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Investimentos

Ibovespa hoje: Irã rejeita proposta de cessar-fogo dos EUA, prévia da inflação no Brasil e mais destaques desta quinta (26)

Mesmo diante da elevada aversão ao risco global, os ativos brasileiros seguem apresentado desempenho relativamente melhor do que outros emergentes

Por Matheus Spiess

26 mar 2026, 10:00

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A proposta de cessar-fogo apresentada pelos Estados Unidos ao Irã foi formalmente rejeitada por Teerã, que respondeu com um conjunto próprio de exigências, incluindo reparações, garantias contra novos ataques e maior controle sobre o Estreito de Ormuz, deixando clara a distância ainda relevante entre as posições das duas partes.

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Ainda assim, a Casa Branca mantém o discurso de que as negociações seguem em andamento, com esforços diplomáticos em curso, ainda que de forma indireta e com baixa transparência. Nesse ambiente, os mercados permanecem extremamente sensíveis ao fluxo de notícias, alternando entre momentos de alívio e cautela.

· 00:56 — Um mercado se destacando

No Brasil, o mercado concentra atenções na prévia da inflação de março, que capturou apenas as primeiras semanas do conflito no Oriente Médio e, portanto, ainda não reflete integralmente um eventual choque de preços, especialmente via energia.

Paralelamente, segue a leitura do Relatório de Política Monetária, que detalha a condução dos juros pelo Banco Central. Nesse contexto, ganha importância a fala de Gabriel Galípolo na coletiva que acompanha o relatório, que tende a manter um tom cauteloso, reforçando que o ritmo de cortes da Selic permanece condicionado à evolução do cenário externo, em especial ao comportamento do petróleo, e à dinâmica inflacionária doméstica.

Com as incertezas ainda elevadas e os efeitos da guerra apenas começando a aparecer nos dados, a barra para acelerar o ciclo de cortes segue alta, deixando a política monetária dependente dos próximos desdobramentos. Ainda assim, como indicado na ata mais recente, cortes adicionais permanecem possíveis, inclusive uma eventual aceleração, desde que haja uma normalização mais clara do ambiente global nas próximas semanas.

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No campo fiscal e político, o governo busca medidas para mitigar os impactos econômicos do choque externo, em um momento em que a popularidade já mostra sinais de desgaste. A divulgação do Relatório da Dívida Pública deve reforçar as limitações impostas por um orçamento mais apertado, evidenciando o reduzido espaço de manobra.

Ao mesmo tempo, o cenário eleitoral começa a ganhar contornos mais relevantes, com o avanço de candidaturas alternativas podendo reorganizar o espectro político e influenciar a disputa de 2026. Como disse ontem, Flávio Bolsonaro ganhou muita tração e já aparece na frente do Lula. Nesse contexto, uma eventual candidatura do PSD com um nome como Ronaldo Caiado pode contribuir para reposicionar Flávio Bolsonaro em direção a um perfil mais moderado, movimento que tende a ser decisivo na disputa pelos votos de centro. Ao ocupar um espaço mais à direita no espectro político, Caiado acabaria, de forma quase contraintuitiva, ampliando o campo para que Flávio adote uma postura mais equilibrada e palatável a esse eleitorado.

Nesse ambiente, chama atenção o fato de que, mesmo diante de elevada aversão ao risco global, os ativos brasileiros seguem apresentando desempenho relativamente melhor do que outros emergentes. Com valuations ainda descontados, espaço para cortes de juros e a possibilidade de um ciclo eleitoral mais favorável à frente, o Brasil continua atraindo capital estrangeiro e pode sustentar um cenário construtivo para os mercados, sobretudo à medida que as incertezas externas se dissipem.

· 01:41 — Outra referência

Apesar de o conflito no Oriente Médio seguir no centro das atenções, o mercado americano continua sendo o principal eixo de referência para os investidores, com o S&P 500 operando dentro de uma faixa relativamente estreita há meses.

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Esse comportamento reflete um equilíbrio delicado entre, de um lado, os riscos geopolíticos e, de outro, fundamentos domésticos que seguem relativamente resilientes. Ontem, os principais índices voltaram a subir, impulsionados pela queda inicial do petróleo e pela expectativa de algum avanço nas negociações com o Irã, embora parte desse movimento tenha perdido força ao longo do dia. O bom desempenho das small caps também reforça a leitura de que há um otimismo cauteloso no mercado, sustentado pela percepção de que os Estados Unidos continuam buscando uma saída negociada para o conflito, mesmo diante da rejeição formal inicial por parte de Teerã.

Do lado macroeconômico, a agenda americana permanece relativamente leve, mas ainda assim oferece sinais relevantes. Os pedidos de seguro-desemprego seguem estáveis, sugerindo um mercado de trabalho ainda sólido, sem sinais mais evidentes de deterioração no curto prazo. Esse pano de fundo ajuda a dar alguma sustentação aos ativos, mesmo em meio à volatilidade vinda do exterior. Ainda assim, o comportamento do petróleo e os desdobramentos envolvendo o Estreito de Ormuz continuam sendo as variáveis mais sensíveis para os mercados neste momento. Sem maior clareza sobre esses dois pontos, a tendência é que os ativos americanos continuem oscilando dentro de um intervalo relativamente limitado, reagindo mais ao fluxo de notícias do que a mudanças mais estruturais de cenário.

· 02:39 — Ainda sem solução

O conflito no Oriente Médio segue sem uma solução clara, com o Irã rejeitando a proposta de cessar-fogo dos Estados Unidos, como disse ser mais provável dado o tom agressivo das americanas, e apresentando suas próprias condições, como garantias contra novos ataques, reparações e maior controle sobre o Estreito de Ormuz, enquanto Washington mantém uma postura firme ao condicionar qualquer acordo ao desmonte do programa nuclear iraniano.

Provavelmente, estamos vendo aquela típica estratégia de negociação do Trump, em que ele pede tudo para chegar em um meio do caminho que seja minimamente razoável para ambas as partes. Apesar desse impasse, as negociações continuam ocorrendo de forma indireta, e os mercados têm oscilado entre momentos de alívio e cautela, refletindo a percepção de que um acordo ainda é possível, mas cercado de baixa visibilidade e incerteza.

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Ao mesmo tempo, o ambiente permanece particularmente delicado, já que nenhum dos lados demonstra disposição para concessões relevantes no curto prazo. Mais conversas podem ocorrer hoje. O Irã tem sinalizado preferência por outros interlocutores nas negociações, evitando nomes como Jared Kushner e Steve Witkoff, que são percebidos em Teerã como excessivamente alinhados a Israel e à Arábia Saudita.

Nesse contexto, figuras como JD Vance ou Marco Rubio tendem a ser vistas como alternativas potencialmente mais aceitáveis. Uma eventual escalada do conflito poderia gerar impactos significativos sobre a infraestrutura energética global, ampliando os riscos de uma crise de energia e de uma inflação mais persistente. Nesse contexto, os ativos seguem altamente dependentes do fluxo de notícias.

· 03:28 — Problemas mais estruturais

A guerra no Oriente Médio já começa a produzir efeitos mais concretos sobre a economia global. A redução das exportações sauditas para a Ásia, em meio às disrupções no Estreito de Ormuz, ajuda a encarecer custos, restringe a oferta de energia e amplia a percepção de que o choque deixou de ser apenas geopolítico para começar a contaminar a economia real.

Ainda assim, parte do mercado parece seguir subestimando a persistência desse movimento. Grandes gestores globais já alertam que os impactos sobre crescimento e inflação podem se estender mesmo que os combates cessem no curto prazo, com risco de petróleo em níveis significativamente mais altos e aumento da probabilidade de desaceleração mais forte, especialmente nos Estados Unidos (vide o novo artigo do Niall Ferguson na Free Press).

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Ao mesmo tempo, o alívio recente observado nos mercados, após sinais mais moderados vindos de Donald Trump, parece ter bases frágeis. Não houve, até aqui, qualquer mudança estrutural no conflito: os ataques continuam, as negociações seguem travadas e as condições exigidas por ambos os lados permanecem amplamente incompatíveis. Além disso, o risco de escalada militar continua presente, o que mantém o ambiente global em estado de elevada instabilidade.

· 04:17 — Foco em data centers

Os Estados Unidos atingiram um marco relevante ao passar a investir mais na construção de data centers do que em escritórios, um reflexo direto da crescente demanda por infraestrutura digital, impulsionada principalmente pela inteligência artificial e pela expansão das grandes empresas de tecnologia.

Esse movimento sinaliza uma mudança estrutural importante na alocação de capital da economia, com a infraestrutura tecnológica ganhando protagonismo frente aos modelos tradicionais de ocupação corporativa. Apesar de alguns gargalos do lado da oferta, como a demora na obtenção de licenças e restrições nas cadeias de suprimentos, a demanda permanece robusta, com grandes contratos sendo firmados e empresas de tecnologia buscando garantir capacidade de longo prazo.

Assim, os custos de construção também têm avançado, o que acaba beneficiando diretamente o setor no mercado de ações, que vem se destacando como um dos ganhadores desse novo ciclo de capex.

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· 05:02 — Pensando na inflação e na inevitabilidade de um ajuste fiscal

O quadro fiscal brasileiro entrou em uma trajetória claramente delicada, marcada por um crescimento das despesas em ritmo superior à capacidade de expansão da economia, o que mantém o desequilíbrio estrutural praticamente intacto e exige a manutenção de juros reais elevados para conter a inflação e atrair financiamento.

Ainda que tenha havido alguma melhora recente no resultado primário, ela foi impulsionada sobretudo pelo aumento de arrecadação, via impostos e receitas pontuais, e não por um controle efetivo dos gastos. Ao mesmo tempo, o déficit nominal elevado e a trajetória ascendente da dívida reforçam a percepção de risco, pressionando os juros de longo prazo e alimentando um ciclo difícil de interromper.

Nesse contexto, a conclusão é pouco controversa: algum grau de ajuste fiscal será necessário nos próximos anos, especialmente a partir de 2027, para restabelecer a sustentabilidade das contas públicas e abrir espaço para uma queda estrutural dos juros.

A experiência recente mostra que períodos de maior disciplina fiscal foram capazes de produzir, em um intervalo relativamente curto, inflação mais baixa, redução relevante das taxas de juros e valorização expressiva dos ativos. O desafio, agora, é que esse processo tende a ocorrer em um ambiente mais complexo, marcado por incertezas políticas e pelo avanço do calendário eleitoral, o que naturalmente eleva a volatilidade ao longo do caminho. E tem a chance de uma agenda minimamente mais reformista, fiscalista e pró-mercado ser eleita. Seja como for, mesmo se isso não ocorrer, existe uma certa inevitabilidade de algum ajuste fiscal.

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Diante desse pano de fundo, os títulos indexados à inflação passam a desempenhar um papel particularmente interessante nas carteiras. Em um cenário adverso, de ausência de ajuste, funcionam como proteção ao preservar o poder de compra diante de uma inflação mais elevada. Por outro lado, em um cenário construtivo, de avanço no ajuste fiscal, tendem a capturar ganhos relevantes com a queda dos juros reais, especialmente os papéis mais longos, que apresentam maior sensibilidade a esse movimento. Trata-se, portanto, de uma classe de ativos que combina proteção e potencial de valorização, ainda que acompanhada de volatilidade no curto prazo.

É justamente nesse contexto que se insere o AREA11. O ETF oferece uma forma eficiente de acessar títulos públicos indexados à inflação (NTN-Bs), combinando proteção inflacionária com geração de renda mensal, por meio da conversão dos cupons semestrais em pagamentos recorrentes. Sua carteira, concentrada em papéis de maior prazo e retorno, possui duration elevada, o que amplia o potencial de valorização em ciclos de fechamento da curva de juros reais, ainda que, por outro lado, implique maior sensibilidade a oscilações no curto prazo. Por isso, não se trata de um instrumento de caixa ou de perfil conservador, mas sim de uma alocação estratégica.

Com baixo custo, boa liquidez, estrutura robusta e eficiência tributária, o AREA11 se posiciona como uma alternativa interessante para o investidor que busca combinar geração de renda com ganho real no longo prazo. Ao mesmo tempo, permite expressar uma visão macroeconômica de forma direta e acessível, ao oferecer exposição a uma das variáveis mais relevantes da renda fixa brasileira: a trajetória dos juros reais.

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.