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Investimentos

Ibovespa e Nasdaq renovam máximas históricas, dólar opera abaixo de R$ 5 e petróleo em queda; veja destaques desta terça (6)

Ibovespa renova seu recorde com alta de 7,7%, enquanto índice dos EUA sobe com ajuda das big techs

Por Ruy Hungria

06 out 2026, 10:27

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Atualizado em 06 out 2026, 10:27

bear market ibovespa queda mercado ações

Imagem: iStock/ Mininyx Doodle

Os mercados globais começam a terça-feira animados, dando continuidade ao sentimento positivo da véspera, quando o Nasdaq renovou sua máxima histórica e o S&P 500 ficou muito perto de bater o próprio recorde.

Contribui para o bom humor o movimento de correção do brent, que se consolida abaixo dos US$ 100/barril novamente, aliviando os receios com inflação.

No Brasil o sentimento ainda é de certa euforia, após um pregão histórico para o Ibovespa, que fechou pela primeira vez acima dos 200 mil pontos (mais sobre isso abaixo). O mercado acompanha de perto as movimentações políticas e a busca por apoios dos candidatos, enquanto aguarda a primeira pesquisa para o segundo turno, que sai na quinta-feira.

A agenda econômica desta terça-feira é esvaziada: traz a balança comercial no Brasil e alguns discursos de integrantes do Fed, que podem dar sinais sobre a política monetária nos Estados Unidos.

01:15 – Acima dos 200 mil

O Ibovespa renovou seu recorde e teve a maior alta desde março de 2020, de 7,7% — quando o mercado estava extremamente volátil por conta da pandemia.

Há algum tempo falávamos que o valuation dos ativos brasileiros parecia assimétrico, e o pregão de ontem deixou isso claro. Por menos de 10x preço/lucro, o Ibovespa continua negociando a preços atrativos pensando no médio e longo prazo, especialmente se algum ajuste fiscal for implementado.

Por outro lado, depois de uma alta tão intensa, não nos surpreenderíamos se o índice parasse alguns dias para respirar ou até mesmo mostrasse alguma correção — o que seria absolutamente natural e até saudável.

02:15 – Na contramão da festa

A busca por nomes altamente sensíveis a uma possível mudança provocou algumas distorções interessantes de curto prazo. Suzano, Klabin, Usiminas, Embraer, Gerdau, Vale e Weg caíram no pregão de ontem, em grande parte pelo fato de suas receitas serem dolarizadas — o que é compreensível, já que o dólar recuou 4,4% e pode seguir nessa trajetória a depender das sinalizações sobre gastos.

Mesmo com esse efeito negativo, entendemos que um cenário de juros estruturalmente mais baixos seja amplamente benéfico para a maioria desses nomes, especialmente Gerdau e Weg, que também têm exposição à melhora do ambiente interno.

Para quem está buscando algumas oportunidades que ficaram para trás após o movimento de ontem, gosto bastante desses dois nomes nos níveis atuais.

03:35 – Não foi só aqui

Não foi só a Bolsa brasileira que bateu recorde. Nos Estados Unidos, o Nasdaq também renovou sua máxima histórica, ajudado por big techs como Nvidia, Microsoft e Meta. O S&P 500 ficou apenas 0,3% abaixo do all time high.

Desde sexta-feira o humor nas bolsas norte-americanas melhorou significativamente, após um payroll abaixo das expectativas e um recuo nos preços do petróleo que ajudaram a reduzir as apostas em um aumento dos juros na próxima reunião — as chances de uma alta caíram de 70% para menos de 30%.

Vale lembrar que a temporada de resultados do 3T26 nos Estados Unidos terá início na semana que vem, com os grandes bancos. Os analistas esperam expansão de 30% dos lucros das empresas do S&P 500 na comparação anual, que devem ser impulsionados por investimentos em inteligência artificial.

A depender dos números, podemos ver renovação dos recordes ou, então, a volta do ceticismo com as teses relacionadas à IA.

05:15 – Relaxada e no shape

Pegando carona na valorização da maioria dos ativos brasileiros, a Smartfit (SMFT3) subiu quase 18% no pregão de ontem, mas não foi só por causa do resultado do primeiro turno. A companhia anunciou a aquisição de 20% da rede Buddha Spa, por R$ 32 milhões, com a opção de aumentar a participação para até 30% no futuro.

Em termos financeiros, a transação tem pouco impacto, pois representa apenas 0,3% do valor de mercado da Smartfit. Por outro lado, ela mostra como a rede de academias está buscando agregar cada vez mais serviços ao seu portfólio.

O Buddha Spa já é oferecido em alguns planos do TotalPass, da própria Smartfit. No entanto, a aquisição deve ajudar a estreitar os laços entre as redes e pode até resultar em uma relação de exclusividade, o que contribui para aumentar a percepção de valor diante das concorrentes.

Apesar de não ser um game changer para a tese, esse é mais um exemplo de como a Smartfit consegue crescer além das academias, identificando segmentos de mercado com boa capacidade de crescimento e consolidação e que, ao mesmo tempo, ajudam a reforçar a percepção de valor do ecossistema.

Por menos de 10x lucros esperados para 2027 e com grande potencial de crescimento, Smartfit é uma das nossas teses preferidas no varejo.

Bacharel em Física formado na Universidade de São Paulo (USP), possui MBA de Finanças na Fipe e iniciou a carreira no mercado financeiro em 2011, na própria Empiricus Research. Está à frente da série da casa focada em opções desde 2018, além de contribuir na elaboração e decisões de investimentos nas séries da Empiricus focadas em microcaps e dividendos, além de fazer o acompanhamento de companhias de diversos setores, com mais foco em Utilities e Oil & Gas. Desde o início de 2020 é colunista do portal Seu Dinheiro.