Os piores motivos para se investir são os motivos práticos.
“Comprei XPTO porque protege da inflação”.
“Comprei XPTO por causa do incentivo tributário”.
Ou, dentre os piores casos: “Comprei XPTO pois tenho chance de ser sorteado”.
E Bolsa?
“Ah, Bolsa não, é muito perigoso, sujeito pode até perder dinheiro, sabe?”.
Sim, eu sei. O que eu não sei é se existe uma diferença epistemológica entre perder dinheiro e deixar de ganhar. Meu bolso certamente nota a diferença, embora negada pelos financistas do Olimpo.
Arre, estou também farto de semideuses. Onde é que há gente neste mundo?
Gente que aprecie o bom e velho arroz com feijão sem mistura, e que tome decisões de investimento baseadas em risco e retorno, ponto final.
Como bem disse a Tati Bernardi: “Quem tem muitos motivos práticos para estar com alguém sente por esse alguém uma coisa chamada ‘motivos práticos’, e não amor”.
Nas Finanças, os motivos práticos são muitos, doce ilusão.
Em tempos de idolatria à UX, uma experiência hype de usuário vale mil vezes mais (!?) do que risco versus retorno.
Cheira bem o aplicativo fintech perfumado que leva para investimentos de merda.
E agora eu aprendi por que a poupança atrai tantas pessoas: a simplicidade da aplicação.
Ora, é tudo tão óbvio!
Deposita-se o dinheiro e pronto, ele começa a render. Quando se precisa do dinheiro, é só sacar.
Excelente!
Às favas com o rendimento em si. Às favas com poder de compra, construção de patrimônio. Se eu puder depositar e sacar facilmente, já estou felicíssimo.
Afinal, investir é sobre isso, não é? Depositar e sacar! Nada a ver com segurar uma participação em empresa por longo prazo. Nada a ver com risco e retorno, meras notas do rodapé financeiro.
Eu sou da época em que o usuário vinha antes da UX, e experiência significava pelo menos 10 anos suados de tentativa e erro.
Assistir a um Fla-Flu apertado na geral do Maraca era melhor do que contemplar Catar x Panamá na abertura da próxima Copa, enquanto se aprecia um bom espumante.
Depositamos nosso dinheiro na espuma.
A sorte é que é fácil de sacar, para então aplicar nas coisas que realmente importam.