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Investimentos

Ibovespa hoje: Copom inicia com expectativas para Selic revisadas em meio a conflito no Irã; veja o que é destaque nesta terça (17)

Nesta terça-feira (17), as reuniões do Copom no Brasil e do Federal Reserve nos EUA começam a deliberar sobre a política monetária dos países. Confira as manchetes do dia.

Por Matheus Spiess

17 mar 2026, 10:00

ibovespa bolsa mercado ações

Imagem: iStock/ Edson Souza

O breve otimismo em torno de uma possível reaproximação entre Estados Unidos e Irã se dissipou rapidamente após a negativa de Teerã, reacendendo as tensões no Oriente Médio e impulsionando novamente os preços do petróleo, que permanecem acima de US$ 100 por barril. Esse movimento é sustentado por um choque de oferta relevante e por ataques a infraestruturas energéticas na região. O cenário torna-se ainda mais delicado diante da cautela dos aliados em apoiar uma eventual reabertura do Estreito de Ormuz e de sinais adicionais de escalada, como interrupções logísticas e cancelamentos de voos. Nesse ambiente, o mercado oscila entre o receio de novas restrições na oferta de energia e a expectativa, ainda incerta, de algum avanço diplomático. Em paralelo, o Federal Reserve tende a manter os juros, enquanto os investidores já postergam o início do ciclo de cortes para o fim de 2026 (ou além).

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· 00:57 — Brasil numa boa posição?

Por aqui, o mercado acompanhou a recuperação observada no exterior, após a correção das últimas semanas, ainda que essa melhora recente esteja mais associada a um ajuste técnico do que a uma mudança estrutural de cenário. A leitura de um possível arrefecimento do conflito no curto prazo passou a ganhar espaço, embora essa hipótese esteja longe de ser trivial diante do ambiente global mais incerto. Nesse contexto, os economistas rapidamente ajustaram suas projeções ao que o mercado já vinha sinalizando há alguns dias: o cenário de corte de 25 pontos-base na próxima decisão do Copom passou a ser o mais provável, em linha com a leitura que tenho passado. A combinação de dados de atividade mais fortes do que o esperado, inflação acima das projeções, tanto em termos quantitativos quanto qualitativos, e o petróleo sustentado acima de US$ 100 por período ainda indefinido exige uma postura mais cautelosa por parte do Banco Central. A direção do ciclo segue sendo de afrouxamento, mas a trajetória tende a ser menos intensa e mais dependente da evolução do conflito. Com uma agenda doméstica mais esvaziada, o foco se volta para a decisão e, principalmente, para o tom do comunicado, cuja reunião tem início hoje.

Ao mesmo tempo, vale destacar um ponto frequentemente negligenciado, mas bastante curioso: historicamente, a América Latina é a região de mercados emergentes que apresenta melhor desempenho em cenários de alta do petróleo. Dentro desse contexto, o Brasil costuma se destacar durante períodos de rali da commodity e choques de oferta, o que nos coloca em uma posição de vantagem relativa. Quando combinamos esse fator com um conjunto ainda favorável de condições domésticas, como ativos descontados, posicionamento leve, perspectiva de cortes de juros à frente (ainda que mais moderados) e a possibilidade de um ciclo eleitoral com viés pró-mercado, o resultado é um pano de fundo que continua construtivo para os ativos brasileiros, mesmo em meio a um mundo mais desafiador.

· 01:44 — Leve recuperação

Os mercados americanos registraram recuperação apoiados na expectativa de que Donald Trump consiga articular apoio internacional para reabrir o Estreito de Ormuz e aliviar a pressão sobre os preços de energia, embora o pano de fundo ainda seja de cautela após quedas recentes; o petróleo segue como principal driver dos ativos, e, apesar de algum otimismo, como a visão de que o Irã não conseguiria sustentar o fechamento do estreito por muito tempo, investidores permanecem atentos ao histórico de recuperações curtas, enquanto o foco se volta para a decisão do Fed, que deve manter os juros, mas enfrenta incertezas relevantes sobre os efeitos do conflito, podendo impactar tanto crescimento quanto inflação, o que reforça a sensibilidade dos mercados à evolução do cenário geopolítico e energético.

· 02:32 — US$ 1 trilhão

Em seu evento anual realizado nesta semana, a Nvidia elevou significativamente suas ambições ao projetar até US$ 1 trilhão em vendas de chips de IA até 2027, impulsionada pela forte demanda e por novas gerações como Blackwell e Vera Rubin, além da expansão para soluções mais completas além das GPUs; o anúncio reforça a posição dominante da empresa na corrida global por inteligência artificial, sustentada por um modelo verticalmente integrado e tecnicamente flexível, com avanços também em inferência e novos segmentos, consolidando sua liderança enquanto o mercado ainda parece subestimar a magnitude desse ciclo de investimentos.

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· 03:26 — O medo da inflação

Após duas semanas de conflito no Golfo, o petróleo voltou a superar US$ 100, impulsionado por ataques a infraestruturas e restrições de oferta, enquanto os Estados Unidos tentam garantir a fluidez no Estreito de Ormuz e conter os impactos inflacionários; o choque eleva a incerteza global e coloca os bancos centrais (18 deles reunidos nesta semana) diante de um dilema relevante, já que pressiona a inflação, mas também desacelera a atividade, e, embora os mercados ainda mostrem relativa calma, com expectativas de longo prazo estáveis, já há revisão nas apostas de cortes de juros, tornando as decisões e comunicações desta semana ainda mais relevantes.

· 04:11 — Cenário alternativo

Nesse contexto, o mercado começa a flertar com um risco mais estrutural, ainda distante, mas cada vez menos impensável: e se os Estados Unidos saírem enfraquecidos desse episódio? Ray Dalio, fundador da Bridgewater Associates, chamou atenção para essa possibilidade ao comparar o momento atual à perda do Canal de Suez pelos britânicos na década de 1950, um evento que simbolizou a erosão definitiva de sua hegemonia global. A analogia pode parecer forte, mas serve como um alerta sobre como choques mal geridos podem acelerar mudanças de poder.

Nessa mesma linha, Balaji Srinivasan, ex-CTO da Coinbase, argumenta que uma eventual vitória do Irã poderia representar o fim simultâneo de diversos ciclos históricos que sustentam a ordem global contemporânea: a era unipolar dos Estados Unidos (1991–2026), consolidada após o fim da Guerra Fria; o sistema do petrodólar (1974–2026), que ancora a demanda global por dólares; a ordem internacional do pós-guerra (1945–2026); a própria coesão interna americana como potência (1776–2026); e, em um horizonte mais amplo, a predominância do Ocidente iniciada com as grandes navegações (1492–2026). O ponto central dessa leitura, entretanto, está no papel do petrodólar como engrenagem fundamental desse arranjo: ao sustentar a demanda estrutural pela moeda americana, ele viabiliza déficits recorrentes, expansão monetária e projeção de poder. Caso esse sistema seja abalado, os efeitos tendem a se propagar em cadeia, com um dólar mais fraco, maior dificuldade de financiamento, pressões inflacionárias e aumento da instabilidade interna. Nesse cenário, a combinação entre choque econômico e polarização política poderia acelerar uma transição mais ampla no equilíbrio de poder global, em linha com interpretações históricas que apontam para ciclos recorrentes de ascensão e declínio de potências.

· 05:03 — Argentina: o rali continua (e a tese também)

O desempenho recente da Argentina volta a ganhar destaque em um contexto global desafiador, sobretudo após a escalada do conflito no Oriente Médio. O país não apenas lidera a participação do setor de energia, com cerca de 24,5% do valor de mercado, como também se destacou como o único a registrar retorno positivo no período, com alta de 4,4%. Em um ambiente em que o choque do petróleo tende a penalizar a maior parte dos ativos globais, essa maior exposição ao setor de energia passa a atuar como um diferencial relevante, funcionando, na prática, como uma espécie de “hedge natural” dentro do universo de mercados emergentes.

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Esse vetor estrutural se soma a um segundo pilar igualmente relevante: o ciclo de reformas em curso sob o governo de Javier Milei. Desde o início, tenho defendido que a Argentina atravessa uma janela rara de transformação econômica, marcada por uma agenda mais pró-mercado, disciplina fiscal e esforços de reancoragem de expectativas, elementos que, combinados, têm potencial de destravar valor ao longo do tempo. O rali observado desde então não invalida essa leitura; ao contrário, sugere que parte do mercado começa a reconhecer esse novo regime, ainda que o processo esteja longe de plenamente consolidado. Em outras palavras, o movimento recente reflete a combinação de um choque externo favorável, via commodities, com uma mudança doméstica estrutural, reforçando a assimetria positiva do caso argentino.

Diante desse pano de fundo, sigo vendo espaço para exposição ao país tanto em uma perspectiva tática quanto estratégica estrutural dentro de portfólios globais, especialmente em um ambiente marcado por incerteza geopolítica e pressões inflacionárias. Nesse contexto, reitero a recomendação do Global X MSCI Argentina ETF (BDR: ARGT39), que oferece uma forma eficiente e diversificada de capturar, simultaneamente, o ciclo de reformas em curso e a exposição ao setor de energia, dois vetores que, combinados, continuam sustentando uma tese para a Argentina.

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.