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Investimentos

Ibovespa: Reta final das eleições no Brasil, balanços das empresas de IA e persistência dos riscos geopolíticos; veja destaques da semana

Mercados iniciam a semana sem direção definida, em maio às incertezas no cenário macroeconômico, eleições e balanços corporativos

Matheus Spiess 2026

Por Matheus Spiess

19 out 2026, 10:34

•

Atualizado em 19 out 2026, 10:34

bear market ibovespa queda mercado ações

Imagem: iStock/ Mininyx Doodle

Os mercados globais iniciam a semana sem direção definida, em meio às incertezas geopolíticas, às dúvidas sobre o retorno dos investimentos em inteligência artificial e à expectativa por novos balanços corporativos.

Nos Estados Unidos, os futuros operam em alta, com destaque para o Nasdaq 100, enquanto as bolsas europeias recuam diante das tensões políticas e fiscais na França. Na Ásia, o desempenho foi misto, refletindo a cautela com o setor de tecnologia e os indicadores chineses. O petróleo Brent cai 1,26%, para US$ 108,48 por barril, diante dos possíveis desdobramentos das sanções à Rússia.

Paralelamente, o Federal Reserve entrou no período de silêncio antes da reunião de 27 e 28 de outubro, aumentando a importância dos próximos dados econômicos e resultados empresariais para as expectativas de juros.

Na China, o PIB cresceu 4,5% no terceiro trimestre, ante 4,3% no período anterior, sustentado principalmente pela demanda externa por produtos de tecnologia. Entretanto, a recuperação permanece desigual: em setembro, a produção industrial avançou 5,5% em 12 meses, enquanto as vendas no varejo cresceram apenas 1,1%, evidenciando a fraqueza do consumo doméstico.

No Japão, Kazuo Ueda, presidente do Banco do Japão, destacou que a inflação subjacente se aproxima da meta de 2%, mantendo aberta a possibilidade de novas altas graduais dos juros. O cenário evidencia uma recuperação asiática heterogênea e reforça a importância das condições monetárias globais, especialmente em um ambiente de juros elevados e investimentos expressivos em tecnologia.

· 00:52 — Brasil na reta final das eleições: entre a desaceleração econômica e a reprecificação do risco fiscal

O mercado brasileiro encerrou a última semana em um ambiente de maior volatilidade, refletindo tanto as incertezas relacionadas ao cenário eleitoral quanto os sinais de desaceleração da atividade econômica. Na sexta-feira, o Ibovespa avançou 0,54%, encerrando o pregão aos 205.430 pontos, mas acumulou uma queda de 1,74% na semana. O dólar, por sua vez, recuou 0,28% na última sessão, cotado a R$ 5,0728, embora tenha registrado valorização de 1,77% frente ao real no acumulado semanal.

No campo macroeconômico, o IBC-Br de agosto apresentou crescimento de 0,3% na comparação mensal, superando a projeção de 0,2%, com destaque para a contribuição positiva da indústria. Apesar da surpresa favorável, o resultado, quando analisado em conjunto com os indicadores recentes de produção industrial, serviços e comércio, reforça a perspectiva de perda gradual de dinamismo da economia brasileira no terceiro trimestre.

O carregamento estatístico permaneceu negativo, em 0,5%, indicando que, caso a atividade se mantenha estável nos meses seguintes, o trimestre ainda poderá registrar contração. Para os próximos dias, as atenções estarão voltadas à divulgação do IPCA-15 de outubro, importante termômetro das pressões inflacionárias, e ao início da temporada de resultados dos grandes bancos.

No cenário político, a proximidade do segundo turno das eleições continua exercendo influência sobre os ativos brasileiros, sobretudo pelas expectativas em relação à condução da política fiscal a partir de 2027. As pesquisas mais recentes apontam para uma disputa competitiva entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva, embora apresentem diferenças relevantes entre os institutos.

O levantamento PoderData/Aya mostrou Flávio com 52% dos votos válidos, ante 48% de Lula, enquanto a pesquisa AtlasIntel/Bloomberg registrou 49,8% das intenções de voto para Flávio e 47,6% para o atual presidente. Nesse contexto, a repercussão do debate da Band, realizado no domingo, deverá ganhar espaço nas próximas pesquisas, especialmente diante de um encontro que ofereceu poucos esclarecimentos sobre as propostas econômicas dos candidatos.

A ausência de respostas mais concretas também pode contribuir para a desmobilização de parte do eleitorado, eventualmente elevando a abstenção. Além da evolução das intenções de voto, será importante acompanhar os indicadores de rejeição, a disposição dos eleitores em participar da votação e, principalmente, os sinais sobre a orientação da política econômica do próximo governo.

Afinal, mais do que o resultado eleitoral isoladamente, será a percepção sobre a sustentabilidade fiscal a partir de 2027 que determinará a capacidade de sustentação dos movimentos recentes da Bolsa, do câmbio e dos juros brasileiros.

· 01:48 — Tecnologia sob pressão: balanços colocam à prova o rali da inteligência artificial

O mercado acionário americano encerrou a última semana sob forte pressão, especialmente no setor de tecnologia, em meio à persistência das pressões inflacionárias e ao aumento das dúvidas sobre a sustentabilidade das avaliações das empresas ligadas à inteligência artificial.

Em setembro, o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) acelerou para 3,7% na comparação anual, enquanto a produção industrial avançou 0,7% em relação ao mês anterior, sinalizando uma atividade econômica ainda resiliente, apesar das dificuldades para conter a inflação.

Nesse ambiente, o Nasdaq acumulou queda de 4,48% na semana, acompanhado pelo recuo de 1,95% do S&P 500, enquanto o Dow Jones avançou 0,67%. A diferença de desempenho entre os índices reflete uma rotação de recursos, com investidores reduzindo a exposição às empresas de tecnologia e direcionando parte do capital para setores mais defensivos, como consumo básico e energia. A correção foi particularmente intensa entre as fabricantes de semicondutores, cujo índice de referência perdeu mais de 12% no período.

O episódio também trouxe novamente à tona uma das principais vulnerabilidades do mercado americano: a elevada concentração dos ganhos em um grupo restrito de companhias. Desde março, apenas dez empresas responderam por aproximadamente 70% da recuperação do S&P 500, embora cerca de 40% dos integrantes do índice ainda acumulem perdas no ano. Essa divergência evidencia que a valorização do mercado não tem sido acompanhada por uma melhora igualmente disseminada entre os diferentes setores da economia.

Para a semana que se inicia, o principal foco dos investidores estará na temporada de resultados corporativos, com destaque para os balanços de Meta, Tesla, Netflix e outras companhias relacionadas ao desenvolvimento e à infraestrutura de inteligência artificial. Mais do que os números trimestrais isoladamente, o mercado buscará indicações sobre a continuidade dos investimentos dos grandes provedores de computação em nuvem, a capacidade de transformar esses aportes em receitas e resultados e a sustentabilidade das expectativas de crescimento dos lucros.

Esses elementos serão especialmente importantes para avaliar se os elevados investimentos em infraestrutura de IA continuam encontrando respaldo na demanda e na rentabilidade das empresas. No calendário macroeconômico, a atenção também estará voltada aos indicadores do mercado imobiliário e aos índices de gerentes de compras (PMIs), que oferecem uma leitura antecipada das condições de atividade na indústria e nos serviços.

Enquanto isso, o Federal Reserve permanecerá em seu período de silêncio antes da reunião de política monetária marcada para os dias 27 e 28 de outubro. Embora a recente queda dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano de dez anos para níveis inferiores a 5,1% tenha proporcionado algum alívio às condições financeiras, a combinação de inflação resistente, juros ainda elevados e múltiplos de avaliação exigentes continua recomendando seletividade.

Nesse contexto, os próximos balanços terão papel fundamental para determinar se a correção recente representa apenas uma acomodação das expectativas após um período de forte valorização ou se poderá evoluir para uma reprecificação mais abrangente das empresas expostas ao ciclo de investimentos em inteligência artificial.

· 02:36 — Petróleo entre o alívio das sanções à Rússia e a persistência dos riscos geopolíticos

No cenário geopolítico, os preços do petróleo recuam diante da perspectiva de ampliação da oferta global, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar a suspensão temporária de novas tarifas e sanções contra países compradores de energia russa. A medida pode facilitar a comercialização do petróleo de Moscou e ocorre em meio a um entendimento para o fornecimento inicial de 300 mil toneladas de diesel russo ao mercado americano.

Paralelamente, o presidente Vladimir Putin propôs a realização de uma reunião trilateral com Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, possivelmente em novembro, para discutir alternativas diplomáticas ao conflito na Ucrânia. Embora o Kremlin e autoridades americanas tenham confirmado a existência de conversas preliminares, ainda não há definição sobre a realização do encontro ou os temas que integrariam sua agenda. Além disso, a flexibilização das restrições comerciais permanece provisória e não representa, por si só, um avanço definitivo em direção ao encerramento da guerra.

Apesar desses sinais de aproximação diplomática, os riscos de interrupção do abastecimento energético permanecem elevados. Ataques realizados por drones ucranianos atingiram um terminal de petróleo em São Petersburgo, responsável pela exportação de aproximadamente 120 mil barris diários de derivados, enquanto novos incidentes envolvendo petroleiros no Golfo Pérsico reforçam as preocupações com a segurança das principais rotas de transporte marítimo.

No Oriente Médio, o Irã reiterou sua disposição de reabrir o Estreito de Ormuz em até sete dias, condicionando a medida ao alívio das sanções americanas e ao encerramento das hostilidades regionais. Até o momento, entretanto, não houve anúncio de um acordo entre as partes.

Dessa forma, embora a perspectiva de maior disponibilidade de petróleo russo contribua para reduzir parte do prêmio de risco geopolítico incorporado às cotações, a continuidade dos conflitos e a ausência de definições diplomáticas mantêm o mercado de energia exposto a episódios de volatilidade e possíveis oscilações adicionais dos preços.

· 03:25 — A crise fiscal das economias desenvolvidas: quando a dívida ameaça a estabilidade dos mercados

A França enfrenta um cenário delicado, marcado pela combinação de instabilidade política, crescente insatisfação social e deterioração das contas públicas. No último fim de semana, aproximadamente 550 mil pessoas participaram de manifestações contra o elevado custo de vida e a precariedade dos serviços públicos, intensificando a pressão sobre o governo do primeiro-ministro Sébastien Lecornu.

A escalada das tensões ocorre justamente quando o país busca implementar um ajuste orçamentário para 2027, em um contexto de dívida pública próxima de 120% do PIB e custos de financiamento em elevação. O principal desafio está em conciliar as reivindicações por maiores gastos sociais com a necessidade de consolidar as contas públicas, um impasse que tem pressionado o mercado de títulos soberanos franceses e ampliado as preocupações dos investidores com um eventual contágio para outras economias da Zona do Euro.

Por enquanto, contudo, não há sinais de uma crise financeira generalizada, e o Banco Central Europeu dispõe de instrumentos capazes de mitigar episódios de instabilidade e limitar a propagação dos riscos pelo sistema financeiro europeu.

As preocupações com a sustentabilidade fiscal, entretanto, vão muito além das fronteiras europeias. Nos Estados Unidos, o déficit do governo federal alcançou aproximadamente US$ 2 trilhões no último ano fiscal, resultado de despesas de US$ 7,4 trilhões diante de uma arrecadação de US$ 5,4 trilhões. A expansão persistente dos gastos, especialmente com programas sociais e pagamento de juros, tem elevado as necessidades de financiamento do Tesouro americano, contribuindo para a pressão sobre os rendimentos dos títulos públicos de longo prazo.

Nesse ambiente, a PIMCO alertou para a possibilidade de os juros dos Treasuries de dez anos alcançarem 6%, patamar não observado desde 2000. O desafio é particularmente relevante porque déficits dessa magnitude, mesmo em períodos de expansão econômica, tornam a trajetória da dívida cada vez mais sensível ao custo de financiamento.

Ao mesmo tempo, a dificuldade política de implementar reformas capazes de moderar o crescimento das despesas limita as alternativas para estabilizar o endividamento. Sem avanços, o ajuste tende a depender excessivamente de um crescimento econômico mais robusto ou, em um cenário menos favorável, da redução do peso real da dívida pela inflação.

Na Europa, outro aspecto que merece atenção é a mudança na distribuição dos riscos econômicos entre os países do continente. Enquanto economias do sul, como Espanha e Grécia, apresentaram crescimento relativamente robusto em 2025, países tradicionalmente associados a maior estabilidade econômica, como França, Alemanha e Reino Unido, passaram a enfrentar dificuldades estruturais mais pronunciadas.

A Alemanha sofre com a perda de competitividade de sua indústria e o enfraquecimento das exportações, enquanto o Reino Unido continua pressionado pela persistência da inflação e pelas fragilidades de suas contas públicas. A França, por sua vez, enfrenta o desafio de promover a consolidação fiscal sem aprofundar as tensões sociais e políticas.

Esse conjunto de fatores tem aumentado a pressão sobre os mercados de dívida soberana, contribuído para a volatilidade do euro e alimentado o descontentamento político, com possíveis repercussões sobre o apoio a partidos de diferentes orientações ideológicas. O elemento comum a essas economias é a importância crescente da disciplina fiscal para a estabilidade macroeconômica e a formação dos preços dos ativos.

Em um ambiente de endividamento elevado e juros estruturalmente mais altos, a capacidade de resposta dos governos se torna mais limitada, enquanto pequenas mudanças nas expectativas de crescimento, inflação e sustentabilidade da dívida podem provocar ajustes expressivos nos custos de financiamento e nos prêmios de risco exigidos pelos investidores.

· 04:13 — China +1: a diversificação das cadeias globais ainda depende da China

A reorganização das cadeias globais de suprimentos, impulsionada pelo acirramento das tensões comerciais entre Estados Unidos e China, tem beneficiado economias como México, Vietnã e Índia, que vêm ampliando sua participação nas importações americanas. Esse movimento, conhecido como estratégia China +1, busca diversificar os locais de produção e reduzir a concentração das atividades industriais em território chinês.

Entretanto, essa redistribuição geográfica não significa, necessariamente, uma menor dependência da China. Isso porque uma parcela relevante da produção transferida para esses países continua utilizando insumos e componentes chineses, especialmente bens intermediários empregados na fabricação de produtos finais.

Assim, embora a diversificação favoreça a atração de investimentos, a geração de empregos e a expansão da capacidade produtiva nas economias beneficiadas, ela também estabelece uma relação de dupla dependência: da China, como fornecedora de insumos essenciais, e dos Estados Unidos, como principal destino das exportações.

Na prática, essa configuração mantém as cadeias produtivas expostas a tensões comerciais e geopolíticas, evidenciando que a mudança na localização das fábricas não elimina, por si só, as vulnerabilidades estruturais do comércio internacional.

· 05:01 — Como aproveitar o rali sem depender das eleições

A Bolsa brasileira atravessa um período de forte valorização, impulsionada principalmente pela revisão das expectativas dos investidores após o primeiro turno das eleições presidenciais. Embora a perspectiva de uma melhora na trajetória fiscal possa abrir espaço para novas valorizações, o movimento ainda recomenda cautela, sobretudo diante das incertezas que cercam o segundo turno.

Nesse contexto, mais importante do que tentar antecipar o desfecho eleitoral é privilegiar empresas com fundamentos sólidos, geração consistente de caixa e capacidade de preservar seus resultados em diferentes condições econômicas. Tanto é verdade que o interesse renovado pelos ativos brasileiros também se manifesta no posicionamento dos investidores institucionais.

Recentemente, por exemplo, a BlackRock, maior gestora de recursos do mundo, elevou sua participação na B3 para pouco mais de 10% do capital social, movimento que reflete, ao menos parcialmente, as posições mantidas pelos diversos fundos e veículos de investimento sob sua gestão.

Diante disso, o ETF BTER11, da Investo, que proporciona exposição diversificada a 22 empresas brasileiras de setores essenciais, como bancos, energia, saneamento, seguros e telecomunicações, parece fazer sentido. Sua metodologia segue critérios objetivos de seleção, priorizando companhias com histórico consistente de lucratividade e distribuição de dividendos, ao mesmo tempo que estabelece limites de concentração por ativo e prevê o reinvestimento automático dos proventos.

Essa estrutura permite ao investidor participar do potencial de valorização da Bolsa brasileira sem concentrar excessivamente sua exposição em uma única companhia ou depender exclusivamente de determinado resultado eleitoral.

A combinação entre diversificação, disciplina de seleção e participação em negócios com geração recorrente de caixa constitui um dos principais atributos da estratégia. Naturalmente, o fundo permanece sujeito às oscilações do mercado acionário e aos riscos específicos das empresas que compõem sua carteira. Ainda assim, o BTER11 se mostra uma alternativa para investidores que buscam exposição de longo prazo à renda variável local, com ênfase na qualidade, na consistência dos resultados e na diversificação do portfólio.

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.