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Os mercados globais operam em tom mais positivo nesta terça-feira, impulsionados pela perspectiva de uma redução das tensões no Oriente Médio. O presidente Donald Trump afirmou que um acordo para encerrar o conflito com o Irã poderá ser alcançado nos próximos dias e voltou a defender a reabertura imediata do Estreito de Ormuz.
A expectativa de avanço diplomático contribuiu para reduzir parte do prêmio de risco embutido nos mercados de energia, levando o Brent a recuar para a região de US$ 92 por barril. Como consequência, as bolsas globais reagiram positivamente, com destaque para a forte recuperação do mercado sul-coreano e para os ganhos observados nas bolsas europeias e nos futuros americanos.
Apesar do alívio geopolítico, os investidores seguem atentos aos efeitos do forte relatório de emprego divulgado nos Estados Unidos na semana passada, que reforçou a percepção de que o Federal Reserve poderá manter os juros elevados por mais tempo e, em um cenário de inflação mais persistente, até mesmo considerar novas altas.
Nesse contexto, os próximos indicadores de inflação serão fundamentais. Além da geopolítica e da política monetária, o noticiário corporativo voltou a destacar a inteligência artificial como uma das principais narrativas de mercado. A OpenAI protocolou seu pedido de abertura de capital, buscando um valuation que pode alcançar US$ 1 trilhão, movimento que reforça o entusiasmo em torno do setor.
· 00:57 — O peso dos juros
Por aqui, o mercado brasileiro iniciou a semana sob pressão, refletindo a combinação de fatores externos e domésticos que continua desafiando os ativos locais. O Ibovespa recuou 0,21%, encerrando o pregão aos 168.669 pontos, enquanto o dólar avançou para R$ 5,18, atingindo seu maior patamar desde março.
Parte desse movimento foi influenciada pelo cenário internacional, marcado pela continuidade das tensões no Oriente Médio e pela percepção de que os juros americanos deverão permanecer elevados por mais tempo após o forte relatório de emprego divulgado nos Estados Unidos. Esse ambiente fortalece o dólar globalmente, reduz o fluxo de capitais para mercados emergentes e aumenta a pressão sobre economias como a brasileira.
No cenário doméstico, o principal foco continua sendo a deterioração das expectativas para inflação e juros. O Boletim Focus voltou a registrar alta nas projeções para o IPCA de 2026 e para a Selic ao final deste ano, enquanto cresce a percepção de que o Banco Central poderá interromper o ciclo de cortes já na próxima reunião do Copom.
Ao mesmo tempo, a curva de juros abriu de forma expressiva, refletindo não apenas a expectativa de taxas elevadas por um período mais prolongado, mas também as preocupações crescentes com o quadro fiscal (juros reais de 8% são impagáveis).
A combinação entre atividade econômica resiliente, inflação persistente, petróleo mais caro e incertezas sobre a trajetória das contas públicas levou investidores a reavaliar o cenário para a política monetária. Nesse contexto, os próximos dados de inflação, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, serão fundamentais para determinar se essa mudança de percepção continuará ganhando força nas próximas semanas.
· 01:48 — Na expectativa pela inflação
Os mercados americanos iniciaram a semana em recuperação, devolvendo parte das perdas registradas após a forte correção da sexta-feira, quando o Nasdaq registrou sua maior queda diária em pontos da história.
O movimento sugere que os investidores interpretaram a recente turbulência mais como uma realização de lucros após um período de valorização do que como uma mudança estrutural na tendência. O setor de tecnologia, especialmente os segmentos ligados à inteligência artificial e aos semicondutores, continua sendo o principal motor de desempenho das bolsas, sustentado por crescimento robusto dos lucros corporativos e pela percepção de que a transformação tecnológica ainda está em seus estágios iniciais.
Embora a reação aos resultados da Broadcom e as preocupações com avaliações elevadas tenham servido como gatilhos para a correção, a leitura predominante em Wall Street permanece construtiva, refletindo a confiança na capacidade das grandes empresas de tecnologia de continuar expandindo receitas e resultados nos próximos anos.
As atenções agora se concentram na agenda econômica da semana, com destaque para os dados de inflação dos Estados Unidos. A divulgação do CPI de maio, na quarta-feira, e do PPI, na quinta-feira, será fundamental para calibrar as expectativas em relação aos próximos passos do Federal Reserve.
Paralelamente, investidores seguem acompanhando indicadores ligados ao consumo e à confiança das famílias, já que o consumidor continua sendo o principal pilar da economia americana. Apesar das preocupações envolvendo inflação, preços de energia e tensões geopolíticas, o mercado de trabalho permanece robusto e o padrão de consumo segue resiliente, especialmente entre as famílias de maior renda.
Nesse contexto, os mercados continuam tentando equilibrar três forças centrais: uma economia ainda aquecida, a continuidade do ciclo de investimentos em inteligência artificial e a perspectiva de juros elevados por mais tempo. A interação entre esses fatores deverá seguir determinando o comportamento das bolsas, dos títulos públicos e do dólar.
· 02:32 — Amenizou o tom
A tentativa de novo cessar-fogo entre Irã e Israel trouxe algum alívio, mas ainda está longe de representar uma solução para o conflito. Após uma nova rodada de ataques, ambos os países anunciaram a suspensão temporária das ofensivas em resposta aos esforços diplomáticos liderados pelo presidente americano Donald Trump.
Ainda assim, tanto Teerã quanto Jerusalém deixaram claro que poderão retomar as hostilidades caso considerem que seus interesses de segurança foram ameaçados. O principal impasse continua no Líbano. O governo iraniano condiciona avanços mais amplos nas negociações ao fim das operações israelenses contra o Hezbollah, enquanto Israel afirma que continuará atuando contra o grupo até que cessem os ataques contra seu território. O resultado é uma trégua frágil, sustentada mais por conveniência estratégica do que por uma convergência efetiva entre as partes.
Para os mercados, a redução temporária das tensões ajudou a aliviar parte da pressão sobre os preços do petróleo, mas a percepção de risco permanece elevada. As negociações conduzidas pelos americanos continuam incertas, enquanto as ameaças ao tráfego marítimo no Mar Vermelho, as dúvidas sobre a normalização da navegação no Estreito de Ormuz e a continuidade dos confrontos envolvendo o Hezbollah mantêm o cenário geopolítico sensível.
Soma-se a isso o fato de que as prioridades políticas de Trump e Netanyahu nem sempre parecem alinhadas, o que adiciona uma camada adicional de imprevisibilidade ao processo diplomático. Dessa forma, mesmo sem uma escalada imediata, o conflito segue sendo uma fonte relevante de preocupação para os mercados, com potencial para influenciar os preços da energia, as expectativas de inflação e a trajetória dos juros nas principais economias do mundo.
· 03:25 — Um resultado apertado
A eleição presidencial do Peru caminha para um desfecho turbulento, em meio a uma disputa apertada entre a direitista Keiko Fujimori e o esquerdista Roberto Sánchez.
A campanha foi marcada por atrasos logísticos, forte polarização e preocupação crescente dos eleitores com a criminalidade, um tema que também tem ganhado centralidade em outros países da América Latina. A demora de mais de um mês para definir os candidatos do segundo turno ampliou a sensação de desorganização institucional, enquanto protestos em Lima contra Fujimori reacenderam temores ligados ao legado autoritário de seu pai, Alberto Fujimori. Do outro lado, Sánchez também carrega vínculos controversos, especialmente por sua promessa de libertar o ex-presidente Pedro Castillo, preso por conspiração para cometer rebelião.
A apuração tem sido instável e reforça a tradição peruana de eleições extremamente apertadas. Embora Sánchez tenha ultrapassado Fujimori em parte da contagem, a expectativa é de que os votos internacionais possam recolocar a candidata da direita à frente, consolidando sua vitória nos próximos dias.
Caso confirmada, a eleição de Keiko representaria uma nova guinada política na América do Sul em direção a governos mais alinhados ao mercado, ainda que por margem estreita e após quatro tentativas presidenciais. O episódio também oferece uma leitura política mais ampla: mesmo em contextos favoráveis à oposição, níveis elevados de rejeição a um nome ou um determinado legado podem tornar qualquer vitória difícil, custosa e incerta, uma lição relevante para outras disputas na região, inclusive para a oposição no Brasil.
· 04:13 — O difícil caminho da normalização japonesa
O Japão atravessa uma fase delicada de normalização após décadas marcadas por juros extremamente baixos, controle da curva de rendimentos e uma moeda estruturalmente enfraquecida.
A elevação dos rendimentos dos títulos públicos de dez anos para níveis superiores a 2,7% e a permanência do iene acima de 160 por dólar aumentaram a pressão para que o Banco do Japão volte a elevar os juros e para que o Ministério das Finanças considere novas intervenções no mercado cambial.
O desafio é que nenhuma dessas medidas parece suficiente, isoladamente, para promover uma valorização sustentável da moeda. Para que isso ocorra, seria necessário que os juros japoneses superassem a inflação, proporcionando retornos reais positivos aos investidores. Esse cenário, porém, ainda parece distante. Parte relevante da inflação recente foi impulsionada por alimentos, especialmente o arroz, enquanto indicadores mais tradicionais de núcleo inflacionário apontam pressões bem mais moderadas. Em outras palavras, ainda permanece em aberto a questão sobre se o Japão conseguiu, de fato, superar sua longa trajetória de crescimento fraco e tendências deflacionárias.
O quadro fiscal adiciona uma camada extra de complexidade. Com uma dívida pública superior a duas vezes o PIB e a possibilidade de políticas econômicas mais expansionistas sob a liderança de Sanae Takaichi, cresce entre investidores a percepção de que a fragilidade do iene reflete também o elevado endividamento do país.
Intervenções cambiais podem conter movimentos mais extremos no curto prazo, mas tendem a tratar apenas os sintomas, sem resolver os desequilíbrios estruturais. Ao mesmo tempo, a desvalorização da moeda beneficia uma parcela importante das empresas japonesas, especialmente exportadoras e companhias com operações relevantes no exterior, contribuindo para o fortalecimento dos lucros corporativos.
Por essa razão, as ações japonesas continuam apresentando atratividade relativa, apoiadas por avanços em governança, melhora da rentabilidade empresarial e valuations menos exigentes do que as observadas no mercado americano. Ainda assim, para o investidor internacional, a principal conclusão permanece a mesma: o mercado acionário japonês segue oferecendo oportunidades interessantes, mas a exposição ao iene exige atenção e gestão cuidadosa do risco cambial.
· 05:01 — A China na nova corrida pela segurança energética
A energia nuclear voltou ao centro da agenda global, impulsionada por dois vetores relevantes: a forte expansão da demanda por eletricidade dos data centers de inteligência artificial e a renovada preocupação com segurança energética após as tensões no Estreito de Ormuz.
Como fonte de geração firme, estável e sem emissões diretas de carbono, a energia nuclear reúne atributos cada vez mais valorizados no cenário atual: confiabilidade, baixa intermitência e menor dependência de combustíveis fósseis.
Nesse novo ciclo, a China desponta como a grande protagonista. O país responde por quase metade dos novos reatores em construção no mundo e deve alcançar, até 2030, a maior frota nuclear global. Ainda assim, dada a escala gigantesca do sistema elétrico chinês, a energia nuclear continuará representando uma parcela relativamente pequena da matriz, inferior a 10% da geração total, enquanto solar e eólica seguem avançando em ritmo mais acelerado.
O avanço chinês é resultado de uma estratégia de longo prazo baseada em padronização tecnológica, domínio da cadeia de fornecedores e redução de custos. Diferentemente dos Estados Unidos e da França, onde os custos de construção nuclear aumentaram ao longo do tempo, a China conseguiu tornar seus projetos mais competitivos ao concentrar esforços em poucos modelos de reatores, substituir componentes importados por nacionais e reduzir o tempo médio de construção para cerca de seis anos.
O resultado é uma indústria doméstica mais eficiente, capaz de construir usinas nucleares a custos significativamente inferiores aos observados em projetos recentes no Ocidente. Essa vantagem reforça a atratividade da energia nuclear como fonte complementar às renováveis, especialmente em um mundo que precisará de eletricidade abundante, limpa e constante para sustentar a inteligência artificial, a eletrificação industrial e a segurança energética.
O principal gargalo, porém, está no combustível da energia nuclear: o urânio. A oferta global permanece apertada após anos de baixo investimento em mineração desde Fukushima, enquanto a demanda cresce com a retomada da construção de reatores.
A produção mundial está concentrada em poucos países, especialmente Cazaquistão e Canadá, e a China depende de importações para algo entre 80% e 90% de suas necessidades, o que transforma a segurança de suprimento em uma prioridade estratégica.
Por isso, Pequim vem adquirindo participações em minas de urânio, sobretudo na Namíbia e no Cazaquistão, além de ampliar sua capacidade de enriquecimento para reduzir dependências externas. Para os investidores, a mensagem é construtiva: a retomada da energia nuclear fortalece uma tese estrutural para o urânio, que tende a se beneficiar da combinação entre demanda crescente, oferta concentrada, estoques limitados e busca global por fontes de energia limpa.
Nesse contexto, instrumentos como os ETFs Sprott Uranium Miners ETF (URNM) e Global X Uranium ETF (URA), já recomendados neste espaço, continuam sendo alternativas relevantes para investidores que desejam capturar essa tendência de longo prazo.
No mercado brasileiro, o BDR BURA39 desempenha função semelhante ao oferecer exposição ao tema por meio da B3. Ainda assim, por se tratar de uma tese com elevada volatilidade e forte componente temático, entendemos que exposições mais moderadas, tipicamente de até 1% do portfólio, tendem a ser suficientes para capturar seu potencial sem comprometer o equilíbrio geral da carteira. Como sempre, seguem válidos os princípios fundamentais da boa alocação: respeitar o perfil de risco, manter diversificação adequada e construir um portfólio capaz de atravessar diferentes ciclos de mercado com consistência e disciplina.