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Investimentos

Ibovespa hoje: como IPCA-15 e Flávio na frente de Lula em pesquisa impactam a bolsa nesta sexta (27)?

A fraqueza do setor de tecnologia define o compasso de espera nos mercados globais. Veja destaques no Brasil e exterior.

Por Matheus Spiess

27 fev 2026, 09:04

Atualizado em 27 fev 2026, 09:04

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Imagem: iStock.com/ oatawa

Os mercados globais iniciam o dia em compasso de espera, marginalmente mais negativos, refletindo a recente fraqueza do setor de tecnologia nos Estados Unidos. Os futuros do S&P 500 e do Nasdaq operam levemente no negativo após uma sessão pressionada principalmente por Nvidia (-5,5%), que caiu mesmo depois de divulgar resultados robustos, em meio a questionamentos sobre a sustentabilidade do ritmo de investimentos no setor. Outras empresas de tecnologia também sentiram o movimento, enquanto setores mais cíclicos mostraram desempenho relativamente melhor.

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Na Europa, o Stoxx 600 avança de forma moderada, à espera de novos dados macroeconômicos e balanços corporativos, e na Ásia o fechamento foi misto. Na China, o yuan perdeu força após o banco central eliminar a exigência de compulsório sobre operações a termo, medida que reduz o custo de proteção cambial e dá mais flexibilidade ao mercado, enquanto investidores ainda apostam em possível valorização da moeda até o fim do ano. No radar, seguem o índice de preços ao produtor nos EUA e a retomada das negociações nucleares entre Washington e Teerã, que, por ora, seguem sem entrar em um acordo, mas mantém aberta essa chance.

· 00:57 — Abrindo caminho para 50 pontos de corte

No Brasil, o foco do mercado está no IPCA-15 de fevereiro, que pode ser determinante para a dinâmica dos juros. Um resultado abaixo do esperado tende a se somar à recente apreciação do real e fortalecer as apostas em um ciclo mais acelerado de cortes da Selic — com uma redução de 50 pontos-base em março já amplamente incorporada aos preços. A mediana aponta alta de 0,56% no mês, com desaceleração do acumulado em 12 meses para 3,81%, o que representaria a primeira leitura abaixo de 4% desde maio de 2024. Ainda assim, o Ibovespa passou por duas sessões consecutivas de correção e ontem recuou 0,13%, embora tenha se mantido acima dos 191 mil pontos, sinalizando o ajuste pode refletir realização pontual após o rali.

No campo político, pesquisa divulgada pela Paraná Pesquisas indica Flávio Bolsonaro à frente de Lula neste momento. É cedo para conclusões definitivas — a campanha ainda não começou formalmente e o governo tende a intensificar os ataques ao senador, algo que até aqui não ocorreu —, mas o desempenho atual surpreende e supera expectativas. A eleição deve ser apertada, porém a possibilidade de maior viabilidade para uma agenda minimamente mais fiscalista pode, ao longo do tempo, oferecer algum suporte aos ativos locais, ainda que essa discussão esteja longe de ser resolvida. Em paralelo, Fernando Haddad deve ser candidato do PT ao governo de São Paulo — não como favorito contra Tarcísio de Freitas, que pode vencer já no primeiro turno, mas como peça na estratégia de fortalecer Lula no maior colégio eleitoral do país. Haddad participa hoje à noite do podcast Flowe poderá comentar sobre.

· 01:42 — Depois de Nvidia, a inflação ao produtor é o destaque

Mesmo após resultados fortes da Nvidia, o mercado americano encerrou em queda, pressionados por uma baixa de 5,5% nas ações da fabricante de chips, à medida que investidores passaram a questionar a sustentabilidade dos elevados investimentos em data centers e infraestrutura de IA (o resultado foi ótimo e ação chama a atenção pelo elevado nível de crescimento sem um desempenho em linha recentemente); por outro lado, o setor de software se recuperou das quedas recentes. Até aqui, a temporada de resultado segue boa, com 75% das empresas do S&P superando estimativas.

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No radar macro, cresce a atenção para o índice de preços ao produtor (IPP), que pode mostrar inflação ainda firme e reduzir o espaço para cortes de juros pelo Fed no curto prazo, mantendo a probabilidade elevada de manutenção das taxas na próxima reunião e reforçando a sensibilidade do mercado aos dados de inflação nas próximas semanas.

· 02:38 — IA sob os holofotes em diferentes frentes

A Anthropic entrou em confronto com o Departamento de Defesa dos EUA ao recusar acesso irrestrito ao seu modelo de IA sem garantias contra uso em vigilância em massa ou armas autônomas, colocando em risco um contrato de US$ 200 milhões, enquanto a Block anunciou corte de cerca de 40% do quadro de funcionários para acelerar a automação via IA, movimento que impulsionou suas ações e reforça como a tecnologia já provoca mudanças estruturais relevantes. Ainda que parte desses ajustes pudesse ocorrer independentemente da IA (talvez fosse uma reestruturação prevista já há algum tempo e postergada até aqui), a magnitude das decisões sugere um novo vetor econômico com potencial deflacionário, capaz de elevar margens e produtividade em alguns setores, mas também gerar desafios sociais significativos.

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· 03:25 — Mudança de paradigma

Uma mudança relevante pode estar em curso no ranking das maiores economias do mundo. Há anos na quinta posição — atrás de Estados Unidos, China, Alemanha e Japão —, a Índia vem se aproximando do Japão, impulsionada por uma população de 1,4 bilhão de habitantes, majoritariamente jovem, e também pela contração do PIB japonês em dólares. Esse movimento pode ganhar contornos mais claros com a divulgação de novos dados do PIB indiano sob metodologia revisada, que tende a ampliar o tamanho estimado da economia e reforçar a percepção de um reordenamento gradual na hierarquia econômica global. Trata-se, portanto, de um país que merece atenção crescente nos próximos anos. Ao mesmo tempo, como destacou a Citrini Research em seu famoso relatório, a Índia é particularmente sensível a possíveis disrupções no setor de serviços pela inteligência artificial — um ponto que adiciona complexidade à sua trajetória e exige cuidado por parte dos investidores.

· 04:13 — Guerra aberta

O Paquistão declarou “guerra aberta” ao Afeganistão após uma nova rodada de combates transfronteiriços e ataques aéreos, incluindo bombardeios em Cabul, Kandahar e Paktia, em resposta a confrontos entre forças paquistanesas e afegãs no longo trecho da fronteira de cerca de 2 600 km, marcando uma escalada significativa nas hostilidades. O ministro da Defesa paquistanês afirmou que “a paciência acabou”, acusando o governo Talibã de abrigar militantes e justificar a ação militar, enquanto ambos os lados reportam combates e perdas, refletindo uma deterioração das relações que já vinha em curso nos últimos meses. Essa escalada aumenta os riscos de instabilidade regional em uma área sensível, mesmo diante de esforços diplomáticos recentes que não conseguiram estender um cessar-fogo anterior.

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· 05:01 — Desistiu

A disputa pela Warner Bros. Discovery teve um desfecho rápido e surpreendente: apesar de um acordo prévio com a Netflix, o conselho considerou superior a oferta hostil da Paramount Skydance, de US$ 31 por ação (avaliando a companhia em cerca de US$ 111 bilhões), frente aos US$ 27,75 por ação e aproximadamente US$ 83 bilhões oferecidos pela Netflix. Diante da possibilidade de elevar o preço, a Netflix optou por não entrar em uma guerra de ofertas, classificando a transação como uma oportunidade interessante “ao preço certo”, mas não estratégica a qualquer custo — e ainda deverá receber uma taxa de rescisão de US$ 2,8 bilhões. As ações reagiram positivamente, com alta de 10% no after market.

Embora o negócio ainda dependa de aprovação regulatória, o episódio reforça…

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.