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Os futuros americanos começaram esta quinta-feira pressionados, com o Nasdaq liderando as perdas em meio à fraqueza das ações de tecnologia. Ao mesmo tempo, uma nova escalada das tensões no Oriente Médio trouxe o petróleo novamente para perto das máximas recentes.
A busca por proteção também apareceu no mercado de Treasuries, com alta nos preços dos títulos e queda dos yields. Ou seja, desta vez a queda dos juros não é exatamente uma boa notícia: ela está muito mais ligada à aversão ao risco do que a uma melhora do cenário inflacionário.
00:35 — O mercado começa a cobrar a conta da IA
Durante boa parte dos últimos anos, anunciar mais investimentos em inteligência artificial foi suficiente para agradar os investidores. Agora, parece que o mercado quer algo a mais: retorno.
A temporada de resultados começa a testar justamente essa mudança. A Meta mostrou sinais de que seus investimentos em IA estão começando a gerar resultados, mas mesmo assim as ações reagiram mal.
A Lam Research, empresa de equipamentos usados na produção de semicondutores, também começou o dia pressionada depois de apresentar projeções mais fracas que o esperado, enquanto a Tesla caiu após reduzir seus planos de investimento.
A mensagem é relativamente simples: o mercado continua disposto a financiar grandes gastos com inteligência artificial, mas está ficando muito mais exigente sobre monetização, crescimento e lucros.
Isso também ajuda a explicar a rotação recente para fora de semicondutores e outros nomes ligados à IA. Depois de uma valorização muito forte, qualquer frustração passa a ter um impacto proporcionalmente maior.
01:45 — Petróleo sobe, mas juros recuam
O petróleo voltou a ganhar força nesta manhã com uma nova escalada das tensões no Oriente Médio. O Brent começou o dia em alta, próximo das máximas recentes, depois de os Estados Unidos orientarem parte de seus diplomatas a deixar a Arábia Saudita diante das ameaças dos houthis.
Em condições normais, petróleo mais caro reforçaria a preocupação com inflação e poderia pressionar os juros para cima. Mas hoje estamos vendo o movimento contrário nos Treasuries: os yields recuam porque investidores buscam proteção diante da piora do ambiente de risco.
Essa diferença é importante. A queda dos juros desta manhã não significa necessariamente que o mercado ficou mais otimista com a inflação ou com o Fed. Ela reflete, principalmente, uma postura mais defensiva dos investidores.
02:45 — Brasil entra nos últimos dias antes do segundo turno
Por aqui, o mercado também adotou uma postura mais defensiva no último pregão.
O Ibovespa caiu 0,86% ontem, para cerca de 206,5 mil pontos, enquanto o dólar avançou 0,17%, encerrando próximo de R$ 5,03. Vale e outras blue chips pressionaram a Bolsa em uma sessão de menor apetite por risco.
O principal vetor continua sendo eleitoral. A proximidade do segundo turno e novas pesquisas mostrando algum acirramento da disputa aumentaram a cautela dos investidores.
E isso deve continuar dando o tom nos próximos pregões. Com poucos dias até a votação, cada nova pesquisa pode provocar ajustes relativamente rápidos em Bolsa, dólar e juros, principalmente depois da forte movimentação dos ativos brasileiros nas últimas semanas.
Hoje teremos uma nova pesquisa Datafolha, que deve voltar a concentrar a atenção do mercado doméstico.
03:45 — Política domina, mas a agenda não para
Apesar do protagonismo das eleições, também teremos alguns eventos importantes fora da política.
O Tesouro realiza novos leilões de títulos prefixados, um teste relevante para a demanda por risco doméstico em um momento de maior volatilidade. O Banco Central também fará uma nova operação de rolagem de swaps cambiais.
Na agenda corporativa, Bradesco divulga seu resultado do terceiro trimestre após o fechamento, enquanto a arrecadação federal de setembro também será conhecida ao longo do dia.
Ou seja, o cenário doméstico continua com bastante informação para digerir. Mas, até domingo, é difícil imaginar que algum desses temas consiga retirar da eleição o papel de principal formador de preço dos ativos brasileiros.
05:01 — JURO11: mais prêmio, sem piora nos fundamentos
Os spreads das debêntures incentivadas voltaram para mais de 110 pontos-base acima das NTN-Bs, um dos níveis mais altos dos últimos anos. Mas essa abertura não parece refletir uma piora generalizada do crédito: parte do movimento veio do forte fechamento dos juros reais — que reduziu rapidamente a taxa das NTN-Bs — e parte de uma pressão vendedora relevante no mercado secundário.
Isso cria uma combinação interessante. Os fundamentos das companhias seguem, no geral, preservados, sem contar a possível redução no nível de juros à frente e a melhora nas condições financeiras dos emissores. Nesse ambiente, existe espaço para que os spreads eventualmente voltem a fechar — e a Sparta é justamente uma gestora bastante ativa no secundário, com capacidade de girar a carteira e aproveitar muito bem essas distorções.
E ainda há um desconto adicional: o JURO11 negocia perto de R$ 98,55, contra uma cota patrimonial de aproximadamente R$ 102,57. Ou seja, hoje o investidor consegue acessar uma carteira com spreads mais atrativos pagando cerca de 4% abaixo do valor dos ativos — uma assimetria que seguimos considerando interessante.