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Day One

Dá mesmo para ter zero de O&G?

Sabe-se razoavelmente como entrar em uma guerra, mas nunca se sabe exatamente como sair.

Por Rodolfo Amstalden

04 mar 2026, 13:41

Atualizado em 04 mar 2026, 13:41

petroleo e gas petrobras

Imagem: iStock/ @songqiuju

Graças à linguagem utilizada, a troca de um ciclo de momentum trading por outro de reversion to mean produz a falsa sensação de calmaria.

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A impressão geral é a de que os mercados estavam pesadamente concentrados em setores ou nichos específicos (e.g. AI related), revisaram essas posições, e agora estão convergindo pacificamente rumo às médias históricas.

Na prática, porém, você já deve ter percebido: essa reversão à média está longe de ser tão tranquila e reconfortante quanto uma volta para casa.

Ela pode ser extremamente traumática, sobretudo se feita com atraso.

Veja, por exemplo, o contexto das alocações globais em oil & gas pré-guerra.

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Ninguém tinha O&G, antes por conta da transição energética, depois por conta de oversupply e do domínio soberano da inteligência artificial.

Então, de repente, até os melhores alunos da classe são obrigados a lembrar que petróleo também funciona como hedge sistêmico, hedge contra inflação, e que só 3% ou 4% do S&P 500 é representado por óleo & gás.

De repente, nesse recorte de hedge, o mundo todo está subalocado em petróleo – um ativo que, por razões geopolíticas, já mostrou que pode sair de US$ 30 para US$ 130 por barril durante uma janela ínfima de 12 meses.

Ah, mas essa guerra do Irã não vai durar muito, veja só o que aconteceu em Gaza, veja só a paz na Venezuela, logo o petróleo vai voltar!

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Bem, pode até ser mesmo. Mas, sob uma perspectiva talebiana, ninguém tem essa resposta. Sabe-se razoavelmente como entrar em uma guerra, mas nunca se sabe exatamente como sair.

E ainda que a guerra de fato dure quatro ou cinco semanas, o que estamos vendo em termos globais, nos últimos anos, é o acúmulo de uma rotina de vários confrontos pequenos ou médios, de modo que um verdadeiro choque estrutural pode estar disfarçado de eventos conjunturais aparentemente descorrelacionados.

Assim, ainda que a guerra do Irã seja rápida, não podemos dormir tranquilos tendo zero exposição a petróleo nas carteiras.

Precisamos reverter rapidamente à nova média que nos convém, relembrando que commodities como o petróleo também podem ser insubstituíveis, a depender do contexto em que se encontram.

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Sócio-fundador e CEO da Empiricus, é bacharel em Economia pela FEA-USP, em Jornalismo pela Cásper Líbero e mestre em Finanças pela FGV-EESP.