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Investimentos

Ibovespa hoje: petróleo e inflação voltam ao centro das atenções; veja quais são as ‘bússolas do mercado’ desta quarta (11)

Conflito no Oriente Médio, preços do petróleo, dados de inflação e varejo. Confira destaques do dia.

Por Matheus Spiess

11 mar 2026, 10:00

Atualizado em 11 mar 2026, 10:08

mercado ibovespa ações bolsa brasileira b3

Imagem: iStock.com/KanawatTH

O conflito no Oriente Médio continua sem um desfecho claro, e essa ausência de visibilidade tem alimentado episódios de forte volatilidade nos mercados globais. O preço do petróleo passou a oscilar de forma intensa, reagindo praticamente em tempo real a cada nova manchete sobre ataques militares, risco de bloqueio do Estreito de Ormuz e declarações muitas vezes contraditórias vindas de Washington sobre os objetivos e a duração da guerra. As preocupações aumentaram com relatos de que o Irã poderia instalar minas na região, enquanto autoridades americanas afirmam ter destruído embarcações que estariam envolvidas nessa operação e reiteram que responderão com força caso a principal rota energética do Golfo seja interrompida.  

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Esse ambiente de incerteza tornou os ativos de risco especialmente sensíveis, em um momento em que parte relevante do mercado vinha operando com níveis elevados de alavancagem, o que favorece movimentos rápidos de desalavancagem e amplia a intensidade das oscilações. Ao mesmo tempo, governos e instituições internacionais procuram conter o estresse no mercado de energia. A Agência Internacional de Energia (AIE) discute a possibilidade de realizar a maior liberação coordenada de reservas estratégicas de petróleo da história. Paralelamente, países como Japão e Alemanha já sinalizam medidas emergenciais para ajudar a estabilizar os preços da energia.  

Essas iniciativas contribuíram para limitar parte da alta recente do petróleo e trouxeram algum alívio temporário. Apesar disso, voltamos a ver uma alta do barril nesta manhã, revertendo parte das grandes perdas de ontem. Nesse contexto, os investidores também acompanham com atenção a divulgação dos dados de inflação nos Estados Unidos, já que uma eventual estabilização mais rápida do conflito poderia abrir espaço para um Federal Reserve menos restritivo ao longo de 2026. 

· 00:57 — Recuperação no meio do tiroteio 

No Brasil, a bolsa registrou o segundo pregão consecutivo de alta, com sinais de que o capital estrangeiro voltou a ingressar no mercado local diante da melhora relativa da percepção de risco global. A acomodação recente nos preços do petróleo também ajudou a aliviar parte da pressão observada nos últimos dias. Ao mesmo tempo, o presidente Donald Trump voltou a elevar o tom contra o Irã, ainda que continue afirmando que o conflito tende a ser breve, mesmo diante da escalada das tensões e da recusa iraniana em aceitar as condições impostas por Washington. Nesse contexto, chama atenção também o bom desempenho do real, que tem se mostrado mais forte do que outras moedas emergentes nos últimos dias. Isso faz sentido: preços mais elevados do petróleo tendem a favorecer a balança comercial brasileira, já que a commodity representa uma parcela relevante das exportações do país. 

Ainda assim, permanece no radar do mercado a discussão sobre o início do ciclo de cortes da Selic. Depois de dados recentes de inflação considerados desconfortáveis e agora com a elevação das incertezas externas, ganhou força a expectativa de que o Banco Central possa optar por um corte inicial mais moderado, de 25 pontos-base, na reunião da próxima semana. Há quem argumente que um movimento mais contido poderia prejudicar a credibilidade da autoridade monetária, por sinalizar falta de convicção. Respeitosamente, não me parece ser o caso. Uma eventual decisão de não cortar os juros poderia de fato gerar esse tipo de interpretação, já que representaria uma mudança relevante em relação à comunicação recente. No entanto, iniciar o ciclo de flexibilização de forma mais gradual foi uma possibilidade indicada pelo próprio Banco Central em sua última reunião. Assim, um corte de 25 pontos-base parece consistente com o cenário atual, especialmente se vier acompanhado de um discurso que destaque maior cautela diante do ambiente externo. Caso as condições melhorem adiante, nada impede que o ritmo de cortes volte a se intensificar. Em outras palavras, o ponto de partida do ciclo pode ter mudado, mas sua direção geral permanece a mesma, ainda que o percurso venha a ser um pouco mais gradual do que o esperado. 

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Nesse contexto, ganham importância os dados divulgados nesta semana. Hoje (11), por exemplo, saem os números de vendas no varejo, que devem refletir os efeitos do atual nível restritivo da política monetária. A mediana das projeções aponta para uma queda de 0,1% no varejo restrito em janeiro, após retração de 0,4% no mês anterior, enquanto o varejo ampliado, que inclui bens duráveis, como veículos e materiais de construção, deve apresentar alta de 0,4%. Números ligeiramente mais fracos hoje tenderiam a reforçar a tese de início do ciclo de cortes já na próxima reunião, embora o mercado também aguarde com atenção o dado de inflação (IPCA) que será divulgado amanhã (12). 

Por fim, o ambiente político doméstico também segue no radar dos investidores. Ainda estamos na fase de digestão das pesquisas eleitorais mais recentes. Nesta manhã foi divulgada a sondagem Meio & Ideia, que reforça um cenário de disputa competitiva em eventual segundo turno, em linha com o que temos observado nas últimas semanas. Mais tarde será divulgada também a pesquisa Genial/Quaest, que tende a trazer novos elementos para o debate político. Vale lembrar que o governo ainda não iniciou plenamente sua campanha eleitoral, nem intensificou os ataques à oposição, algo que tende a ganhar força a partir de abril. Mesmo assim, o presidente Lula tem encontrado dificuldades para recuperar popularidade. Choques de preços, como os que podem surgir em um cenário de petróleo mais caro, tendem a piorar esse quadro. Além disso, algumas iniciativas do próprio governo acabam contribuindo para esse desgaste. Um exemplo é o projeto de regulamentação dos trabalhadores da chamada “gig economy”, como motoristas e entregadores de aplicativos, que pode elevar os custos do serviço, reduzir a demanda e, no limite, gerar efeitos negativos também sobre a percepção pública do governo. 

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· 01:22 — A tão esperada inflação 

Nos Estados Unidos, ao final do pregão, os principais índices americanos terminaram próximos da estabilidade. O comportamento do petróleo também teve papel central no humor dos investidores. Depois de superar US$ 100 por barril no início da semana, o Brent fechou em US$ 87,80, registrando queda superior a 11% no dia, embora ainda acumule valorização relevante no ano. Com isso, a atenção do mercado começa a se deslocar novamente para a agenda macroeconômica, em especial para a divulgação do CPI (índice de preços ao consumidor) dos Estados Unidos, que deve apontar alta mensal de 0,3%. O dado será relevante para calibrar as expectativas sobre os próximos passos do Federal Reserve, especialmente em um ambiente em que os preços de energia voltaram a pressionar o debate inflacionário. Vale lembrar, porém, que se trata de um dado de fevereiro e que, portanto, não captura toda a volatilidade de março. 

· 02:34 — O sobe e desce 

Bastou a declaração de Donald Trump sugerindo que a guerra poderia terminar “muito em breve” para provocar oscilações de até US$ 40 no preço do barril ao longo do dia e reverter quedas relevantes nas bolsas internacionais, incluindo o S&P 500. O mercado não parece ter um pingo de convicção em sua avaliação do conflito. Ao mesmo tempo, o cenário militar permanece tenso, com novos ataques na região do Estreito de Ormuz e uma troca contínua de ameaças entre os dois lados. A situação é agravada por sinais contraditórios vindos de Washington sobre os objetivos da operação e a possível duração do conflito, o que acaba ampliando a incerteza entre os investidores. 

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Diante desse ambiente, governos e instituições internacionais passaram a discutir medidas para estabilizar os mercados de energia. A Agência Internacional de Energia avalia a possibilidade de liberar até 400 milhões de barris das reservas estratégicas, o que representaria uma das maiores intervenções coordenadas já realizadas no mercado de petróleo. A medida busca conter a disparada dos preços, depois de o barril ter se aproximado de US$ 120 antes de recuar novamente para a faixa de US$ 90. Ainda assim, é importante notar que a economia global hoje é relativamente menos dependente do petróleo do que no passado, como já comentei, o que tende a tornar o impacto sobre inflação e atividade relativamente menor do que no passado. 

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· 03:25 — Buscando alternativas 

A guerra no Oriente Médio e o fechamento efetivo do Estreito de Ormuz ampliaram as preocupações globais com segurança energética e estabilidade econômica. Países do Leste Europeu passaram a defender com mais urgência a expansão do sistema de oleodutos da OTAN, atualmente limitado até a Alemanha, como forma de fortalecer o abastecimento e reduzir vulnerabilidades logísticas da aliança. Ao mesmo tempo, o choque no fluxo de energia já começa a pressionar preços de alimentos e fertilizantes, o que pode afetar de maneira mais intensa países emergentes e altamente endividados. Nesse contexto, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a Europa cometeu um erro estratégico ao reduzir sua dependência de energia nuclear (concordo totalmente), e indicou que a União Europeia pretende acelerar o desenvolvimento de pequenos reatores nucleares modulares, vistos como uma alternativa relevante para reduzir a vulnerabilidade energética do bloco. 

· 04:11 — Tentando novamente 

O investidor bilionário Bill Ackman prepara um retorno ao mercado de IPOs por meio de uma oferta conjunta que envolve sua gestora, a Pershing Square Capital Management, e a criação de um novo fundo fechado chamado Pershing Square USA. É a segunda vez que ele tenta. 

A operação pode levantar entre US$ 5 bilhões e US$ 10 bilhões e prevê uma estrutura particular: investidores que adquirirem 100 ações do novo fundo, ao preço de US$ 50 cada, receberão também 20 ações da gestora sem custo adicional (tentando viabilizar o IPO, que acabou não saindo da última vez). Trata-se de mais um passo de Ackman em sua estratégia de ampliar a presença da Pershing Square no mercado público e expandir sua base de investidores. Acompanho o trabalho do gestor há algum tempo e, uma vez devidamente listado, o veículo pode se tornar uma alternativa interessante para investidores mais sofisticados que buscam exposição a estratégias de gestão ativa de alta convicção no estrangeiro

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· 05:09 — Sinais positivos 

Direcional Engenharia (DIRR3) divulgou resultados do 4T25 em linha com as expectativas do mercado, reforçando a sua trajetória de crescimento, sustentada pelo aumento consistente do volume de lançamentos e pela elevada eficiência operacional de seu modelo de negócios, concentrado nos segmentos econômico e de médio padrão. No trimestre, a empresa lançou R$ 1,9 bilhão em VGV, avanço de 4% na comparação anual, enquanto as vendas líquidas somaram R$ 1,5 bilhão. Embora esse número represente uma leve retração de 3,9% frente ao mesmo período de 2024, o acumulado de R$ 6,2 bilhões em vendas ao longo de 2025 marcou o maior volume anual já registrado pela companhia. A velocidade de vendas (VSO) ficou em 21% no trimestre, pressionada principalmente pelo volume mais elevado de lançamentos concentrados no final do período. Já a receita líquida atingiu R$ 1,2 bilhão, crescimento de 33% na comparação anual, chegando a aproximadamente R$ 1,5 bilhão quando consideradas também as receitas provenientes de SPEs não consolidadas. 

O principal destaque do trimestre foi a rentabilidade, com a companhia registrando margem bruta ajustada recorde de 42,8%, refletindo ganhos de eficiência operacional e a maturação de projetos lançados em ciclos anteriores. O EBITDA ajustado alcançou R$ 346 milhões, alta de 39% em relação ao ano anterior, enquanto o lucro líquido operacional somou R$ 211 milhões, avanço de 28%. Com isso, o ROE anualizado ajustado atingiu 44%, também um recorde para a empresa. Em termos de geração de caixa, a companhia reportou R$ 390 milhões de geração contábil no trimestre, impulsionada por eventos não recorrentes, como monetização de ativos e cessão de recebíveis. Ao final do período, a dívida líquida era de R$ 533 milhões, ou cerca de 23% do patrimônio líquido, o que ainda indica uma estrutura de capital equilibrada. 

De maneira geral, os resultados reforçam o momento operacional favorável da companhia, marcado por crescimento consistente de receita, novos recordes de rentabilidade e boa capacidade de execução. Além disso, a empresa já sinaliza perspectivas positivas para as vendas no início de 2026. Mesmo após a valorização recente, a Direcional (DIRR3) negocia atualmente a cerca de 7,3 vezes o lucro projetado para 2026, múltiplo ainda bastante atrativo dentro do setor. As ações chegaram a recuar após a divulgação do resultado, o que pode abrir uma janela interessante de entrada para investidores. Com exposição no segmento econômico, disciplina operacional e elevada geração de valor, a companhia segue posicionada para capturar a demanda habitacional no país, mantendo uma visão construtiva para o papel como parte de uma carteira diversificada de ações brasileiras. 

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.