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Investimentos

WEG (WEGE3) sente impacto de energia solar e câmbio no 4T25, mas sinaliza recuperação à frente; veja análise

A receita da Weg no 4T25 veio abaixo da expectativa de mercado.

Por Ruy Hungria

25 fev 2026, 15:22

Atualizado em 25 fev 2026, 15:22

weg WEGE3

Imagem: Divulgação/WEG

A Weg (WEGE3) divulgou seus resultados do quarto trimestre de 2025, com uma receita abaixo da expectativa de mercado, porém compensada por melhora de margens, o que resultou em um EBITDA de R$ 2,29 bilhões, em linha com o consenso.

Mesmo com receios de uma desaceleração industrial no exterior por conta das tarifas, a empresa conseguiu aumentar suas vendas no mercado externo. A receita líquida da Weg em dólares cresceu 7,8% em relação ao 4T24, atingindo US$ 1,18 bilhão. Em reais, o crescimento foi de 1,4% a/a, impactado principalmente pela desvalorização cambial no período.

No mercado doméstico, porém, houve recuo de -12% a/a, impactado principalmente pela frente de Geração, Transmissão e Distribuição de energia. A receita no mercado interno foi de R$ 3,89 bilhões no trimestre.

No consolidado, a Receita Operacional Líquida (ROL) do 4T foi de R$ 10,25 bilhões (-5,3% a/a), enquanto a expectativa do mercado era algo próximo de R$ 10,8 bilhões. Em 2025, a Weg totalizou uma receita de R$ 40,8 bilhões, crescimento de 7,4% a/a, mesmo em um ano desafiador em função da volatilidade política, tarifas dos EUA e uma indústria mais contida no mercado externo. 

Análise da Weg no 4T25 por linha de atuação

Na análise por frentes de negócios, a vertical de Equipamentos Eletrônicos Industriais (EEI) teve um incremento de receita de 0,95% a/a, somando R$ 5,11 bilhões. Destaque para o mercado interno (receita de R$ 1,64 bilhão, +5,7% a/a), com a atividade industrial positiva para equipamentos de ciclo curto e boa demanda de novos negócios. No mercado externo, a atividade industrial se manteve saudável, porém com o impacto cambial, a receita em reais caiu -1,1%, totalizando R$ 3,47 bilhões. A ROL da frente representou 49,9% do total reportado.

A frente de Geração, Transmissão e Distribuição de energia (GTD) foi a principal detratora na performance, com contração anual de -14,2% em comparação ao mesmo período do ano anterior. A linha sofreu forte impacto no mercado interno, principalmente no que tange à geração de energia solar, que teve menos projetos ativos no período. A receita doméstica caiu -29% em relação ao 4T24. No mercado externo, a contração foi de -0,7% a/a impactada pelo dólar e por oscilações de projetos de T&D. Ainda assim, na comparação trimestral a receita do exterior cresceu 20%. A linha consolidada soma participação de 38,7% na ROL total da companhia, com R$ 3,682 bilhões.

O segmento de Motores Comerciais e Appliance (MCA) registrou receita de R$ 738 milhões (+2,5% a/a), com uma participação de 7,2% na ROL total da empresa. Houve estabilidade na demanda do mercado interno (-0,1% a/a), e crescimento de 5,2% no exterior, principalmente na China e na América do Norte.

Tintas e Vernizes (T&V), que possui a menor participação no ROL total da companhia (4,2% do 4T25), registrou um uma receita operacional líquida de R$ 435 milhões (+3,3% a/a). O resultado foi impactado pelo aumento de vendas no mercado externo, que cresceu 5,4% com destaque para a operação no México e contribuição dos negócios recém adquiridos da Heresite.

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Resultados financeiros da Weg

Apesar da receita consolidada abaixo das expectativas, a companhia conseguiu compensar parcialmente essa pressão com bom controle de custos. O custo das mercadorias vendidas recuou -6,1% em função de maior eficiência operacional e um mix de produtos favorável, mérito do portfólio diversificado da companhia. Com isso, a margem bruta cresceu 0,6 p.p., para 34%, acima do esperado. Vale mencionar também o crescimento de despesas abaixo da inflação no período.

Com esses efeitos, o EBITDA da Weg recuou -4%, para R$ 2,29 bilhões, com expansão de +0,3 p.p. a/a na margem.

Também afetado pela queda de receita, o lucro líquido da Weg foi de R$ 1,6 bilhão no trimestre, -6,3% em relação ao mesmo período no ano anterior, com margem de 15,5% (-0,2 p.p. a/a).

A geração de caixa livre no ano foi negativa em R$ 4,36 bilhões, em função do CAPEX de R$ 2,9 bilhões em modernização e expansão de capacidade, além da amortização de dívidas e pagamentos de dividendos e JCP no período.

O ROIC, que mede a eficiência da empresa em gerar lucro operacional a partir do capital aportado na operação (tanto próprio como de terceiros), alcançou 32,5% no ano. O indicador fechou 2025 com queda de -1,7 ponto percentual em relação ao fim de 2024, mesmo com aumento do lucro operacional. Isso por conta do aumento de capital empregado em ativos imobilizados, para modernização e expansão nas unidades de produção a nível global.

Tese de investimento em WEGE3

Mesmo em um trimestre impactado pela valorização cambial e pelo segmento de GTD no Brasil, a empresa conseguiu entregar melhora de margens e manter um excelente nível de retorno.

Olhando para a frente, ainda vemos essa dinâmica pressionando os números de 2026, mas enxergamos uma forte recuperação a partir de 2027, com a expansão de capacidade de GTD. Negociada a 30x seu lucro para 2026, temos recomendação de compra para WEGE3.

Bacharel em Física formado na Universidade de São Paulo (USP), possui MBA de Finanças na Fipe e iniciou a carreira no mercado financeiro em 2011, na própria Empiricus Research. Está à frente da série da casa focada em opções desde 2018, além de contribuir na elaboração e decisões de investimentos nas séries da Empiricus focadas em microcaps e dividendos, além de fazer o acompanhamento de companhias de diversos setores, com mais foco em Utilities e Oil & Gas. Desde o início de 2020 é colunista do portal Seu Dinheiro.