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As tensões no Oriente Médio continuam se intensificando. Donald Trump voltou a elevar o tom contra o Irã, reiterando que a contenção do programa nuclear de Teerã é uma prioridade estratégica, mesmo que isso implique custos econômicos decorrentes da alta do petróleo. Do lado iraniano, o novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, prometeu retaliar Estados Unidos e Israel, afirmou que o Estreito de Ormuz permanecerá efetivamente fechado e sinalizou que o país pode abrir novas frentes caso os ataques continuem.
Em paralelo, Israel intensificou bombardeios contra posições associadas ao Hezbollah em Beirute, enquanto relatos indicam que a Rússia estaria apoiando Teerã com imagens de satélite e conhecimento tático no uso de drones, ampliando a complexidade geopolítica do conflito. O impacto humanitário também cresce: milhões de pessoas já foram deslocadas na região, enquanto permanece elevada a incerteza sobre a duração e a intensidade da guerra.
Nos mercados, o reflexo mais imediato segue sendo observado no setor de energia. O petróleo permanece acima de US$ 100 por barril, mesmo após os Estados Unidos adotarem medidas emergenciais para aliviar a pressão sobre os preços, incluindo a flexibilização temporária de sanções ao petróleo russo.
Assim, o ambiente global passou a operar em modo de maior aversão ao risco, com quedas nos futuros das bolsas americanas, recuo nos principais índices europeus e asiáticos e uma busca maior por alternativas para proteger as carteiras. Caso o bloqueio do Estreito de Ormuz se prolongue, os preços da commodity podem voltar a testar níveis próximos aos picos históricos observados em crises energéticas anteriores, o que seria péssimo. Ao mesmo tempo, os mercados estão tão sensibilizados que pequenas notícias positivas poderiam servir de suporte para alguma recuperação, ao menos no curto prazo.
· 00:52 — Clima ruim
No Brasil, vimos o Ibovespa voltar a perder o patamar dos 180 mil pontos ontem, em um ambiente marcado pela combinação de turbulência geopolítica, inflação acima do esperado e preocupações crescentes com o endividamento corporativo, evidenciadas pela temporada recente de resultados. O dado de inflação mais forte do que o previsto levou os investidores a reforçarem a aposta em apenas 25 pontos-base de corte na reunião do Copom da próxima semana. A partir daqui, naturalmente, o foco do mercado se volta não apenas para a decisão em si, mas também para o tom do comunicado e para a trajetória posterior dos juros, já que o Banco Central parece ter sua margem de manobra mais limitada neste momento. Afinal, a atividade econômica segue mais resiliente do que o esperado, como mostraram as vendas no varejo divulgadas nesta semana, e a inflação continua pressionada. Nesse contexto, os dados de serviços ganham importância adicional: caso venham mais fortes, tendem a consolidar a leitura de um início de ciclo mais cauteloso, com corte de apenas 25 pontos.
Embora o Brasil possa se beneficiar, em alguma medida, de um petróleo mais alto por meio da melhora da balança comercial, o efeito inflacionário desse movimento é especialmente preocupante — ainda mais para o governo, em ano eleitoral. Como resposta, Brasília optou por mais um ajuste de curto prazo: o governo decidiu zerar PIS/Cofins sobre o diesel e criar uma subvenção de R$ 0,32 por litro nas refinarias, com o objetivo de reduzir em até R$ 0,64 o preço nas bombas. O custo total da medida pode chegar a R$ 30 bilhões, enquanto a compensação prevista, por meio da elevação para 12% da alíquota sobre a exportação de petróleo, deve gerar cerca de R$ 15 bilhões, ou seja, um valor claramente insuficiente para neutralizar o impacto fiscal. Na prática, isso significa mais pressão sobre o déficit e, consequentemente, mais pressão sobre a curva de juros. Vale lembrar que o nível ainda tão elevado das taxas no Brasil não decorre apenas da inflação corrente, mas também da ausência de uma âncora fiscal crível, que continua sendo um dos principais fatores por trás do prêmio exigido pelo mercado.
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· 01:49 — Sem ter muito o que fazer
As bolsas americanas registraram mais um dia de fortes perdas, pressionadas pela escalada da guerra com o Irã e pelo avanço dos preços do petróleo. A tentativa americana de aliviar a crise com a liberação de 172 milhões de barris da reserva estratégica foi vista pelo mercado como tardia e insuficiente, já que ainda não há solução clara para o bloqueio da rota energética. Além do impacto direto no preço da energia, o avanço do petróleo aumenta os riscos inflacionários e reduz a probabilidade de cortes de juros pelo Fed, pressionando ainda mais os mercados. Nesse contexto, investidores também acompanham a agenda econômica, com destaque para o PCE de janeiro, indicador preferido de inflação do Fed, que deve mostrar alta anual de 2,9%, além da revisão do PIB do quarto trimestre, possivelmente de 1,4% para 1,8%, e outros dados de atividade e confiança. Embora o consumo ainda se mantenha resiliente, sustentado pela queda na taxa de poupança das famílias, o aumento dos combustíveis pode afetar expectativas de inflação e crescimento nos próximos meses.
· 02:38 — Discurso duro
O presidente Donald Trump adotou uma retórica mais agressiva, prometendo continuar a ofensiva contra o regime iraniano, enquanto o novo líder supremo do país, Mojtaba Khamenei, afirmou que o Irã manterá o Estreito de Ormuz efetivamente fechado e poderá abrir novas frentes de combate caso os ataques continuem.
O custo humano e econômico do conflito também cresce rapidamente. Mais de 2.500 pessoas já morreram na região, enquanto os primeiros dias da ofensiva custaram mais de US$ 11 bilhões aos Estados Unidos, além do consumo acelerado de estoques de munição. Ao mesmo tempo, países produtores como Arábia Saudita, Iraque, Kuwait e Emirados Árabes foram forçados a reduzir a produção, ampliando o choque energético global. Ainda não há um plano claro para encerrar a guerra, o que aumenta a incerteza e o risco de novas escaladas com impacto direto sobre os mercados de energia.
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· 03:25 — A busca por alternativas continua
A forte disparada do petróleo, que já acumula alta de cerca de 40% desde o início de março e 70% no ano, superando US$ 100 por barril, o maior nível em quase quatro anos, levou os Estados Unidos a adotar medidas emergenciais para aliviar o mercado de energia. Washington flexibilizou temporariamente sanções contra o petróleo russo, permitindo por um mês a compra de cargas atualmente retidas no mar, além de liberar 172 milhões de barris das reservas estratégicas como parte de uma ação coordenada da Agência Internacional de Energia para injetar 400 milhões de barris no mercado. A atual interrupção de oferta já é a maior da história do mercado global de petróleo. Paralelamente, o governo americano também considera suspender temporariamente a Lei Jones, que restringe o transporte doméstico de cargas a navios construídos e operados nos EUA, para facilitar o transporte interno de petróleo e aliviar os preços.
A crise energética provocada pela guerra no Oriente Médio também começa a forçar medidas emergenciais em outras regiões do mundo. Países do Sudeste Asiático, muito dependente de Ormuz, buscam reduzir o consumo de energia diante da alta dos combustíveis: a Tailândia determinou trabalho remoto para grande parte dos servidores públicos, a Malásia avalia medida semelhante e as Filipinas adotaram jornada de quatro dias semanais para funcionários do governo. Essas iniciativas refletem o impacto global do choque, que pressiona preços de combustíveis, petróleo e fertilizantes, criando um ambiente de incerteza enquanto o mercado tenta avaliar a duração do conflito e suas consequências para o equilíbrio entre oferta e demanda.
· 04:17 — O choque de oferta e o benefício russo
O Irã sinalizou que pretende continuar tentando bloquear o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, utilizando essa região como um alvo de alto impacto geopolítico, aumentando o custo do conflito para o Ocidente. Ataques recentes a petroleiros já levaram o Iraque a suspender parte de suas exportações e empurraram o preço do petróleo novamente para cima de US$ 100 por barril de ontem para hoje, aumentando a volatilidade nos mercados globais.
Ao mesmo tempo, a crise energética gerada pelo conflito abre espaço para movimentos geopolíticos mais amplos. A alta do petróleo tende a beneficiar países exportadores como a Rússia, aumentando sua capacidade de financiar a guerra na Ucrânia e ampliando sua influência diplomática. Nesse contexto, Moscou busca explorar a turbulência nos mercados de energia para fortalecer sua posição estratégica, testar a coesão europeia e potencialmente negociar condições mais favoráveis tanto na guerra quanto em suas relações com o Ocidente (já conseguiu algo dos americanos, inclusive, como comentei anteriormente).
· 05:03 — Se expondo à alta dos preços de energia
Como temos discutido, a escalada do conflito envolvendo o Irã provocou uma forte valorização do petróleo, movimento que já começa a ser sentido pelos consumidores nas bombas e que, gradualmente, passa também a se refletir com mais clareza nas ações do setor de energia. Em um primeiro momento, as empresas petrolíferas ficaram relativamente para trás. Parte do mercado acreditava que o choque de preços poderia ser apenas temporário, enquanto algumas companhias ainda enfrentavam riscos operacionais associados à instabilidade geopolítica. Mais recentemente, contudo, esse quadro começou a mudar. As ações do setor passaram a registrar ganhos mais expressivos, refletindo uma mudança gradual de percepção entre os investidores. O mercado começa a considerar a possibilidade de um conflito mais prolongado, leitura reforçada pela valorização dos contratos futuros de petróleo de prazos mais longos, sinal de que as disrupções no transporte marítimo e na infraestrutura energética podem persistir por mais tempo do que inicialmente se imaginava.
Nesse contexto, cresce a avaliação de que o mundo pode estar diante de um choque energético de proporções históricas. O eventual fechamento permanente do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto de todo o petróleo transportado globalmente, tem sido apontado por analistas como potencialmente o maior choque de oferta já observado no mercado de energia. Ian Bremmer, da Eurasia Group, estima uma interrupção de 15 milhões de barris por dia, ressaltando que mesmo as maiores liberações coordenadas de reservas estratégicas dificilmente seriam capazes de compensar um déficit dessa magnitude. A própria Agência Internacional de Energia anunciou recentemente a maior liberação emergencial de petróleo de sua história. Ainda assim, o fato de o preço da commodity ter subido mesmo após o anúncio sugere que o mercado considera a resposta insuficiente para equilibrar oferta e demanda no curto prazo. Jeff Currie, ex-chefe global de commodities do Goldman Sachs, reforça essa leitura ao estimar uma disrupção potencial de até 18 milhões de barris por dia, volume muito superior aos grandes choques históricos, como o embargo árabe de 1973 ou a interrupção de oferta da Guerra do Golfo. Em outras palavras, estamos diante de um choque de oferta sem precedentes no mercado global.
Diante desse cenário, manter alguma exposição estrutural a commodities tende a fazer cada vez mais sentido dentro das carteiras de investimento. Mesmo que o conflito atual eventualmente se estabilize, vivemos um período marcado por sucessivos episódios de tensão geopolítica, reorganização das cadeias globais de suprimento e disputas estratégicas entre grandes potências. Como lembrou recentemente Rodolfo Amstalden em relatório, trata-se de um mundo mais fragmentado, no qual choques de oferta se tornam mais frequentes. Nesse contexto, o investidor se beneficia ao manter parte do portfólio exposta a ativos que historicamente se valorizam em momentos de escassez de recursos naturais.
Uma forma simples e eficiente de acessar essa tese é por meio do ETF de Commodities do BTG Pactual (CMDB11). O fundo oferece exposição direta às principais empresas brasileiras ligadas ao setor de commodities, incluindo companhias de petróleo, mineração e agronegócio. Na prática, o investidor passa a acessar, em um único ativo listado em bolsa, uma carteira diversificada de empresas exportadoras e geradoras de caixa, muitas vezes favorecidas tanto pela alta das matérias-primas quanto por um câmbio mais depreciado. Cerca de 40% da composição do ETF está ligada ao setor de óleo e gás, o que faz com que o produto seja particularmente beneficiado em momentos de valorização da energia. Além disso, o CMDB11 apresenta uma estrutura eficiente: possui taxa de gestão baixa (0,50% ao ano), não sofre incidência de come-cotas nem de IOF e conta com liquidez diária em bolsa, facilitando o acesso e a gestão da posição pelo investidor. Em síntese, trata-se de uma forma prática de capturar o potencial de valorização do ciclo de commodities no Brasil, combinando diversificação setorial com a conveniência de um ETF.