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Investimentos

Renda fixa: Ambiente eleitoral volátil e dados econômicos reduzem chances de corte da Selic em janeiro; onde investir?

Veja 2 títulos de renda fixa para investir nesta terça-feira (6) diante do atual cenário econômico.

Por Lais Costa

06 jan 2026, 13:46

Atualizado em 06 jan 2026, 13:46

juros EUA e Brasil

Imagem: iStock/alexsl

Como habitual, os mercados globais iniciam a primeira semana de 2026 com volume reduzido de negociações.

Destaques do mercado global

Na madrugada do último sábado (3), os EUA executaram uma operação militar de grande escala contra a Venezuela, que incluiu bombardeios e incursões em Caracas e outras regiões do país. Forças especiais dos EUA capturaram o presidente venezuelano Nicolás Maduro e os transportaram para solo Nova York, onde passa em julgamento por narcotráfico e narcoterrorismo.

Para os mercados, a operação se traduziu em mais uma forte apreciação do ouro (3,3%) e da prata (9,4%), o mercado de petróleo, contudo, ainda não mostrou reação.

Embora tenha a maior reserva global, a Venezuela passou por um longo período de deterioração dos seus ativos, levando a queda da produção de cerca de 3,5 milhões de barris por dia para cerca de 950 mil barris por dia em 2025. Uma volta de crescimento da produção passa por grandes investimentos. Segundo a estimativas de analistas de mercado do JP Morgan, uma recuperação da produção poderia gerar um aumento de cerca de 250 mil barris por dia em 2026 em um horizonte de três anos, a produção poderia ser elevada a algo entre 1,3 e 1,4 milhão de barris por dia.

Existe um excesso de oferta da commodities no mercado hoje. Em 2025, o Brent caiu aproximadamente 20%, a maior queda desde 2020. O aumento de 250 mil barris por dia deveria se traduzir em uma queda adicional de cerca de 10% no preço do petróleo.

Em relação aos indicadores macroeconômicos, nos EUA, a ata da última reunião do Federal Reserve mostrou uma postura do comitê a favor da estabilidade das taxas para as próximas reuniões. A maioria dos diretores condicionou uma nova redução nos juros ao arrefecimento do índice inflacionário, muito embora a continuidade do enfraquecimento do mercado de trabalho continue sendo um ponto sensível para o comitê.

De maneira geral, os diretores avaliaram que, sob uma política monetária apropriada, o mercado de trabalho provavelmente se estabilizaria no próximo ano. Por isso, o principal destaque da agenda econômica desta semana fica com Payroll de dezembro, programado para sexta-feira (9), cujo consenso aponta para a criação de 65 mil vagas.

Os pedidos de seguro-desemprego referentes a semana encerrada no dia 27 de dezembro recuaram levemente em relação à semana anterior (199 mil ante 215 mil). Os pedidos contínuos referentes a semana encerrada em 20 de dezembro recuaram para 1,866 milhão, ante 1,913 milhão na semana anterior, levando a média móvel de quatro semanas ao menor nível desde o início de maio. Embora a queda reflita a sazonalidade habitual do período, o dado foi visto como marginalmente positivo.

Atualmente o mercado precifica dois cortes de 25 pontos-base nas taxas americanos ao longo de 2026, uma redução a mais do que o Sumário de Projeções Econômicas divulgado pelo Federal Reserve no mês passado.

Ambiente eleitoral volátil reduz chances de corte da Selic

No Brasil, o mercado de trabalho formal manteve resultado bastante forte em novembro de 2025.

Os dados do Caged divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego mostraram a criação de 85.864 mil vagas com carteira assinada no mês, número que ficou acima da mediana das expectativas de mercado de 76.650 mil. A leitura também trouxe revisão para cima no dado anterior de 85.147 mil para 93.699 mil vagas. A taxa de desemprego caiu novamente de 5,4% para 5,2%, um novo mínimo da série histórica.

A composição do número também foi bastante positiva, puxada por um avanço mais intenso do emprego formal no setor privado. O crescimento dos salários acima da inflação também acelerou na margem, corroborando o cenário de inflação de serviços intensivos em mão de obra pressionada.

Olhando à frente, a divergência entre o mercado de trabalho bastante apertado e a desaceleração dos indicadores de atividade (vista através dos indicadores antecedentes) tende a diminuir através da elevação gradual da taxa de desemprego ao longo de 2026.

Em relação à política monetária, a probabilidade do primeiro corte da Selic em janeiro tem se reduzido significantemente após dados macroeconômicos mais positivos e aumento de manchetes políticas em relação aos candidatos da direita nas eleições presidenciais deste ano. O cenário base hoje precificado pelo mercado é do primeiro corte de 25 pontos-base em março, seguida de uma aceleração para 50 pontos-base.

O orçamento de cortes precificado na curva futura hoje nos parece conservador, dado o cenário de desaceleração da atividade e convergência da inflação, contudo, continuamos dando preferência aos títulos indexados à inflação em detrimento dos prefixados devido ao ambiente eleitoral de maior volatilidade à frente.

Cardápio da semana

Características do CDB IPCA+ do Agibank
Classificação de risco da instituiçãoFitch: AAA (bra)
Público-alvoInvestidores em geral
Onde encontrarBTG Pactual
Aplicação mínimaR$ 1 mil
Aplicação máxima
LiquidaçãoD+0
Vencimento (prazo)06/01/2028 (730 dias corridos)
Rentabilidade anualIPCA+ 8,85% a.a.
Tributação15%
Pagamento de jurosNo vencimento
ResgateNo vencimento
GarantiasFundo Garantidor de Créditos (FGC)
Horário limite de aplicação17h45  
Características do CDB IPCA+ do Daycoval
Classificação de risco da instituiçãoFitch: AAA (bra)
Público-alvoInvestidores em geral
Onde encontrarBanco Daycoval
Aplicação mínimaR$ 1 mil
Aplicação máximaR$ 5 milhões
LiquidaçãoD+0
Vencimento (prazo)07/01/2028 (731 dias corridos)
Rentabilidade anualIPCA+ 9,00% a.a.
Tributação15%
Pagamento de jurosNo vencimento
ResgateNo vencimento
GarantiasFundo Garantidor de Créditos (FGC)
Horário limite de aplicação18h

As taxas e vencimentos do títulos indicados nas tabelas acima são referentes ao dia 6 de janeiro de 2026 e, portanto, são válidos apenas para o dia de hoje (6) e podem mudar devido as oscilações de mercado.

Vale destacar que a série Super Renda Fixa tem como foco principal recomendar títulos de crédito privado com uma relação de risco e retorno atrativa, atendendo à demanda de assinantes que buscam retornos acima dos títulos públicos. 

Para a sua reserva de emergência, aquele dinheiro que você pode precisar no curtíssimo prazo, recomendamos apenas o Tesouro Selic, disponível na plataforma do Tesouro Direto, ou fundos DI taxa zero

Engenheira eletricista pela UTFPR com passagem pelo MIT e especialização em finanças pela Columbia University. Iniciou a carreira no mercado financeiro com foco no mercado de bonds nos EUA. Após uma experiência na Itaú Asset em NY, ela esteve por três anos no time de Global Macro Strategy da XP Inc também em NY, cobrindo mercados emergentes asiáticos e Brasil com foco em criação de ideias de investimento de renda fixa para clientes institucionais. Desde maio de 2021, Laís faz parte do time de análise da Empiricus. Por dois anos foi responsável pela alocação e seleção de fundos globais e hoje é a analista a frente das séries Super Renda Fixa e Os Melhores Fundos de Investimento.