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Eneva (ENEV3) é afetada pelas condições hidrológicas e resultado do 3T22 é ruim; o que esperar da ação?

Geração de energia cai de 4.280 gigawatt-hora (GWh) no 3T21 para 1.798 GWh no trimestre atual; apesar disso, projetos que vão entrar em operação nos próximos anos dão esperança

Por Ruy Hungria

11 de novembro de 2022, 10:58

Imagem de homem com uniforme da Eneva olhando para uma máquina de extração de gás Eneva (ENEV3)
Reprodução/Divulgação Eneva

A Eneva (ENEV3) divulgou na noite de ontem (10) seu resultado referente ao 3T22.

Depois de um 2021 muito forte, ajudado pela baixa quantidade de chuvas no país, os resultados de 2022 da Eneva seguem fracos, afetados pela recuperação dos reservatórios e redução da necessidade de geração termelétrica

O despacho médio ponderado pela capacidade instalada caiu de 98% no 3T21 para 39% no 3T22. Em termos de geração de energia, a quantidade caiu de 4.280 GWh no 3T21 para 1.798 GWh no 3T22.

Apesar desse impacto negativo, os resultados foram amenizados pela entrada em operação de Jaguatirica II, em Roraima, exportações de energia para a Argentina (assim como já havia ocorrido no 2T22) e consolidação dos resultados da Termofortaleza, recentemente adquirida. 

Mas isso não foi suficiente para impedir uma queda relevante nos resultados operacionais. No consolidado, o Ebitda até cresceu, para R$ 598 milhões, mas com um grande efeito positivo não recorrente (+R$ 216 milhões) da compra da Termofortaleza. Excluindo esse efeito, teríamos visto um recuo de aproximadamente -33% no Ebitda na comparação com o 3T21. 

Lucro líquido da Eneva recua 34% na comparação anual

No trimestre, também houve um efeito negativo no resultado financeiro devido a um swap que a Eneva realizou para trocar indexadores de dívida, o que impactou o resultado final em mais cerca de -R$ 100 milhões. 

Com isso, o lucro líquido atingiu R$ 237 milhões, recuo de -34% na comparação anual, abaixo das expectativas do mercado. 

Como ponto positivo, a companhia apresentou uma boa geração de caixa operacional (+R$ 110 milhões a mais do que no 3T21) e a posição de caixa segue robusta (R$ 9 bilhões) para fazer frente à nova rodada de investimentos. 

Descoberta ajuda a trazer ânimo em meio ao momento ruim

Além disso, na noite de ontem (10) a Eneva declarou a comercialidade de mais uma descoberta na Bacia do Parnaíba, com estimativa de 5,6 bilhões de metros cúbicos de gás, o que deve ajudar a trazer um pouco de ânimo neste momento de resultados em queda. 

Apesar de resultados afetados pelas condições hidrológicas, continuamos gostando de ENEV3, que conta com vários projetos rentáveis entrando em operação nos próximos anos, além de muitas opcionalidades pela frente, como a abertura do mercado de gás e descobertas de novas acumulações da molécula. 

Sobre o autor

Ruy Hungria

Bacharel em Física formado na Universidade de São Paulo (USP), possui MBA de Finanças na Fipe e iniciou a carreira no mercado financeiro em 2011, na própria Empiricus Research. Está à frente da série da casa focada em opções desde 2018, além de contribuir na elaboração e decisões de investimentos nas séries da Empiricus focadas em microcaps e dividendos, além de fazer o acompanhamento de companhias de diversos setores, com mais foco em Utilities e Oil & Gas. Desde o início de 2020 é colunista do portal Seu Dinheiro.