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Cosan (CSAN3), Localiza (RENT3), Vivara (VIVA3) e Smart Fit (SMFT3): gestores detalham suas teses nas empresas

No evento de aniversário da Empiricus, gestores abordam oportunidades de mercado e investimentos alternativos

Por Equipe Empiricus

31 de outubro de 2022, 19:13

Empresários tomando decisões
Imagem: FreePik

Os gestores Ary Zanetta Neto, sócio da Brasil Capital, Beatriz Fortunato, sócia da Studio Investimentos e João Luiz Braga, sócio da Encore Asset Management, detalharam a tese em algumas empresas que possuem no portfólio.

A conversa ocorreu durante o evento Market Changers, nesta segunda-feira (31), que comemorou os 13 anos do Grupo Empiricus.

Cosan (CSAN3) é consolidada e merece ‘benefício da dúvida’

Ary Zanetta Neto comentou sobre as duas principais posições em seu portfólio: Cosan (CSAN3) e Localiza (RENT3).

O gestor destacou que a Cosan, que tem Rubens Ometto como Chairman, está na carteira da Brasil Capital há quase 15 anos.

“É uma posição importante do fundo pelo mérito de a empresa ter conquistado nossa confiança ao longo do tempo. O grupo foi fazendo aquisições e movimentos estratégicos a cada um ou dois anos, e a gente foi gostando e ficando na empresa. Houve várias transformações, mas toda vez que os movimentos foram feitos, nunca foram triviais”.

Ary vê o Grupo Cosan, ao lado de Equatorial (EQTL3) e Eneva (ENEV3), como os melhores alocadores de capital do Brasil nos últimos anos.

“Quando a Cosan fez o movimento de entrar na Vale, num primeiro momento as ações caíram bastante. A gente tinha uma posição grande e compramos um pouquinho mais. Por mais que o mercado não tenha gostado, temos a visão de que a empresa merece o benefício da dúvida. A perda máxima que a Cosan pode ter, no pior cenário (a ação da Vale cair para R$ 0), seria entre R$ 7 e R$ 8 bilhões. Foi exatamente este valor de mercado que a Cosan perdeu desde que ela anunciou a aquisição. Os investidores não só não deram o benefício da dúvida, como falaram que vai dar errado. É um movimento que simplesmente não faz sentido”, questiona.

Com a queda dos papéis depois do anúncio da aquisição de parte da Vale (VALE3), Ary vê a ação da Cosan ainda mais barata do que já estava. 

“A Cosan já se consolidou a muito tempo como uma holding. Tem a Raízen como um ativo importante, a Vale, que entrou em segundo lugar em termos de contribuição, a Rumo, a Moove, a Compass e a Radar. Quando você compra a Cosan, você está comprando os três ativos listados (Raízen, Vale e Rumo) e os três não listados. E com um desconto de 35%, na nossa opinião, para o que esses ativos valem. Numa visão de médio-longo prazo vemos uma simetria boa nesse preço. Virou uma empresa que está negociando abaixo de 5 vezes Ebitda para 2023, e conta com um track record muito bom”, exalta.

Localiza (RENT3): empresa ‘sabe ganhar dinheiro’

A Localiza (RENT3) é uma posição mais recente que a Cosan no portfólio da Brasil Capital. A tese na empresa de aluguel de automóveis se deu depois que a Localiza comprou a Locamerica, companhia que o gestor tinha na carteira.

“Gostávamos muito da Locamerica em questão de gestão. Quando veio essa aquisição, achamos muito boa do ponto de vista do negócio. Este 3T22 vai ser, efetivamente, o primeiro trimestre das duas empresas combinadas. A Localiza era muito boa em aluguel de carros para pessoa física, e a Locamerica para pessoa jurídica. E agora a Localiza ficou com as duas principais fortalezas”, explica Ary.

O gestor destaca a superioridade perante as concorrentes que a Localiza consolidou com a aquisição.

“Neste momento atual de mercado, achamos que as montadoras estão voltando a produzir. O mercado de carro para concessionária está muito fraco, ninguém mais consegue comprar carro financiado, a venda está caindo. Enquanto isso, a Localiza se vê numa posição que pode negociar com as montadoras, com um caixa desalavancado. A gente acha que a empresa está super bem posicionada, e quando eles estão assim, sabem ganhar dinheiro”.

Smart Fit (SMFT3): empresa tem o que é preciso para ações valorizarem

A gestora Beatriz Fortunato, da Studio Investimentos, destacou a tese em Smart Fit (SMTF3). Ela exaltou duas características que a empresa tem e que são essenciais para o crescimento de qualquer companhia: faz parte de um setor que ganha participação em cima de outros setores e é uma empresa que consegue ganhar market share dentro do próprio setor.

“Você tem o exemplo clássico da Renner que, mesmo o setor de vestuário não crescendo a 12 anos no Brasil, ela cresce 15% ao ano. A Smart Fit tem esses dois drivers de crescimento. Ela está num setor que tem uma dinâmica circular, que é ligada a essa parte de maior preocupação com a saúde e envelhecimento da população. O Brasil tem uma penetração muito baixa de academia. Nos Estados Unidos, uma a cada cinco pessoas vão à academia, na Europa, uma a cada dez, e na América Latina, que é o mercado da Smart Fit, uma em cada 30 pessoas vão. É um setor que deve ganhar participação. E, dentro do setor, a Smart Fit é o grande ganhador de market share. Nos últimos 10 anos ela foi de um market share muito baixo para algo entre 12% e 15%. E, na nossa visão, tem um espaço para crescer ainda mais”.

Beatriz também destacou o fato de a empresa gastar menos da metade dos concorrentes na construção de uma academia e, assim, conseguir cobrar preços mais atrativos aos clientes.

“Quando ela chega, basicamente consome o market share da região inteira. Dada as perspectivas que imaginamos de crescimento, SMFT3 está sendo negociada a valores bastante atrativos”, finaliza.

Vivara (VIVA3): além da qualidade, faltam concorrentes

João Luiz Braga, da Encore Assetement, comentou a tese em Vivara (VIVA3). O gestor destacou a falta de competitividade no setor da companhia, já que a única concorrente direta, Pandora, está saindo do país.

“Vivara enfrentou a questão da inflação super bem, porque a alta dos preços não pega muito pro cliente dela. A empresa criou a marca Life, para fazer o berloque, que a Pandora fazia. Hoje, a Vivara tem a marca número um e dois do Brasil. A segunda é a que ela criou há pouco tempo”.

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