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Hedge: como funciona essa proteção contra variações financeiras?

Hedge é uma estratégia para proteger o valor de um ativo contra possíveis variações de valor no futuro. Entenda como funciona uma operação de hedge.

Por Equipe Empiricus

1 de março de 2023, 06:35

Imagem representando o hedge, mostrando uma balança financera.

Para se tornar um bom investidor, um dos primeiros passos é conhecer os vários conceitos do mercado financeiro. Por isso, vamos falar sobre hedge.

Essa pequena sigla pode não significar muita coisa para quem está entrando no mundo dos investimentos. Mas, cedo ou tarde você vai se deparar com ela e já adianto que saber o significado de hedge é fundamental para todos aqueles que querem se proteger nesse mercado.

O que é Hedge?

Hedge é uma expressão em inglês que ao ser traduzida traz a ideia de cerca ou limite. No mercado de investimentos, o termo representa algumas estratégias que têm como função proteger o investidor contra variações e a volatilidade de um ativo durante determinado período.

Especialmente quando estamos falando de papéis muito voláteis, o investidor está exposto a grandes variações que podem surgir em decorrência de vários fatores. Por esse motivo, os mais experientes e também os novatos que querem limitar o risco, apostam em opções de hedge.

O hedger deseja deixar o mercado mais previsível, tanto para compradores quanto para vendedores. A ideia é que o preço futuro de um determinado ativo possa ser previsto levando-se em consideração as cotações atuais, para que não haja grandes perdas financeiras mesmo se o valor do ativo sofrer grandes flutuações.

Um dos mecanismos mais conhecidos para fazer esse tipo de operação é o Mercado Futuro, que define preços para liquidação em outro momento, baseando-se em valores atuais.

Como funciona a estratégia hedge?

O hedge funciona como um mecanismo que “congela” o preço de um papel para que ele não sofra desvalorizações em uma negociação no futuro.

As formas mais conhecidas de fazer isso são por meio das opções e dos contratos futuros, como as commodities, que representam o café e o boi gordo, por exemplo.

Então, imagine que você tenha uma determinada ação em sua carteira, mas não está seguro quanto à sua valorização futura. Na verdade, você acredita que ela pode se desvalorizar muito.

Na dúvida, é preciso adotar uma estratégia para proteger seu investimento. Uma possibilidade é usar as Opções, pois esse tipo de investimento representa um acordo futuro de negociação de um ativo por um determinado preço.

Entretanto, esse tipo de abordagem não é o ideal para quem deseja correr altos riscos em troca de possíveis lucros maiores. Pois, o hedger é um investidor que está mais preocupado em proteger os seus investimentos, mesmo que os ganhos potenciais sejam um pouco inferiores.

Quais são os tipos de hedge?

O que chamamos de hedge pode acontecer de várias maneiras. É importante que o investidor conheça as mais comuns, que estão descritas abaixo.

Hedge natural

Esse conceito diz respeito àquelas formas de proteger investimentos em que o investidor não precisa fazer absolutamente nada, pois isso já acontece de maneira natural devido às características de sua própria atuação no mercado.

Um exemplo que é sempre citado é o das empresas que trabalham com exportações. Pois, é comum que elas recebam seus pagamentos em dólar, ao mesmo tempo em que compram diversas matérias-primas nessa moeda.

Então, imagine que o dólar tem uma alta repentina. Isso pode prejudicar a empresa, já que ela terá que investir mais recursos para adquirir seus insumos. Porém, os lucros aumentam na mesma proporção, já que os pagamentos recebidos serão na mesma moeda.

Assim, enquanto a alta do dólar se torna um problema em diversos setores, os exportadores podem lidar melhor com essa situação e sem a necessidade de tomar qualquer medida drástica.

Hedge Cambial

Esse tipo de hedge visa proteger seus investimentos usando moedas, como o dólar. Uma forma de fazer isso é comprar contratos futuros de dólar, para que em uma determinada data você tenha esses contratos por um valor fixo, independentemente das variações.

Por exemplo, imagine que em meio as grandes subidas do dólar nos últimos anos você estivesse pensando em fazer uma viagem para o exterior. Uma alternativa seria comprar ativos que são negociados nessa moeda.

Assim, na época da viagem você estaria protegido contra a desvalorização do real em relação à moeda americana.

Opções

Já mencionamos que uma forma de hedge com ações é a negociação das chamadas opções. Aqui no Brasil é possível visualizar e operar esse tipo de ativo na B3, a bolsa brasileira, e eles estão disponíveis para diversas empresas.

Imagine que você comprou ações de uma grande empresa e pretende mantê-las em sua carteira por um longo tempo.

Para se precaver, você vai comprar opções dessas ações. Por exemplo, se o ativo vale R $100,00 talvez seja possível encontrar opções à R$ 97,00. Nessa situação hipotética, o papel acabou se desvalorizando e chegou a R$ 90,00 no fim da validade das opções.

Por ter feito a aposta correta, você vai perder apenas 1% do seu investimento, ao invés de 10%.

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Quem deve fazer investimentos do tipo hedge?

O hedge é indicado para todo investidor que deseja proteger algum investimento por um tempo determinado, já que vai precisar usar tal ativo ou valor financeiro e não terá tempo hábil para recuperar o investimento caso ele passe por uma grande oscilação nesse período.

Além disso, esse tipo de técnica é muito usado para quem consegue analisar o mercado a fundo e tem uma boa visão das oscilações futuras.

Hedge é o mesmo que diversificar investimentos?

Embora essas duas estratégias tenham como uma das ideias principais a proteção dos investimentos, elas não são a mesma coisa.

A diversificação de investimentos ajuda o investidor a minimizar os riscos, já que estamos falando de montar uma carteira com empresas diversificadas, geralmente escolhendo aquelas que estão bem consolidadas no mercado e até algumas com boas projeções de crescimento.

Assim, caso uma das empresas enfrente problemas e o seu valor despenque, sua perda financeira será controlada. Mas o mesmo não aconteceria se todo o seu investimento estivesse concentrado em um mesmo lugar.

Já o hedge quase sempre combina dois ativos para criar uma proteção contra oscilações de preço. Geralmente, é possível superar períodos de instabilidade com a menor perda possível. Como mencionamos, é uma boa ideia para quem visa manter o investimento por um prazo específico.

Qual a diferença entre Hedge e Swap?

É possível dizer que o Swap é um tipo de Hedge. Mas, definitivamente, eles não são a mesma coisa.

O Swap é um tipo de troca que ocorre no mercado financeiro, em que as partes envolvidas negociam a rentabilidade e a variação de algum indexador.

Assim, caso seja necessário, é possível alterar o tipo de rendimento para se proteger de uma possível variação no futuro.

Pense em uma empresa que possui um valor investido em CDI, mas que tem a possibilidade de adquirir matéria-prima do exterior, custeando a operação em dólar. Ela pode trocar a rentabilidade do CDI pela rentabilidade do câmbio e assim se proteger da variação da moeda americana.

Hedge elimina os riscos do mercado financeiro?

Embora o hedge seja uma opção para cercar os investimentos contra oscilações, ele não cobre todas as situações que podem prejudicar o preço de um ativo.

Assim, é fundamental que você conheça muito bem as estratégias utilizadas e saiba quais são as suas limitações.

Antes de entrar no mercado financeiro, principalmente na renda variável, é fundamental entender que todas as operações envolvem risco. Então, a melhor alternativa é estudar muito e estar preparado para diversas situações.

Além disso, não caia em ilusões sobre esse mercado que dizem que você vai enriquecer rapidamente. Para construir o seu patrimônio é preciso conhecimento, foco, paciência e boas estratégias de proteção, como o hedge.

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