Tive sorte de fazer uma faculdade de Economia na qual aproximadamente metade dos créditos podiam ser atribuídos a disciplinas optativas.
No meu caso, isso significou fugir das aulas de História.
Eu realmente gostava de História no colégio, mas fazia um esforço brutal para ficar acordado nas aulas de História Econômica da faculdade.
A culpa era muito mais minha que dos professores.
No entanto, ao terceiro ano de curso, caí na classe do Professor Roberto Vermulm, que revolucionou meu gosto pelo tema, graças a sua didática excepcional.
Vermulm simplesmente atropelava qualquer tentação de pregar datas e nomes, indo direto para a motivação econômica e política de cada fase do desenvolvimento nacional.
Eu gravava as coisas porque elas faziam sentido, não porque eu tinha decorado antes da prova. Daquele jeito era muito mais fácil ficar acordado.
Lembro até hoje de uma aula sobre “Brasil, plataforma exportadora?”.
Ao longo de dois séculos, o Professor elencava diversas intenções históricas de posicionar o país como um motor de exportações, mas a conclusão era sempre a mesma: política pública obstruída pelos quatro cavaleiros do apocalipse (tributação, juros, câmbio e inflação).
Refém de um desequilíbrio estrutural para as variáveis macro (síndrome do cobertor curto), o Brasil não conseguia sustentar competitividade global em nichos fora da obviedade das commodities.
Pior: enquanto tentava desviar do fogo amigo, via os concorrentes asiáticos decolarem na participação sobre a corrente de comércio mundial.
Felizmente, se retornos passados não implicam garantia de resultado futuro, prejuízos passados também não impõem necessariamente um eterno insucesso prospectivo.
A estrutura de impostos brasileira continua atrapalhando bastante, mas juros, câmbio e inflação passaram a jogar a favor da nossa plataforma exportadora.
Se ainda nos faltam o choque de educação básica que transformou a Coreia do Sul ou o salto de produtividade que inseriu definitivamente a China no mapa global, ao menos contamos hoje com a isonomia de juros baixos e com o inesperado impulso de um câmbio depreciado.
A rigor, não é a primeira vez que isso acontece na história brasileira. Contudo, é a primeira vez que ameaça acontecer de forma sustentável, sem que os juros baixos ou o câmbio depreciado tenham brotado da assinatura de um decreto qualquer, passível de ser rasgado pela realidade.
Trata-se de um modelo que merece apostas sérias, dado que vem tendo enorme sucesso nos países asiáticos, na Alemanha, e pode também encontrar algum grau de sucesso por aqui.
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