicas ajudou a destravar um forte movimento de alta no Ibovespa, fortalecimento do real e atração de investidores para o mercado local. O melhor é que o rali pode ser apenas o começo de um movimento mais estrutural.

Após o primeiro turno, diversos bancos globais revisaram suas avaliações para o mercado brasileiro. O JPMorgan, por exemplo, elevou sua recomendação para ações brasileiras e destacou que a valorização do real poderia abrir espaço para cortes de juros mais rápidos, enquanto uma política econômica mais favorável ao equilíbrio fiscal impulsionaria os múltiplos das empresas.

Enquanto a Bolsa negocia hoje a cerca de 8,9 vezes lucro, o banco acredita que uma redução dos riscos poderia levar rapidamente os múltiplos para algo próximo de 10,9 vezes. Em um cenário mais otimista, o potencial de reprecificação seria ainda maior.

Não por acaso, BTG Pactual, UBS e Morgan Stanley também revisaram suas perspectivas para os ativos brasileiros. Em comum, todas as teses partem da mesma premissa: caso a melhora de percepção se traduza em avanços concretos na agenda econômica, ainda existe espaço para valorização adicional.

2:56 – Ainda tem mais por vir

Além da melhora de percepção, existe a possibilidade de uma mudança importante nos fluxos para a Bolsa brasileira.

Segundo estimativas do Itaú BBA, investidores estrangeiros e fundos locais podem direcionar cerca de R$ 270 bilhões para o mercado acionário ao longo dos próximos anos. Desse total, R$ 123 bilhões viriam dos estrangeiros e R$ 147 bilhões da indústria doméstica de fundos, que passou os últimos anos perdendo patrimônio para aplicações conservadoras.

A visão do Morgan Stanley é ainda mais otimista. O banco estima que uma retomada das alocações dos fundos locais em ações poderia direcionar entre R$ 176 bilhões e R$ 945 bilhões para a renda variável. Hoje, os fundos de ações representam apenas 6% do patrimônio da indústria brasileira, bem abaixo dos 15% observados em 2007.

Não por acaso, o banco também mantém uma visão construtiva para os ativos domésticos. Além de enxergar potencial adicional de valorização para as ações até o fim de 2026, o Morgan Stanley trabalha com um cenário otimista em que o Ibovespa poderia alcançar os 250 mil pontos.

É claro que parte dessas projeções depende da confirmação de um cenário macroeconômico mais benigno. Mas o aspecto mais interessante talvez seja outro: depois de anos em que o fluxo trabalhou contra a renda variável, pela primeira vez em muito tempo o mercado começa a enxergar valuation atrativo, perspectiva de queda dos juros e retomada dos fluxos caminhando na mesma direção. Historicamente, os ciclos mais fortes de alta costumam nascer justamente dessa combinação.

3:41 – Em busca de pistas

Se no Brasil o foco está no fluxo e na política doméstica, nos Estados Unidos os investidores seguem tentando calibrar qual será o próximo passo do Federal Reserve.

A ata do FOMC será divulgada nesta tarde e aparece como um dos principais eventos do radar dos investidores. Depois de os dados do PCE e do mercado de trabalho mostrarem números abaixo do consenso, a expectativa predominante é de manutenção dos juros na reunião de outubro, enquanto a probabilidade continua elevada para uma nova alta em dezembro.

Mais do que a decisão em si, o mercado busca entender quão perto está o fim do ciclo de aperto monetário. Mesmo com sinais de desaceleração da inflação, a economia americana continua demonstrando resiliência, tornando mais difícil para o Fed declarar missão cumprida.

A ata pode ajudar a calibrar expectativas para os próximos passos da autoridade monetária, mas a discussão dos investidores já não se resume só aos juros. Questões ligadas ao aumento da dívida pública americana e à deterioração fiscal de longo prazo também ganharam espaço nos mercados. Não por acaso, ativos associados ao chamado “debasement trade”, como ouro e bitcoin, continuam entre os principais destaques de desempenho de 2026.

4:18 – O próximo efeito da IA

Durante boa parte dos últimos dois anos, a inteligência artificial foi tratada pelos investidores como uma história de crescimento. A corrida por data centers, chips e infraestrutura ajudou a impulsionar empresas como Nvidia, AMD e Broadcom e sustentou boa parte da alta do Nasdaq.

Mas uma discussão nova começa a ganhar espaço. Integrantes do Federal Reserve passaram a alertar que a expansão da IA também pode gerar efeitos inflacionários, seja pela escassez de semicondutores, pelo aumento dos investimentos em infraestrutura ou pela maior demanda por energia.

Por enquanto, o mercado continua focado nos benefícios da tecnologia. Não por acaso, as ações ligadas à IA seguem entre os destaques de Wall Street e ajudaram S&P 500 e Nasdaq a renovarem máximas históricas nesta semana.

Mas, à medida que a tecnologia passa a influenciar também a discussão sobre inflação e juros, a inteligência artificial deixa de ser apenas uma tese setorial e se torna uma variável relevante para toda a economia.

5:22 – Um clássico em reconstrução

Depois de anos marcados por desafios operacionais, perda de participação de mercado e pressão sobre rentabilidade, a Alpargatas (ALPA4), dona da Havaianas, vem executando um amplo processo de reorganização. A companhia reduziu cerca de metade de seu portfólio, simplificando a operação e buscando ganhos de eficiência.

Os resultados já começaram a aparecer, com recuperação de market share e melhora das margens. No Brasil, a oportunidade xestá na expansão em canais especializados, como lojas de calçados e departamentos, além da retomada de participação nos segmentos masculino e infantil.

Mas a principal avenida de crescimento está fora do país. Embora a marca esteja presente em mais de cem mercados, cerca de 80% das vendas internacionais estão concentradas em apenas 40 deles. A estratégia é aprofundar a distribuição onde a marca já possui reconhecimento e acelerar o crescimento em regiões ainda pouco exploradas.

Além de ampliar volumes, a operação internacional oferece margens superiores às do mercado doméstico. Para o investidor, a tese combina recuperação operacional, expansão global e exposição a uma das marcas mais conhecidas do país. Em um cenário de queda de juros, melhora da confiança e retomada gradual do consumo, é uma combinação difícil de ignorar. Por isso, Alpargatas (ALPA4) segue entre nossas preferências no setor de consumo.

Graduada em Ciências Contábeis e com certificação CNPI, Isabelle integra a equipe de Research da Empiricus desde 2021, atuando nas séries focadas em dividendos, small caps e opções. Sua trajetória inclui experiência em tesouraria em um BPO financeiro, onde atendeu diversos tipos de companhias, com destaque para uma fintech.