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Investimentos

Ibovespa hoje: 4T25 de Gerdau, tarifa global de Trump, e negociações entre EUA e Irã; veja destaques desta segunda (23)

No Brasil, a agenda da semana traz a prévia da inflação oficial de fevereiro, o IPCA-15, e os dados de emprego do Caged.

Por Matheus Spiess

23 fev 2026, 09:17

Atualizado em 23 fev 2026, 09:17

ações ibovespa bolsa onde invetsir

Imagem: iStock/ Torsten Asmus

A incerteza em torno da política comercial dos Estados Unidos voltou a ganhar intensidade após a Suprema Corte, por 6 votos a 3, invalidar as tarifas impostas com base na IEEPA, restringindo o uso de poderes de emergência para fins comerciais e abrindo espaço para uma disputa longa sobre reembolsos às empresas. Em resposta, o presidente Donald Trump anunciou uma tarifa global “temporária” de 10%, posteriormente elevada para 15%, reacendendo o risco de nova escalada tarifária e lançando dúvidas sobre acordos previamente negociados. No campo geopolítico, sinais de maior flexibilidade do Irã nas negociações nucleares trouxeram algum alívio, mas o cenário permanece sensível a novas declarações e movimentos estratégicos.

Nos mercados financeiros, o tom predominante é de cautela. Futuros do S&P 500 e da Nasdaq operam em queda, o dólar perde força, e investidores buscam proteção em ativos tradicionalmente defensivos, como ouro, franco suíço e iene, enquanto o Bitcoin oscila ao redor de US$ 66 mil. Na Ásia, Hong Kong registrou alta com a perspectiva de tarifas médias menores, ao passo que outras bolsas apresentaram desempenho misto. A semana também concentra atenção em resultados corporativos — com destaque para Nvidia, além de Salesforce, Intuit e Zoom — e em indicadores relevantes, como confiança do consumidor nos EUA, inflação ao produtor americano e inflação da Zona do Euro, além de discursos de autoridades monetárias.

· 00:53 — Depois de uma nova máxima

Por aqui, a agenda da semana traz a prévia da inflação oficial de fevereiro, o IPCA-15, e os dados de emprego do Caged — ambos com divulgação prevista para sexta-feira — após o Boletim Focus de hoje apontar nova queda nas expectativas de inflação para o ano. Como venho destacando, uma combinação de números mais fracos nesses dois indicadores pode aumentar a probabilidade de um corte de 50 pontos-base na Selic já no mês que vem. Em paralelo, a temporada de resultados volta a ganhar tração nos próximos dias, depois do ritmo mais lento durante a semana de Carnaval, com nomes relevantes como B3, Telefônica e Gerdau entrando no radar. Tudo isso acontece após encerrarmos a semana passada com o Ibovespa renovando máxima histórica, fechando acima dos 190 mil pontos — o que leva o índice a acumular alta superior a 18% no ano — enquanto o dólar recuou para R$ 5,17, o menor patamar desde o fim de maio de 2024.

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· 01:41 — Tarifas ilegais

Nos Estados Unidos, o foco dos investidores recai sobre dois vetores centrais: os resultados da Nvidia, previstos para quarta-feira, e as falas de dirigentes do Federal Reserve, especialmente após a divulgação de um PCE acima do esperado. No campo comercial, porém, o ambiente voltou a se deteriorar. Após a Suprema Corte, por 6 votos a 3, considerar ilegal o uso da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês) para impor tarifas sem aprovação do Congresso, como antecipei que seria possível desde abril do ano passado, o presidente Donald Trump reagiu elevando de 10% para 15% uma nova tarifa global com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, com validade de até 150 dias. Embora a decisão judicial tenha sido interpretada como um fator de redução de incertezas (que poderia fortalecer o dólar) — e potencialmente benéfica para a inflação —, a rápida substituição das tarifas, em tom agressivo, e a sinalização de uso de outros instrumentos mantêm elevada a imprevisibilidade da política comercial americana.

Além disso, a decisão coloca em discussão bilhões de dólares já arrecadados em tarifas. Do ponto de vista geopolítico e comercial, Trump perde seu instrumento mais abrangente de pressão, enquanto países como China, Índia e Brasil tendem a se beneficiar de uma redução nas tarifas médias efetivas. Por outro lado, aliados que haviam negociado condições diferenciadas, como Reino Unido e Austrália, podem enfrentar custos adicionais sob a nova tarifa uniforme. A confusão gerada pela derrota do governo americano complica muito a situação. Para os mercados, o resultado é uma combinação de alívio pontual com incerteza estrutural, exigindo atenção redobrada de empresas e investidores diante dos próximos desdobramentos.

· 02:37 — O reembolso

Após a decisão da Suprema Corte que considerou ilegais as tarifas impostas pelo presidente Trump, abre-se uma disputa relevante sobre o reembolso dos cerca de US$ 175 bilhões já pagos por empresas. Embora, em tese, os valores devam ser devolvidos, o tribunal não definiu o procedimento, deixando a questão ao Tribunal de Comércio Internacional, o que pode prolongar o processo. Diversas companhias já ingressaram com ações judiciais, mas o próprio Trump sinalizou que a batalha pode se arrastar por anos e indicou que pretende manter a política tarifária por outros instrumentos legais, preservando um ambiente de elevada incerteza para empresas e investidores.

· 03:24 — Movimentos no mercado de IA

Recentemente, a OpenAI contratou Peter Steinberger, fundador do OpenClaw, criador de agentes de IA capazes de executar tarefas com maior autonomia, movimento elogiado por Sam Altman como a incorporação de um “gênio” e que manterá o projeto em formato de código aberto apoiado pela empresa. Ao mesmo tempo, a OpenAI intensifica a disputa com a chinesa DeepSeek, acusando-a de usar modelos americanos para treinar seu chatbot, enquanto diversifica sua estratégia de hardware ao adaptar modelos para chips da Cerebras Systems, reduzindo dependência da Nvidia. Em paralelo, executivos atuam em Washington por regras mais flexíveis, em um cenário em que a ascensão do DeepSeek desafia a premissa de que o futuro da IA depende apenas de mais poder computacional e energia, elevando a tensão competitiva no setor. Os próximos três anos serão transformacionais para esse mercado, com grande possibilidade de consequências profundas na economia real.

· 04:12 — Volatilidade na decisão

O presidente Donald Trump afirmou que avalia ataques militares limitados contra o Irã para pressionar por um acordo nuclear, podendo decidir nos próximos 10 a 15 dias, enquanto o chanceler iraniano Abbas Araqchi sustenta que ainda há espaço para solução diplomática e prepara nova proposta a ser discutida em Genebra. Apesar de sinais recentes de redução do risco imediato de incursão, a possibilidade não pode ser descartada, especialmente em um contexto de pressão política doméstica sobre a Casa Branca, o que mantém o tema como foco relevante de incerteza geopolítica para os mercados, particularmente para ativos ligados a energia e risco global.

· 05:06 — Um triste aniversário

A guerra na Ucrânia completou quatro anos e, com isso, ficou ainda mais claro que a invasão russa marcou um ponto de inflexão estrutural para os investimentos. O conflito acelerou um ciclo de rearmamento na Europa, diante da percepção — agora assumida sem rodeios — de que a capacidade de autodefesa do continente precisava de reforço urgente. Esse movimento ganhou tração adicional com a pressão de Donald Trump por maiores gastos militares entre aliados. Desde 2022, o índice MSCI Europe Aerospace and Defense acumulou retorno total de 236%, e, do outro lado do Atlântico, o setor também superou com folga os índices amplos nos EUA. A escalada de tensões e a reprecificação do risco geopolítico — da Venezuela à Groenlândia — ajudaram a consolidar a leitura de que a “ruptura” na ordem global não é retórica: ela tende a se traduzir em orçamentos de defesa mais altos por muitos anos, movimento que também alcança Japão e outras potências médias.

Ainda que o pano de fundo permaneça favorável, com crescimento e rentabilidade em aceleração, as avaliações do setor estão mais…

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.