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Investimentos

Ibovespa hoje (10): nova escalada militar no Oriente Médio, inflação norte-americana, pesquisa eleitoral e mais destaques

Apesar do aumento das tensões no Oriente Médio, a reação dos mercados permaneceu relativamente contida

Por Matheus Spiess

10 jun 2026, 10:25

Atualizado em 10 jun 2026, 10:25

ibovespa ações mercado

Imagem: iStock/ @ASMR

A nova escalada militar entre Estados Unidos e Irã voltou a pressionar os mercados globais após forças americanas realizarem ataques contra alvos iranianos em resposta à derrubada de um helicóptero Apache nas proximidades do Estreito de Ormuz.

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Teerã prometeu retaliar e respondeu com ataques contra algumas posições americanas na região, enquanto países do Golfo elevaram seus níveis de alerta diante do risco de ampliação do conflito. Apesar do aumento das tensões, a reação dos mercados permaneceu relativamente contida.

O petróleo chegou a avançar de forma mais expressiva, mas devolveu parte dos ganhos após a confirmação de que a operação americana havia sido concluída, reduzindo os temores de uma interrupção imediata do fluxo de petróleo pela principal rota energética do mundo.

Paralelamente, a atenção dos investidores migrou rapidamente para a inflação americana. Após um payroll mais forte do que o esperado e uma significativa reprecificação dos juros globais, o CPI de maio passou a ocupar o centro das atenções como principal determinante da direção dos mercados no curto prazo.

Ao mesmo tempo, sinais de inflação mais elevada na China e no Japão reforçam a percepção de que o cenário global segue marcado pela combinação de riscos geopolíticos e pressões inflacionárias persistentes.

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· 00:57 — A conta vai chegar

O mercado brasileiro apresentou uma performance relativamente resiliente na terça-feira, com o Ibovespa avançando 0,68% após três sessões consecutivas de queda, enquanto o dólar encerrou o dia praticamente estável, a R$ 5,18.

O movimento ocorreu na contramão das principais bolsas internacionais, pressionadas pela realização de lucros em ações de tecnologia e pelo aumento das tensões no Oriente Médio. Entre os destaques do dia, o governo passou a discutir medidas para mitigar os efeitos da alta do petróleo sobre a inflação, incluindo a ampliação da mistura obrigatória de etanol na gasolina e iniciativas voltadas à redução da carga tributária sobre combustíveis.

É possível que novas medidas sejam anunciadas nessa direção, embora parte delas possa aumentar as preocupações em torno da trajetória fiscal, especialmente em um ambiente já marcado por elevado grau de incerteza sobre as contas públicas.

No campo político, a agenda doméstica segue intensa. O Senado deve analisar a PEC que amplia a autonomia orçamentária do Banco Central, em um momento em que a credibilidade da política monetária continua sendo um ativo relevante para a economia brasileira.

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Uma maior proteção institucional tende a reduzir percepções de interferência política na condução da autoridade monetária, fortalecendo a previsibilidade e a eficácia das decisões de juros, especialmente em um contexto de inflação persistente e condições financeiras mais apertadas.

Paralelamente, a crescente disputa global por minerais críticos levou Estados Unidos e União Europeia a intensificarem esforços para garantir acesso às reservas brasileiras de terras raras, reforçando a relevância estratégica do país na nova geopolítica dos recursos naturais.

Por fim, no cenário eleitoral, pesquisa Genial/Quaest mostrou o presidente Lula liderando as intenções de voto para 2026, tanto no primeiro turno quanto no segundo turno contra Flávio Bolsonaro. O levantamento também apontou desgaste para o senador após os recentes episódios envolvendo seu nome, tema que passou a influenciar a percepção de uma parcela relevante do eleitorado, inclusive entre grupos tradicionalmente mais alinhados ao bolsonarismo.

Em disputas polarizadas, a capacidade de preservar apoio entre eleitores independentes e de centro costuma desempenhar papel decisivo, o que torna esse movimento um elemento importante para o acompanhamento do cenário político nos próximos meses.

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· 01:45 — Uma inflação contaminada

A recuperação das ações de semicondutores mostrou-se passageira, com o setor voltando a liderar as perdas em Wall Street diante de uma combinação de realização de lucros, preocupações com possíveis excessos de valuation associados à inteligência artificial e da migração de recursos para o aguardado IPO da SpaceX.

Apesar da fraqueza observada nas empresas de tecnologia, a maior parte dos setores do S&P 500 encerrou o pregão em alta, enquanto a volatilidade também foi influenciada por novos desdobramentos geopolíticos envolvendo Estados Unidos e Irã. O movimento reforça a percepção de que os mercados atravessam um período marcado por oscilações mais frequentes, elevada sensibilidade ao fluxo de notícias e um retorno gradual da atenção dos investidores aos fundamentos econômicos.

Nesse contexto, as atenções se voltam para a divulgação do CPI de maio nos Estados Unidos, considerado o principal evento macroeconômico da semana. Como era esperado, houve uma aceleração da inflação anual de 3,8% para 4,2%, impulsionada principalmente pelo avanço dos preços de energia, enquanto o núcleo do índice, que exclui itens mais voláteis, subiu de 2,8% para 2,9%, sugerindo que parte das pressões inflacionárias começa a se disseminar por outros segmentos da economia.

Após um payroll mais forte do que o esperado e a recente reprecificação dos juros globais, o dado ganha relevância adicional por seu potencial de influenciar as expectativas para a política monetária do Federal Reserve. Tal dinâmica de inflação pode reacender as discussões sobre novas elevações de juros (o que ainda acho improvável).

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· 02:39 — Mercado não acredita na escalada

Os Estados Unidos realizaram uma nova rodada de ataques contra alvos iranianos em resposta à derrubada de um helicóptero Apache nas proximidades de Omã, episódio que voltou a elevar as tensões no Oriente Médio.

Embora Donald Trump continue afirmando que um acordo com o Irã poderia ser alcançado em poucos dias, os acontecimentos recentes apontam para uma escalada do conflito. O governo iraniano prometeu retaliar as ações americanas, Israel ampliou suas operações contra o Hezbollah no Líbano e autoridades de Teerã passaram a alertar sobre os riscos enfrentados por forças estrangeiras posicionadas próximas ao território iraniano. Até o momento, cerca de 14 militares americanos morreram no conflito, enquanto o número de vítimas no Irã e no Líbano já ultrapassa 7 mil pessoas.

Apesar da deterioração do ambiente geopolítico, a reação dos mercados permaneceu relativamente contida. O petróleo voltou a subir, o dólar ganhou força e as bolsas asiáticas recuaram, mas os investidores parecem interpretar os ataques americanos como limitados e ainda compatíveis com a continuidade das negociações diplomáticas. Em meio a sinais contraditórios sobre o futuro do conflito e das conversas envolvendo o programa nuclear iraniano, a atenção dos mercados segue concentrada nos dados de inflação dos Estados Unidos.

· 03:24 — Um novo passo no mercado de inteligência artificial

A Anthropic anunciou o Claude Fable 5, uma versão mais segura e restrita de seu avançado modelo Mythos, que até recentemente era considerado poderoso demais para ser disponibilizado amplamente ao público.

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O novo sistema incorpora mecanismos de segurança capazes de bloquear consultas potencialmente sensíveis, redirecionando temas como armas biológicas e segurança cibernética para modelos menos sofisticados. Paralelamente, a companhia segue ampliando o acesso ao Claude Mythos 5 apenas para parceiros selecionados, com o objetivo de identificar vulnerabilidades e aperfeiçoar seus protocolos de segurança. O lançamento ocorre em um momento particularmente relevante para a empresa, que recentemente abriu capital e alcançou uma avaliação próxima de US$ 965 bilhões.

Ao mesmo tempo, o superciclo de semicondutores impulsionado pela inteligência artificial continua ganhando força. Diferentemente dos ciclos anteriores, normalmente associados à reposição de estoques ou a oscilações de curto prazo na demanda por eletrônicos, o movimento atual parece refletir uma expansão estrutural da infraestrutura global de IA.

A forte demanda por chips de memória avançados, servidores especializados e componentes voltados para data centers vem impulsionando receitas, preços e ações do setor, especialmente em polos estratégicos como Coreia do Sul e Taiwan. Nesse contexto, Taiwan avalia endurecer as restrições à exportação de chips de inteligência artificial para a China, em alinhamento com os Estados Unidos, reforçando o caráter cada vez mais geopolítico da disputa tecnológica global.

· 04:12 — Megagasoduto

Após décadas tratados como projetos excessivamente caros e de execução complexa, dois megagasodutos africanos voltaram ao centro das atenções em meio à busca global por novas fontes de energia.

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De um lado, Argélia, Níger e Nigéria avançam com o Gasoduto Transaariano; de outro, o Marrocos defende uma rota alternativa pela costa atlântica, conectando a Nigéria ao norte da África. Impulsionados pelas mudanças geopolíticas provocadas pelas guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, os projetos refletem não apenas a necessidade europeia de diversificar o abastecimento de gás, mas também a histórica disputa por influência entre Marrocos e Argélia.

Apesar dos custos elevados, dos desafios de financiamento e dos riscos de segurança ao longo do Saara, a crescente demanda por segurança energética torna essas iniciativas mais plausíveis do que em qualquer outro momento das últimas décadas. A grande questão, agora, não é mais a relevância estratégica desses projetos, mas a capacidade de transformá-los em realidade.

· 05:06 — Qualidade operacional em um setor mais seletivo

A conversa do nosso time com a gestão da Multiplan reforçou nossa percepção de que a companhia continua operando em um patamar diferenciado dentro do setor de shoppings. A empresa segue apoiada em um portfólio de ativos dominantes, localizados em regiões estratégicas e cada vez mais adaptados às novas dinâmicas de consumo.

O fluxo de visitantes passou a depender menos das tradicionais lojas âncora e mais de experiências, gastronomia, entretenimento e serviços, um movimento que tem permitido à companhia aprimorar continuamente seu mix de lojistas e sustentar um desempenho operacional superior à média do mercado.

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Do ponto de vista operacional, a expectativa continua sendo de crescimento de vendas acima do setor, impulsionado tanto pela qualidade dos ativos quanto pela captura de valor das recentes expansões em empreendimentos como Morumbi Shopping, BH Shopping e BarraShopping.

Embora a reforma tributária e fatores sazonais, como a Copa do Mundo, possam gerar ruídos no curto prazo, a administração entende que a qualidade dos ativos e a capacidade de reciclagem do portfólio tendem a mitigar boa parte desses impactos. Em alguns casos, esse processo pode inclusive abrir espaço para a entrada de novas marcas e operadores mais alinhados ao posicionamento premium dos empreendimentos.

Na frente financeira, a companhia segue demonstrando elevada disciplina de capital. A venda de participações minoritárias em alguns ativos contribuiu para a redução da alavancagem, enquanto a sólida geração de caixa preserva a flexibilidade financeira e pode abrir espaço para uma remuneração mais robusta aos acionistas.

Com FFO yield projetado ao redor de 9%, potencial de dividend yield próximo de 6% e ações negociando a cerca de 11 vezes o FFO esperado para 2027, entendemos que a Multiplan (MULT3) continua reunindo uma combinação atrativa de ativos de alta qualidade, balanço sólido e valuation descontado, permanecendo bem posicionada para capturar uma eventual melhora do ambiente macroeconômico e do varejo nos próximos anos.

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.