No início deste ano, fui convidado a fazer uma apresentação a estudantes universitários que tinham um particular interesse em empreendedorismo; ocasião na qual me abordaram com uma pergunta clássica.
O que é riqueza para você?
Tipicamente, em nosso imaginário, riqueza é o carrão importado, casa de frente para a praia, bolsa Prada e viagem de avião em classe executiva.
Não tenho nada contra esses ícones de luxo. Mas acho que as maiores virtudes da riqueza se manifestam melhor fora da ótica do consumo.
Se eu tivesse que elencar as principais virtudes da riqueza – como acabei fazendo na apresentação – organizaria da seguinte forma:
1. Riqueza proporciona segurança.
Se algo de errado acontecer na sua vida (um cartão de revés do Banco Imobiliário), um bom dinheiro guardado amenizará os impactos financeiros e emocionais.
2. Riqueza proporciona investimentos.
Dinheiro gera mais dinheiro, graças à dinâmica de retroalimentação da riqueza. Quanto mais você investe (corretamente), maior sua capacidade de investir em algo mais.
3. Riqueza proporciona tentativa & erro.
Não há nada na vida melhor para aprender do que tentativa & erro. Se você é rico, você pode se dar ao verdadeiro luxo de testar coisas diferentes sem precisar acertar logo de cara. Isso vale tanto para a fundação de uma startup quanto para visitas a restaurantes desconhecidos.
4. Riqueza proporciona poder de consumo.
Todos precisamos e queremos consumir bens e serviços cada vez melhores, sobretudo à medida que envelhecemos.
Esta ordem entre as virtudes elencadas é proposital, e ajuda a entender minha filosofia de alocação de recursos.
Independente do seu objetivo financeiro específico (construção de patrimônio, proteção de patrimônio ou geração de renda), eu sempre priorizo a segurança em minhas recomendações. Não vou assumir riscos desnecessários, nem vou me expor a prejuízos potencialmente gigantescos.
Digo isso aqui como analista, mas também é o que sigo em meu próprio programa financeiro. Put your money where your mouth is. Segurança é prioridade para mim.
Em segundo lugar, gosto do conceito de retornos compostos, de como o dinheiro bem aplicado vai se transformando em mais dinheiro aplicável. Isto é um enorme incentivo para seguirmos em frente em nosso projeto de longo prazo.
Neste sentido, permita-me uma comparação cotidiana. Ao fazermos dieta, quanto mais emagrecemos, mais difícil fica de emagrecer. O próximo quilo representa um desafio crescente sobre o último quilo perdido. Com investimentos, a lógica é exatamente a oposta. O próximo investimento é mais fácil do que o anterior. O grande desafio está, portanto, em engatar a primeira marcha.
Por fim (não vou falar de consumo), a tentativa & erro. Por vezes, tentaremos certas recomendações e erraremos. Faz parte do jogo. Minha responsabilidade como analista me impele a deixar sempre claro para você quando uma estratégia específica de nossa carteira for orientada pela lógica de tentativa & erro.
Por quê? Porque, quando isso acontecer, você terá que colocar pouco dinheiro em nome de uma chance de ganhar muito dinheiro, e não o contrário. Apostamos centavos para ganhar reais; jamais apostamos reais para ganhar centavos.