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Crypto Pulse

O Bitcoin está falhando como reserva de valor: US$ 62 mil é o fundo?

Veja os principais acontecimentos da semana no mercado de criptomoedas nesta edição do Crypto Pulse

Por Luis Kuniyoshi

15 fev 2026, 15:00

bitcoin criptomercado crash

Caro leitor,

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Você já parou para se perguntar por que, com a economia americana saudável e continuação do ciclo de corte de juros, o Bitcoin acumula queda de quase 50% desde sua máxima histórica?

O tema central desta edição é incômodo: o Bitcoin, como reserva de valor, falhou — pelo menos até agora. A narrativa brilha aos olhos, mas o comportamento do preço revela outra realidade. O que realmente move o Bitcoin hoje é algo que poucos querem admitir.

Nesta edição, vamos dissecar a movimentação gráfica da semana, nos aprofundar na dinâmica que segue punindo os ativos digitais e examinar se o pior já passou.

Falando de preço do Bitcoin

O cenário gráfico desta semana é uma extensão direta do que alertamos na edição passada. O Bitcoin confirmou quebra de suporte relevante e aprofundou a tendência de baixa, oscilando entre US$ 70 mil e US$ 62 mil. As médias móveis de diferentes janelas temporais se afastam progressivamente, reforçando a leitura de enfraquecimento.

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Na semana anterior, o ativo chegou a testar a faixa de US$ 60 mil em um movimento de forte aversão ao risco, sendo rejeitado logo em seguida. A expectativa no curtíssimo prazo é de consolidação (lateralização) do preço entre US$ 70 mil e US$ 62 mil, mas ainda sem sinais da volta de momentum positivo.

Expresso Macro: O Bitcoin falhou (como reserva de valor)

Existe uma crença amplamente difundida na comunidade cripto: o Bitcoin é o “ouro digital”, uma reserva de valor para tempos de incerteza. A narrativa chama atenção. Oferta limitada a 21 milhões de unidades. Sem CEO, sem conselho de administração, sem dependência de fluxo de caixa ou projeções de receita. Em teoria, o ativo perfeito para quem quer se proteger da desvalorização monetária.

Mas a prática contradiz a teoria.

Enquanto o ouro alcançou máximas próximas a US$ 5.600 por onça em janeiro — confirmando seu papel de proteção em momentos turbulentos, o Bitcoin derreteu pela metade. Quando Trump anuncia tarifas ou surge tensão geopolítica, o ouro sobe e o Bitcoin despenca. Comportamento idêntico ao de uma ação de tecnologia, não ao de um porto seguro.

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Isso fica ainda mais claro quando sobrepomos o preço do Bitcoin ao setor de software: a correlação entre eles atingiu 0,97 nos últimos 30 dias. Correlação mede o quanto dois ativos se movem juntos — varia de 0 (sem relação) a 1,0 (perfeita sincronia). Com 0,97, Bitcoin e software estão praticamente colados.

Repare no gráfico acima. No painel superior, a linha laranja é o Bitcoin e a azul é o IGV (software). Nos últimos meses, as trajetórias são idênticas. No painel inferior, a correlação permanece acima de 0,80 em todos os períodos. Quem está sendo punido é o setor de software, mas o Bitcoin paga a conta junto.

Isso acontece porque o mercado está reorganizando suas fichas dentro do trade de inteligência artificial. Investidores estão migrando capital de empresas de software para empresas de hardware — semicondutores, infraestrutura física, fabricantes de chips. A lógica é relativamente simples, independentemente de quem “ganhe” a corrida da IA, todos vão precisar de chips e servidores. Já o software? “Pode ser substituído por um agente de IA amanhã”.

O gráfico acima mostra esse movimento com clareza. O SMH (ETF de semicondutores, em amarelo) sobe enquanto o IGV (software, em azul) corrige com força. O Bitcoin? Colado no software. Não no hardware, não no ouro, não no S&P.

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Então quando alguém disser que “o Bitcoin é reserva de valor” e que “a oferta é limitada”, os argumentos até fazem sentido no longo prazo. Mas no curto e médio prazo, o preço não mente: o Bitcoin se comporta como uma ação de tecnologia de alto beta. E enquanto o mercado estiver punindo software, cripto vai sentir.

Mas então é o fim?

Esta edição não é um obituário. O ponto aqui é calibrar expectativas, não enterrá-las.

O cenário macroeconômico continua construtivo. A economia americana segue resiliente — o mercado de trabalho criou 130 mil vagas na última leitura, quase o dobro do esperado. Os spreads de crédito permanecem em níveis ciclicamente baixos, sinalizando que o mercado de crédito não enxerga recessão no radar. E a inflação? Segue ancorada as expectativas de longo prazo.

Este é um “bear market” singular. Nos ciclos anteriores, o Bitcoin caiu junto com a deterioração macro global. Desta vez, a retração ocorre apesar de condições financeiras relativamente acomodatícias. A pressão não é sistêmica, é uma rotação setorial específica dentro da bolsa americana, com efeitos colaterais sobre o mercado cripto. O que aumenta as probabilidades da queda não se estender por muito mais tempo.

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E vale ressaltar: isso não é necessariamente ruim. O mais importante num mercado como esse é gerenciar o risco. Com a estratégia correta, essas quedas viram oportunidades.

Gerenciando riscos e oportunidades de maneira automática

Por exemplo, nossa automação SOROS, do dia 29 de janeiro a 5 de fevereiro, conseguiu outperformar o BTC (principal benchmark) de forma expressiva. Enquanto o Bitcoin despencou -30%, nossa carteira reduziu a pressão para apenas -8% — ou seja, o SOROS entregou uma proteção 3,75x superior a simplesmente segurar o ativo, como muitos defendem.

Agora, a automação está esperando o momento de entrar novamente em risco, com preços descontados, abrindo espaço para mais upside.

Por enquanto, a palavra-chave é paciência. Se você quiser saber como gerenciar risco e se beneficiar até mesmo de quedas do mercado, continue acompanhando esta newsletter e quando for a hora de voltar a apostar em risco, você será o primeiro a saber.

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O que bombou na semana

Heloisa Mendonça, especialista em criptoativos aqui da Empiricus, deu início a uma série especial de contéudos para quem está começando a mergulhar nesse universo.

Acompanhe os primeiros episódios aqui:

Para ficar de olho – Ativo da Semana: Bitcoin (BTC)

Bitcoin (BTC) atua como o “alfa” do mercado cripto, ditando as principais tendências de alta e baixa do setor. Além disso, por ser o ativo mais conhecido, institucionalizado e amplamente aceito, o Bitcoin tende a ser um dos maiores beneficiados pelos avanços no eixo regulatório, tema central desta edição.

O ativo acumula um drawdown de 50% desde sua máxima histórica. Dado o cenário de consolidação de preço, enxergamos como uma oportunidade de compra pra compor portfólio. Além disso, o Bitcoin oferece exposição ao mercado cripto com menor risco relativo.

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QUERO INVESTIR EM CRIPTOATIVOS NO BTG PACTUAL

Analista de criptomoedas na Empiricus Research.