Terça passada, bati um papo de uma hora com o Prof. Hendrik Bessembinder, da Universidade do Arizona.
Foi uma conversa um pouco mais técnica do que de costume, mas também repleta de aplicações práticas para nós que gostamos de investir em ações.
Entendo perfeitamente se não der tempo de assistir ao vídeo completo, especialmente em um domingão no qual a prioridade número um é ficar com a família e descansar a cabeça.
Por isso, vou resumir aqui aqueles que considero os dois principais insights trazidos pelo Prof. Hendrik.
Ambos são extremamente úteis na medida em que atestam a enorme capacidade de multiplicar capital no mercado acionário, ao mesmo tempo em que destituem qualquer romantismo eventualmente atribuído ao processo de enriquecimento com ações.
Ou seja, uma abordagem “vida real” para guiar a experiência dos milhares de novos CPFs que estão se cadastrando na B3.
Primeiro, precisamos reconhecer que aquilo que chamamos globalmente de “equity premium” – o histórico prêmio de performance da renda variável sobre a renda fixa – está longe de representar uma hierarquia trivial.
Sim, é verdade que o mercado de ações bate sistematicamente o mercado de dívida durante janelas longas. Mas não se trata de uma disputa fácil.
A Bolsa tem que transpirar muito para bater a renda fixa, e de um jeito bastante específico: alguns poucos jogadores correm pelo time inteiro.
Em seus artigos acadêmicos, Hendrik demonstra que a distribuição de retornos de longo prazo é bizarramente assimétrica.
A depender do país, o Top 1% das melhores empresas responde por 50% a 80% de toda a criação líquida de riqueza em Bolsa.
Para tornar a situação ainda mais interessante, a trajetória dessas raríssimas melhores empresas é também extremamente não linear, repleta de enormes sustos ao longo do caminho.
Você compraria uma ação cujo histórico inclui um período de prejuízos acumulados de -93% para seus acionistas?
Conheço pouquíssimas pessoas que perderiam tempo em considerar uma ação desse tipo. A maioria dos investidores não ia nem querer saber do que se trata.
Pois bem, essa é a ação da Amazon – a terceira empresa que mais criou riqueza para seus acionistas no mundo desde 1990.
O verdadeiro enriquecimento em Bolsa só é óbvio para aqueles investidores que se negam a acreditar em obviedades.