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Na edição da semana passada, falamos sobre a necessidade de carregar uma posição não só conjuntural, mas também estrutural em pegs de oil & gas, inclusive como instrumento de hedge.
Desde então, o barril de petróleo disparou +16%, flertando com a barreira dos US$ 100 – o que torna o argumento meio que autoevidente.
As dúvidas que eu tenho recebido agora são de natureza um pouco diferente: até onde vai essa esticada?
Porque aqueles raros investidores que tinham algum tipo de exposição a O&G em seus portfólios viram o peso disso disparar nas últimas semanas. Naturalmente, portanto, começam a pensar em vender uma parte para comprar outros ativos de qualidade que despencaram.
Essa é uma manobra tática que me parece fazer muito sentido em sua concepção lógica e empírica, já que provavelmente estamos falando de condições transitórias. Em alguma medida, o mundo tenderia a retomar ao menos parte de sua normalidade entre o fim de abril e maio.
Porém, neste caso, a dosagem correta da manobra tática talvez seja mais importante do que a manobra em si.
Zerar a alocação em petróleo e comprar tudo em quality definitivamente não soa como uma boa ideia neste momento.
Por outro lado, esse é um plano que pode ser (bem) executado “na margem” – ou seja, um pedacinho por vez.
Só para ilustrar com exemplo concreto: conversei na segunda-feira com um investidor gringo que estava vendendo 5% de sua posição em O&G para comprar ações que, nas palavras dele, “quase nunca dão chance de entrada”, como Blackstone (BX:US) e Blackrock (BLK:US).
Se o petróleo continuar subindo e o quality continuar caindo, ele disse que pretende fazer mais 5% dessa rotação, visando ao longo prazo. E assim por diante.
De qualquer forma, faria isso até atingir um piso estrutural, pois gosta de manter o hedge e ainda tem sérias dúvidas sobre o tamanho da caixa de Pandora que foi aberta pela Guerra do Irã.
Assim, é como se ele estivesse apostando simultaneamente nas duas pontas: na esperança da guerra acabar relativamente rápido, e também no ceticismo quanto a uma solução simples para o conflito corrente.
No mercado financeiro, nem sempre precisamos escolher apenas um lado “certo” do trade. Usando dosagens e opcionalidades em nosso favor, podemos ampliar nossos graus de exposição, mitigando riscos e capturando upsides aparentemente contraditórios.