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Eneva (ENEV3) celebra contrato para fornecimento de gás para termelétrica Linhares e inaugura nova avenida de receitas

A geração termelétrica é o principal negócio da Eneva. As usinas da companhia são abastecidas pelas próprias reservas de gás natural.

Por Ruy Hungria

20 jun 2024, 09:21 - atualizado em 20 jun 2024, 09:21

Imagem de logotipo da Eneva sobreposta a imagem do Rio Amazonas
Reprodução/Divulgação Eneva

A Eneva (ENEV3) anunciou ao mercado que celebrou um contrato para fornecimento de gás para a termelétrica Linhares, inaugurando uma nova avenida de receitas para a companhia. 

Lembre-se que o principal negócio da Eneva é a geração termelétrica, por meio do qual suas usinas são abastecidas pelas próprias reservas de gás natural (modelo reservoir-to-wire, ou R2W). 

Eneva já vem expandindo suas linhas de negócio há algum tempo

Nos últimos anos, a Eneva aumentou as frentes de negócio. Primeiro, criou o segmento de comercialização do gás produzido em Parnaíba para indústrias locais.  

Em seguida, adquiriu usinas termelétricas abastecidas com gás importado, com destaque para a Celse, em Sergipe. Nesta transação, a Eneva também garantiu acesso a uma capacidade de regaseificação de 21 milhões de metros cúbicos de gás por dia no terminal de Sergipe. 

Desse volume, aproximadamente 6 milhões de m3 diários de capacidade são dedicados à própria Celse, o que deixava a Eneva com cerca de 15 milhões de m3 diários ociosos para poder vender.

O problema é que vender capacidade ociosa de gás para terceiros não é tarefa simples, porque o transporte rodoviário da molécula costuma ser caro, especialmente em longas distâncias.

Mas isso está próximo de ser solucionado. Nos próximos meses, o terminal de Sergipe estará conectado à malha de gasodutos da TAG, que se estende do Rio de Janeiro até o Ceará

Fonte: Eneva

Isso permitirá à Eneva vender gás para termelétricas distantes do Hub de Sergipe – a termelétrica Linhares, por exemplo, está localizada no Espírito Santo. 

Destalhes do contrato de fornecimento de gás para Linhares

Sobre o contrato firmado, a companhia se comprometeu a entregar até 1,07 milhão de m3 por dia durante 15 anos a partir do início das operações da usina, que está marcada para acontecer em julho de 2026. 

O contrato será composto por uma parcela fixa, que vai remunerar a capacidade cedida, e outra parcela variável, diretamente relacionada ao volume entregue e preços do gás no mercado internacional. 

A única menção sobre valores foi a estimativa de que o contrato envolva uma receita total de R$ 1,2 bilhão durante os 15 anos de vigência, mas como não foram passadas mais informações sobre margens de cada parcela (fixa e variável), ainda não temos como estimar um impacto no valor presente da companhia. 

De qualquer modo, é importante lembrar que ainda há cerca de 14 milhões de m3 diários disponíveis para serem vendidos apenas no Hub Sergipe, o que significa mais cerca de R$ 15 bilhões em contratos se usarmos como proxy o acordo com a termelétrica Linhares. 

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Por que a notícia é positiva?

Mais do que contribuir positivamente para as receitas e para os resultados, há um outro aspecto importante desse novo negócio: ele diversifica as receitas em um momento em que os despachos estão nas mínimas históricas. 

É verdade que a nova cliente também é uma termelétrica, mas a conexão com a TAG abre uma série de possibilidades de novos clientes, como concessionárias de distribuição de gás, distribuidoras independentes, indústrias, e por aí vai. 

Além de novas receitas, isso deve ajudar a trazer uma maior estabilidade para os resultados e uma menor dependência do clima, o que pode inclusive pode contribuir para um re-rating dos papéis. A Eneva (ENEV3) segue entre as recomendações da Empiricus Research.

Sobre o autor

Ruy Hungria

Bacharel em Física formado na Universidade de São Paulo (USP), possui MBA de Finanças na Fipe e iniciou a carreira no mercado financeiro em 2011, na própria Empiricus Research. Está à frente da série da casa focada em opções desde 2018, além de contribuir na elaboração e decisões de investimentos nas séries da Empiricus focadas em microcaps e dividendos, além de fazer o acompanhamento de companhias de diversos setores, com mais foco em Utilities e Oil & Gas. Desde o início de 2020 é colunista do portal Seu Dinheiro.