O noticiário internacional está sendo amplamente dominado pelas expectativas em torno da sucessão de Jerome Powell na presidência do Federal Reserve, com indicações de que o governo Donald Trump estaria se preparando para anunciar Kevin Warsh como principal nome para o cargo.
No ambiente macroeconômico e corporativo, os dados da Europa reforçaram um quadro relativamente benigno, com inflação convergindo para níveis próximos às metas, enquanto nos Estados Unidos a atenção segue voltada para indicadores de preços ao produtor ainda elevados.
Nos mercados acionários, as bolsas asiáticas reagiram à recente fraqueza das empresas de tecnologia em Wall Street, ao passo que os índices europeus avançaram amparados por balanços corporativos sólidos.
Entre as big techs, Apple surpreendeu positivamente ao reportar forte demanda pelo iPhone, inclusive no mercado chinês, enquanto Microsoft sofreu uma correção mais intensa no pregão de ontem, refletindo preocupações dos investidores com o impacto dos elevados investimentos em inteligência artificial sobre suas margens.
Em conjunto, o cenário reforça um ambiente em que decisões de política monetária, tensões geopolíticas e resultados corporativos continuam sendo os principais vetores a moldar o humor dos mercados globais.
· 00:57 — Subiu no boato
No Brasil, o Ibovespa chegou a renovar a máxima intradiária ao longo do pregão de ontem, superando momentaneamente a marca dos 186 mil pontos, mas perdeu fôlego no período da tarde e encerrou em queda, acompanhando a deterioração do ambiente externo.
Pesaram sobre os mercados a leitura da reunião do Federal Reserve, o aumento das tensões geopolíticas e a reação aos resultados corporativos nos Estados Unidos. Nesse contexto, a bolsa local acabou devolvendo parte dos ganhos mesmo após a sinalização mais dovish do Copom, reproduzindo a dinâmica clássica do “sobe no boato e cai no fato”. A correção foi parcialmente amortecida pelo bom desempenho de Vale e Petrobras, que ajudaram a limitar perdas mais expressivas do índice.
Do lado dos dados domésticos, o resultado mais fraco do Caged, com fechamento de 618 mil vagas — pior que a expectativa de cerca de 450 mil — reforça a probabilidade de um corte mais intenso da Selic, possivelmente de 50 pontos-base já em março, o que tende a ser positivo tanto para a atividade econômica quanto para os ativos de risco.
Ainda hoje, teremos novos indicadores do mercado de trabalho e dados fiscais relevantes. Vale destacar que, mesmo com um espaço estimado de cerca de 300 pontos-base para cortes ao longo do ano — o que poderia levar a Selic para algo próximo de 12% até o fim de 2026 —, o juro real brasileiro permaneceria em patamar bastante elevado, mantendo o país atrativo para investidores estrangeiros interessados no diferencial de juros, o chamado carry trade.
Para que esse ciclo de afrouxamento possa se estender de forma mais consistente, no entanto, será necessário um compromisso fiscal mais claro, algo que dificilmente se materializa antes de 2027, após o processo eleitoral.
Não por acaso, os números fiscais seguem no centro do debate: o governo encerrou 2025 com déficit primário de 0,5% do PIB e, apesar do crescimento de 3,2% da arrecadação e da existência de uma regra para limitar despesas, a trajetória fiscal só se deteriorou.
A ausência de mecanismos mais efetivos de controle de gastos pressiona os juros estruturalmente, amplia o déficit nominal e piora o endividamento público — um desafio que, mais cedo ou mais tarde, precisará ser enfrentado, independentemente do desfecho das eleições.
- VEJA MAIS: O objetivo desse robô é colocar R$ 1 milhão na sua conta; veja mais sobre método para buscar a meta
· 01:49 — O novo nome do Fed
As apostas do mercado passaram a convergir de forma mais clara para Kevin Warsh como provável próximo presidente do Federal Reserve — uma possibilidade que já vínhamos destacando há algum tempo neste espaço — após sinais vindos de Donald Trump e a rápida elevação das probabilidades atribuídas a seu nome nas plataformas de previsão.
Ex-governador do Fed e historicamente associado a uma postura mais restritiva, Warsh hoje parece atribuir à inteligência artificial um papel potencialmente desinflacionário, o que, em tese, poderia abrir espaço para uma condução um pouco mais flexível da política monetária.
Ainda assim, qualquer mudança efetiva dependerá da sua capacidade de construir consenso dentro do próprio comitê e de convencer um mercado de títulos especialmente sensível a indícios de interferência política. Mesmo que venha a ser percebido como relativamente mais dovish em comparação à atual gestão de Jerome Powell, apesar do histórico hawk, isso não seria um problema — desde que inserido no arcabouço técnico e institucional do banco central.
O ponto central segue sendo a preservação da independência do Fed, e é justamente aí que parte do mercado parece enxergar Warsh como uma possível figura de transição, capaz de reduzir ruídos políticos sem comprometer a credibilidade da instituição.
· 02:38 — Evitando um shutdown
As ações do Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) quase empurraram Washington para um shutdown, mas um acordo de última hora postergou o confronto ao assegurar financiamento provisório do Departamento de Segurança Interna por duas semanas, abrindo espaço para que as negociações continuem — com democratas pressionando por limites e salvaguardas nas operações federais.
Em paralelo, a intensificação da política migratória do governo Trump, com deportações mais do que quadruplicando e a intenção de remover cerca de 300 mil pessoas ao longo do ano, começa a ganhar contornos econômicos mais claros: queda da imigração líquida, piora no balanço entre oferta de mão de obra e demanda, arrefecimento do consumo e estimativas de impacto negativo relevante sobre os gastos em 2025–26, o que amplia a incerteza fiscal e mantém elevado o risco de um novo impasse no Congresso já na próxima rodada de votação orçamentária.
· 03:25 — Diversificando estratégias
Keir Starmer realizou nesta semana a primeira visita de um primeiro-ministro britânico à China em oito anos, em um esforço de reaproximação pragmática que busca ampliar o diálogo com Pequim sem comprometer a relação estratégica com os EUA.
O presidente Xi Jinping sinalizou abertura ao aprofundamento dos laços, enquanto Keir Starmer defendeu uma relação “mais sofisticada”, que reconhece divergências políticas, mas ressalta a relevância econômica e geopolítica do engajamento. A viagem ocorre em um contexto sensível, após a visita do premiê canadense à China ter provocado reações do presidente Trump, e ilustra um movimento mais amplo de reorganização do comércio e da diplomacia, no qual países e blocos — como União Europeia, Reino Unido, Mercosul, Canadá e Índia — buscam diversificar parcerias e reduzir dependências excessivas em um mundo mais fragmentado e competitivo.
- VEJA TAMBÉM: Analistas da Empiricus Research identificaram as 10 melhores ações internacionais para investir agora. Confira a seleção completa neste relatório.
· 04:13 — Dificuldade em engrenar
Desde que Prabowo Subianto assumiu a presidência da Indonésia, em 2024, com a promessa de acelerar o crescimento, a percepção dos investidores se deteriorou de forma significativa: o mercado acionário enfrenta a pior queda desde 1998, a moeda se aproxima de mínimas históricas e o capital estrangeiro vem deixando o país, pressionado por temores fiscais e por alertas da MSCI sobre baixa liquidez e falhas de transparência, que chegaram a levantar o risco de rebaixamento do rating de crédito.
Embora parte dos problemas seja estrutural ou herdada, decisões recentes do governo — como a demissão de um ministro da Fazenda bem avaliado, o confisco de ativos de grandes empresários e sinais de interferência política em instituições-chave, incluindo o banco central — ampliaram a incerteza, levando os investidores a aguardar sinais claros de compromisso com previsibilidade, credibilidade e estabilidade econômica.
· 05:01 — O valor da tecnologia no setor de defesa
Apesar dos gastos militares globais em níveis recordes, a defesa ainda segue relativamente pouco digitalizada, mas conflitos recentes — como na Ucrânia e no Oriente Médio — evidenciaram o valor estratégico da tecnologia, sobretudo em decisões em tempo real, uso de dados, IA e sistemas autônomos. Esse aprendizado está acelerando uma mudança estrutural nos orçamentos: nos EUA, por exemplo, o Pentágono propôs US$ 179 bilhões para P&D em 2026, um salto de 27% em um ano, sinalizando a priorização de software, cibersegurança, drones e comunicações avançadas como novos pilares da dissuasão militar. Essa virada marca o início de uma nova era da tecnologia de defesa, na qual arsenais tradicionais passam a ser complementados por superioridade digital e inteligência baseada em dados. A tendência deve sustentar níveis elevados de investimento por muitos anos, impulsionando inovação em hardware, software e infraestrutura crítica e criando um vetor de crescimento estrutural de longo prazo, relevante tanto para a segurança global quanto para investidores atentos à convergência entre tecnologia e defesa.
Para o investidor, a mensagem é direta. Em um ambiente…