É hora de comprar ações da Petrobras?

Analistas respondem se, após a desvalorização colossal que houve no valor de mercado da estatal, a empresa ainda é uma opção viável de investimento

Com os preços rondando os 9 reais, as ações da Petrobras saltam aos olhos como uma opção de investimento, seguindo a lógica de que estão ‘baratas’ em relação ao que já chegaram a custar – mais de 40 reais em maio de 2008.

Analistas ouvidos pelo site de VEJA, contudo, ponderam que o barato pode sair bem caro. É difícil encontrar quem, ao analisar profundamente a situação econômica, política e financeira da empresa, recomende a compra dos papéis. A incerteza em relação ao tamanho da ferida que as denúncias de corrupção da Operação Lava Jato vai deixar na companhia faz com que muitos fiquem receosos em recomendar a compra. “Olhando o histórico da ação da Petrobras, parece que é uma boa oportunidade. Porém, a companhia tem uma série de problemas pela frente e desafios que podem fazer as ações caírem ainda mais”, afirma Flávio Conde, analista da Gradual Investimentos. Para ele, a chance de o papel cair mais é muito maior do que de subir e, por isso, ele não recomenda a compra.

Além disso, os dados sobre a empresa (finanças, atividades e estratégias) pararam de ser divulgados após a publicação do balanço do segundo trimestre. Ou seja, só há informações sobre a saúde financeira da empresa até junho. Com o estouro da Operação Lava Jato e as denúncias bilionárias de corrupção, a empresa de auditoria PricewaterhouseCoopers (PwC) se recusou a assinar a revisão do balanço da estatal referente ao terceiro trimestre. Isso desencadeou uma falta de confiança generalizada em relação às finanças da empresa.

Investidores americanos já entraram na Justiça dos Estados Unidos pedindo indenizações por terem sido ‘enganados’ com números que não correspondiam à realidade, já que foram possivelmente inflados pelos contratos superfaturados. As ADRs (recibos de ações negociados na Bolsa de Valores de Nova York) da Petrobras nos Estados Unidos precisam seguir as regras de governança estabelecidas pela SEC, órgão que corresponde nos EUA à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A própria SEC estáinvestigando as denúncias de corrupção na Petrobras desde outubro do ano passado. Ao contrário do Brasil, apurações desse tipo costumam ser rápidas nos EUA e são passíveis de multas bilionárias para a empresa condenada.

Fonte: Veja

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