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Investimentos

Ibovespa hoje: IBC-Br, ata do Fed e piora de avaliação de Lula reverberam no mercado; o que é destaque nesta quinta (19)?

No plano global, os mercados seguem operando em ambiente de volatilidade elevada; veja destaques.

Por Matheus Spiess

19 fev 2026, 10:12

Atualizado em 19 fev 2026, 10:12

ibc-br

A ata da última reunião do Federal Reserve expôs um grau incomum de divergência entre os dirigentes, com posições que vão desde a defesa de cortes de juros até a manutenção de uma pausa prolongada — e, em casos mais extremos, a preservação da possibilidade de novas altas. Ainda assim, houve consenso em torno da avaliação de que o mercado de trabalho permanece robusto e de que um afrouxamento monetário no curto prazo é improvável. Esse tom mais cauteloso, combinado à percepção de que a inflação segue resistente, contribuiu para fortalecer o dólar e moderar o apetite por risco, mesmo em um contexto no qual dados de atividade sustentaram ganhos recentes nas ações de tecnologia, sobretudo na Ásia.

No plano global, os mercados seguem operando em ambiente de volatilidade elevada, refletindo a sobreposição de riscos geopolíticos e corporativos. As tensões entre Estados Unidos e Irã voltaram a pressionar os preços do petróleo, enquanto as negociações entre Ucrânia e Rússia continuam sem avanços concretos. Ao mesmo tempo, investidores acompanham tanto a possível megacaptação da OpenAI quanto as decisões de política monetária no Japão, agora tendo que liderar com a liderança fortalecida de Sanae Takaichi. Após a recente alta impulsionada pelo setor de tecnologia, as bolsas americanas passaram por uma correção enquanto aguardam a divulgação de balanços relevantes, reforçando um cenário de cautela seletiva.

· 00:54 — PIB cansado, capital estrangeiro animado e política em ebulição

No Brasil, o mercado começa o dia digerindo a divulgação do IBC-Br de dezembro, conhecida como uma prévia do PIB. O indicador recuou 0,2% no mês, resultado levemente melhor do que a expectativa de queda de 0,4%, mas ainda coerente com os efeitos acumulados de uma política monetária bastante restritiva, com a Selic mantida em 15% por um período prolongado. Mais cedo ou mais tarde, esse aperto produziria impactos sobre a atividade. A leitura negativa reflete retrações já observadas na indústria, nos serviços e no varejo, reforçando a percepção de um crescimento próximo de zero no PIB do quarto trimestre. Ainda assim, o carregamento estatístico faz com que o resultado fechado de 2025 deva seguir relativamente robusto, em torno de 2,4%, com o dado oficial a ser divulgado pelo IBGE no início de março.

Na volta do Carnaval, em um pregão mais curto, o Ibovespa passou por uma correção, movimento amplificado pela queda de Vale, em um dia marcado pela ausência do mercado chinês, fechado por conta do feriado do Ano Novo Lunar. Apesar disso, o fluxo estrangeiro segue firme: a entrada líquida de capital externo já soma quase R$ 35 bilhões no ano. Um sinal adicional desse apetite veio do Family Office Duquesne, do bilionário Stanley Druckenmiller — sucessor de George Soros na Soros Fund Management —, que adquiriu cerca de 3,5 milhões de ações e opções de compra do ETF iShares MSCI Brazil (EWZ), avaliado em US$ 9,1 bilhões, antes da forte alta de 17% registrada em janeiro, o melhor desempenho mensal desde 2020. A leitura é de que essa tendência de alocação em ativos brasileiros pode se aprofundar ao longo do ano, ainda que convivendo com a incerteza política típica de um período eleitoral.

Nesse contexto, a deterioração da avaliação do governo Lula tende a ganhar peso crescente no debate político e econômico. O índice de Ruim/Péssimo no chamado “Lulômetro”, do site O Antagonista, alcançou 45% nesta quarta-feira. A esse quadro soma-se o desgaste adicional provocado pelo episódio envolvendo o enredo de Carnaval na Sapucaí, que tende a aprofundar a perda de popularidade do presidente — episódio que, nos bastidores, o próprio governo reconhece como um “tiro no pé”. Além do impacto político imediato, o caso ainda carrega o potencial de gerar ruído jurídico, caso evolua para questionamentos mais formais sobre inelegibilidade.

Em Brasília, seguem repercutindo questões institucionais relevantes. A liquidação extrajudicial do Banco Pleno pelo Banco Central praticamente encerrou o conglomerado ligado a Daniel Vorcaro: desde novembro de 2025, sete instituições do grupo tiveram suas atividades encerradas, restando apenas o Banco Master Múltiplo, que ainda opera sob Regime Especial de Administração Temporária. A quebra do Master deve representar o maior impacto já registrado sobre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), com custo estimado em torno de R$ 60 bilhões. O caso segue se desdobrando no Congresso, com Daniel Vorcaro convocado para depor tanto na CPMI do INSS quanto na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, enquanto o mercado acompanha de perto o destino das carteiras de ativos vendidas a outras instituições, um tema que ainda pode gerar ruído político-institucional relevante.

Por fim, o presidente Lula sancionou o reajuste salarial para carreiras do Legislativo, mas vetou os chamados “penduricalhos”, que permitiriam pagamentos extras acima do teto constitucional. Resta saber se o governo conseguirá sustentar esses vetos no Congresso ou se enfrentará nova derrota política nessa frente, o que adicionaria mais um elemento de incerteza ao já complexo cenário fiscal e institucional.

· 01:45 — O corte de juros pode demorar

Nos Estados Unidos, a ata da última reunião do Federal Reserve reforçou a percepção de que eventuais cortes de juros ainda devem demorar a se materializar, apesar de parte dos dirigentes reconhecer a possibilidade de flexibilização caso o processo de desinflação avance de forma mais clara e consistente. O comitê permanece dividido: enquanto alguns membros se mostram dispostos a iniciar cortes à medida que a inflação continue arrefecendo, outros preferem manter uma postura restritiva até que haja sinais mais robustos de que a inflação retornou de maneira sustentável à trajetória compatível com a meta de 2%. Nesse sentido, a ata apresentou um tom mais firme do que o comunicado divulgado após a reunião, sugerindo que a preocupação com a persistência inflacionária voltou a ganhar relevância dentro do Fed.

Ainda assim, os mercados acionários reagiram de forma construtiva a dados pontuais de atividade econômica que vieram acima das expectativas, com altas nos principais índices americanos, apoiadas por números mais fortes de produção industrial e de construção residencial. O pano de fundo, no entanto, segue sendo de cautela. O Federal Reserve continua fortemente dependente dos dados, confiante nos modelos que orientam sua tomada de decisão e pouco sensível, ao menos por ora, às críticas políticas de que estaria mantendo o aperto monetário por tempo excessivo. No curto prazo, o cenário combina um apetite por risco mais seletivo nos mercados com a leitura de que a política monetária deverá permanecer restritiva por mais algum tempo, até que a inflação ofereça sinais mais convincentes de convergência.

· 02:31 — O válido debate sobre vício digital

O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, prestou depoimento em um julgamento civil nos Estados Unidos que acusa a Meta e o YouTube de terem desenhado seus produtos de forma deliberada para estimular comportamento de dependência em crianças e adolescentes — com destaque para o Instagram (já debati este tema algumas vezes e a questão finalmente chegou na justiça). Ao ser questionado sobre metas internas voltadas a aumentar o tempo de permanência dos usuários, Zuckerberg afirmou que esse tipo de objetivo não faz mais parte da estratégia atual da companhia, embora e-mails e registros internos antigos apontem na direção oposta, incluindo referências associadas a Adam Mosseri, chefe do Instagram.

No centro do processo está a discussão sobre os efeitos das redes sociais na saúde mental de jovens, e o caso é tratado como emblemático por seu potencial de criar precedente e influenciar uma ampla onda de ações semelhantes contra as principais plataformas de tecnologia.

· 03:27 — Um mundo em transformação

Voltamos do fim de semana ainda repercutindo a ampla circulação do texto de Ray Dalio sobre a ruptura da ordem global, no qual o autor resgata ideias centrais de um dos capítulos de “Princípios para a ordem mundial em transformação”. Como temos discutido há algum tempo neste espaço, as mudanças em curso no sistema internacional vêm se acelerando de forma notável. Em contraste com essa leitura de ruptura — que também apareceu recentemente no discurso de Mark Carney em Davos, já comentado por aqui —, chamou atenção a recepção calorosa a Marco Rubio na Conferência de Segurança de Munique.

Em sua fala, Rubio afirmou que o mundo está mudando rapidamente diante de nossos olhos, que a antiga ordem já ficou para trás e que entramos em uma nova era geopolítica, o que exigirá de todos uma revisão profunda de como o sistema internacional se organiza e de qual será o papel de cada país nesse novo arranjo. O discurso reforçou a noção de que Estados Unidos e Europa fazem parte de uma mesma civilização ocidental, unida por história, fé cristã, cultura e sacrifícios compartilhados, defendendo que, apesar de eventuais divergências, o objetivo comum é preservar um Ocidente forte, com cooperação preferencial entre aliados — ainda que, se necessário, os EUA estejam dispostos a agir de forma independente. Vale conferir o discurso na íntegra.

· 04:13 — Risco de conflito direto com o Irã escala

As tensões entre os Estados Unidos e o Irã seguem se intensificando de maneira preocupante, em meio ao maior acúmulo de poder militar americano no Oriente Médio desde a invasão do Iraque, em 2003. Relatórios internacionais indicam que uma eventual operação militar conjunta com Israel poderia ser iniciada no curto prazo, caso as negociações nucleares não avancem de forma concreta. Embora o presidente Donald Trump ainda não tenha tomado uma decisão definitiva entre a via diplomática e a ação militar, o reposicionamento de forças navais e aéreas de grande porte na região eleva significativamente a percepção de risco.

O mercado já começa a precificar esse cenário: cresce a leitura de que um confronto direto — possivelmente mais amplo e duradouro do que episódios anteriores — está mais próximo do que se imaginava, movimento que vem pressionando o preço do petróleo para cima de US$ 70 por barril.

· 05:02 — Lembre-se do nosso tradicional Kit Geopolítico

A escalada das tensões no Oriente Médio, somada à ausência de uma solução para o conflito no Leste Europeu, volta a se refletir sobre os ativos de risco. O petróleo, por exemplo, avançou mais de 4% recentemente em meio aos ruídos entre Estados Unidos e Irã, sobretudo após declarações do vice-presidente JD Vance sobre os limites das negociações nucleares com Teerã e a reafirmação, por parte do presidente americano, da reserva do direito de uso da força. Exercícios militares iranianos no Estreito de Hormuz elevaram ainda mais o risco percebido de disrupção logística — vale lembrar que cerca de um terço de todo o petróleo transportado por via marítima no mundo passa por essa região. Em paralelo, o ouro e outros metais preciosos voltaram a subir, reforçando o movimento clássico de busca por proteção em momentos de maior incerteza. Diante desse cenário, faz sentido revisitar e atualizar o nosso já tradicional “Kit Geopolítico”, que venho recomendando há alguns anos e que se mostra especialmente relevante neste mundo mais fragmentado e volátil.

A recomendação segue centrada na…

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.