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Entenda por que Vivo (VIVT3) pode ter dividend yield de 10% ao ano com eventual redução de capital

Solicitação feita em fevereiro foi aprovada pela Anatel e é uma das etapas para favorecer o acionista de Vivo com mais proventos.

Por Nicole Vasselai

18 de setembro de 2023, 17:19

Vivo Telefônica Brasil VIVT3
Imagem: Divulgação/Vivo

Nesta segunda-feira (18), a Telefônica Brasil (VIVT3), dona da Vivo, anunciou que recebeu aval da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para realizar uma ou mais reduções de seu capital social (R$ 63,571 bilhões) em até R$ 5 bilhões. A empresa havia feito o pedido em fevereiro de 2023.

O que seria uma redução de capital?

Conforme explica o analista de ações Richard Camargo, da Empiricus Research, essa base de capital é formada pelo lucro atingido por uma empresa em seus resultados operacionais. A companhia pode usar esses recursos para qualquer emergência que venha a ter no futuro. Com uma redução de capital, a ideia seria distribuir essa parcela aos acionistas, em forma de proventos.

“No caso da Vivo, essa estrutura de capital que a empresa tem atualmente é muito maior do que o necessário para continuar conduzindo a empresa no dia a dia. Não são necessários 64 bilhões de reais como reserva. É um caução que, podemos dizer, é desproporcional. Teria que haver um cenário muito catastrófico para precisar de tudo isso”, comenta o analista.

Por isso, segundo ele, a empresa continuará com suas operações saudáveis caso realize em algum momento essa redução de capital.

Por que a Vivo quer reduzir capital?

“Normalmente, a prioridade número 1, 2 e 3 de quem investe em Vivo é receber proventos, uma vez que a empresa distribui 100% de seu lucro líquido por meio de dividendos e juros sobre capital próprio. E o principal motivo de frustração desse perfil de acionista que busca renda é a redução de dividendos”, explica Richard.

De acordo com o analista, o que acontece é que, nos últimos 18 meses, o lucro líquido, e portanto a distribuição de dividendos, ficou bastante pressionada pela Selic elevada e pela aquisição dos ativos da Oi. E, comparado a 2021, 2020 e 2019, por exemplo, a estimativa de lucro para 2023 é menor. Em 2019, o resultado foi de R$ 6 bilhões, enquanto o projetado para este ano é de R$ 4 bilhões, o que significaria dividendos menores.

“Então, uma maneira que a Vivo encontrou de acatar melhor as expectativas do acionista de renda é com a possibilidade de reduzir capital, já que esse dinheiro não vai fazer falta e emplacaria uma melhora no humor do mercado“.

Richard também esclarece que essa redução de capital ainda deve passar por algumas etapas até ser aprovada, estimadas para ocorrerem este ano ou, no mais tardar, início do ano que vem.

Como Vivo distribuiria os proventos após uma eventual redução de capital?

Se houver aprovação em todas as fases, a companhia poderia optar pela distribuição do valor integral de uma vez ou por fracioná-lo ao longo de trimestres ou anos.

“Eu acredito que seja mais propícia a segunda opção, em que a Vivo usaria essa parcela do capital para buscar uma suavização de quaisquer efeitos que pudessem prejudicar o pagamento de proventos nos próximos anos. Ou seja, mesmo que ela viesse a ter uma queda no resultado operacional, poderia continuar proporcionando dividendos gordos. Acho que a tendência natural seria fracionar essa distribuição ao longo de três anos“.

Mas, ele ressalta, ainda não se sabe qual o valor reduzido pela companhia.

O efeito prático, segundo ele, é que, independentemente da política que a empresa adotar, existe um patamar de dividendo maior sendo precificado neste momento. “Então, se hoje o mercado fala em um dividend yield de 7, 7,5%, isso puxaria o indicador para 10%, por exemplo. Esse é um efeito imediato, mesmo que a Vivo fracionasse a distribuição de proventos“, finaliza.

Diante desse cenário, Vivo (VIVIT3) continua sendo uma recomendação da Empiricus Research para quem busca previsibilidade e negocia a 4x EV/Ebitda, considerado um valuation atrativo, na visão de Richard.

Para conferir a entrevista completa do analista sobre o case, clique aqui:

Sobre o autor

Nicole Vasselai

Editora do site da Empiricus. Jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero, com MBA em Análise de Ações e Finanças e passagem por portais de notícias e fintechs.