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Crypto Pulse

É hora de comprar bitcoin (BTC)? Mesmo com alta na última semana, ainda há riscos de médio prazo

O cenário atual pede leituras diferentes: para quem investe com horizonte de longo prazo, o momento do bitcoin (BTC) se mostra favorável; para quem gerencia ativamente um portfólio cripto, o recado é outro

Por Luis Kuniyoshi

15 mar 2026, 15:00

bitcoin criptomoeda cripto ativo digital

Imagem: Edição CanvaPro

À medida que o bitcoin (BTC) se institucionalizou, com a aprovação dos ETFs e empresas listadas carregando BTC em caixa, a criptomoeda pagou o preço desse amadurecimento: passou a ser negociada em maior sincronia com ações de tecnologia nas carteiras de grandes investidores. 

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Como resultado, quando o setor de softwares entrou em “colapso narrativo”, arrastado pelo medo de que a inteligência artificial (IA) tornaria plataformas inteiras obsoletas, o bitcoin foi junto. Não porque seus fundamentos mudaram, mas porque os mesmos gestores que venderam software, também venderam BTC na mesma tacada. 

Agora, pela primeira vez em meses, essa dinâmica dá sinais de reversão: o bitcoin começa a ganhar momentum frente a pares importantes, como o S&P 500 e o ouro, depois de um longo período perdendo terreno em termos relativos. 

Nesta edição, especulamos sobre a pergunta de ouro: “é um bom momento para comprar bitcoin?”

Além disso, abordamos o risco de médio prazo, que ainda permanece no radar, e os dois avanços regulatórios desta semana que podem mudar o jogo para o mercado cripto. 

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De olho nos últimos acontecimentos do mercado de criptomoedas

O bitcoin (BTC) segue formando fundos progressivamente mais altos. Com suporte na região dos US$ 68 mil e resistência próxima aos US$ 76 mil, o ativo opera em um intervalo que, até agora, tem sido respeitado. E, no curtíssimo prazo, as probabilidades se inclinam para o upside

O principal catalisador é o setor de softwares voltando a ganhar força (dinâmica que exploramos na edição passada, e que segue se perpetuando). E o bitcoin, que havia sido castigado pela correlação, passa a se beneficiar dela, no sentido contrário. 

O resultado é o que vemos agora: BTC voltando a performar melhor que pares importantes (S&P 500 e ouro), sugerindo que está descontado em relação a eles e começando a apresentar uma assimetria de risco, no mínimo, interessante. 

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O horizonte de médio prazo, no entanto, ainda guarda um desafio de peso 

O vetor principal nessa janela de tempo é o conflito no Oriente Médio, em especial seus efeitos colaterais sobre o preço da energia

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No centro dessa tensão, está um corredor de 33 quilômetros entre o Irã e Omã: o Estreito de Ormuz é a passagem marítima por onde transita cerca de um quinto de todo o petróleo consumido no mundo, pouco mais de 21 milhões de barris por dia.

Cada barril exportado pela Arábia Saudita, pelos Emirados Árabes, pelo Kuwait e pelo Iraque passa por lá. O que o torna, em essência, a maior torneira de energia do planeta. Quando um conflito ameaça esse canal, o mercado não espera: o preço do petróleo sobe, e isso não é um problema isolado. A alta encarece frete, produção industrial, insumos agrícolas e, em algum momento, chega ao consumidor.  

Quando isso acontece, a inflação, que parecia domesticada, volta a mostrar as garras. E o Federal Reserve (Fed), Banco Central dos Estados Unidos, se vê em um beco sem saída. 

De um lado, o mercado de trabalho nos EUA dá sinais de fraqueza, o que, em condições normais, pediria por um corte de juros, historicamente favorável ao BTC.

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Mas cortar juros com petróleo nas alturas seria como jogar lenha na fogueira inflacionária, e não cortá-los arrisca aprofundar o enfraquecimento da economia. Essa combinação tem nome: estagflação. Foi o pesadelo dos anos 1970, e é o cenário que seguimos monitorando com mais atenção no médio prazo. 

Há ainda um efeito mais particular, mas igualmente relevante, que atinge o bitcoin por dentro. Minerar Bitcoin consome energia de forma intensiva. Quando o custo da energia sobe, a margem dos mineradores encolhe e, em situações de aperto, os menores, ou os mais alavancados, são forçados a vender BTC para pagar as contas.

Isso é o que o mercado chama de capitulação de mineradores, uma pressão adicional de venda que se soma ao ambiente já desafiador. 

O ponto é que o cenário atual pede leituras diferentes, dependendo de quem está do outro lado da tela. 

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Para quem busca trades táticos ou investe com horizonte de longo prazo, o momento se mostra favorável: o BTC está ganhando momentum e segue com desconto significativo em relação à sua última máxima histórica. A assimetria, nesse contexto, joga a favor. 

Para quem gerencia ativamente um portfólio cripto, o recado é outro. As semanas e meses à frente carregam imprevisibilidade suficiente para justificar cautela. A título de exemplo, as carteiras gerenciadas pelo SOROS, nosso sistema proprietário de alocação, entregam performance acima do BTC ao longo de 2026, com a maior parte do portfólio em caixa e bitcoin, complementada por posições específicas em altcoins selecionadas por características idiossincráticas. 

Vale lembrar: quedas não são necessariamente ruins. Para quem tem caixa, elas são oportunidades. E quando o momento de entrar em altcoins chegar, você vai querer estar por dentro.

Bônus: Mastercard no universo cripto 

Se o curto prazo é dominado pelo momentum, e o médio prazo é dominado pelo macro, o longo prazo pertence à regulação. E a cada semana, ela avança. 

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Na última quarta-feira (11), dois dos órgãos reguladores mais importantes dos EUA, SEC e CFTC, anunciaram um memorando histórico de cooperação.

Durante anos, as duas agências disputaram a jurisdição sobre os criptoativos, criando um ambiente difuso no qual ninguém sabia ao certo qual regulador consultar. O memorando não resolve tudo da noite para o dia, mas o sinal é inequívoco: o ambiente regulatório caminha em direção à clareza

A clareza regulatória tem uma consequência direta: abre espaço para que grandes instituições entrem no jogo. Não por acidente, um exemplo disso surgiu nessa mesma semana…  

A Mastercard, uma das maiores redes de pagamentos do mundo, lançou o Crypto Partner Program, iniciativa global que reúne mais de 85 empresas nativas de cripto, provedores de pagamento e instituições financeiras. O objetivo, segundo eles mesmos, é criar um ecossistema colaborativo para aplicar ativos digitais em necessidades práticas: remessas internacionais, transferências corporativas e movimentação de capital global. 

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O detalhe que merece atenção não é só o produto em si, mas o que isso representa. Movimentos institucionais como esse tendem a gerar efeito de rede: quanto mais players relevantes entram, mais o ecossistema se torna atraente para o próximo.

Para o setor como um todo, o ritmo da evolução regulatória e legitimação da blockchain são os principais diferenciais para que cripto ganhe momentum frente aos outros ativos de risco. Indo direto ao ponto, mantemos bons prospectos para cripto em 2026

Analista de criptomoedas na Empiricus Research.