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Investimentos

Ibovespa hoje: Decisões de juros no Brasil e nos EUA, prévia da Vale (VALE3), balanços das big techs e mais destaques

Ibovespa renovou as máximas históricas no pregão de terça-feira (27), encerrando em 181.919 pontos

Por Matheus Spiess

28 jan 2026, 09:39

Atualizado em 28 jan 2026, 09:44

brasil ibovespa mercado investimentos

Imagem: iStock/ Alex Sholom

Chegamos à tão aguardada Super Quarta, com o mercado já bastante confortável em relação às decisões de juros em si e cada vez mais atento às mensagens implícitas nas comunicações e no tom adotado pelas autoridades monetárias nos Estados Unidos e no Brasil.

Em ambos os casos, a expectativa é de manutenção das taxas: nos EUA, após três cortes consecutivos no fim do ano passado; no Brasil, depois de um período prolongado em patamar claramente restritivo.

As verdadeiras questões, portanto, estão nas entrelinhas. Haverá espaço para novos cortes ainda neste ano nos EUA? Como o Federal Reserve avalia o mercado de trabalho, a dinâmica da inflação e o ritmo da atividade? E como Jerome Powell enxerga o debate sobre sua sucessão e os riscos de politização da política monetária?

No Brasil, o dilema é semelhante: embora exista discussão sobre um possível corte de 25 pontos-base já nesta reunião, o cenário mais provável envolve a manutenção da Selic agora, acompanhada de um discurso potencialmente mais flexível, abrindo caminho para o início do ciclo em março — e deixando em aberto se esse movimento começará de forma mais gradual, com 25 pontos, ou mais intensa, com 50. Em suma, a Super Quarta chegou, mas o mercado parece já estar olhando além dela.

Nesse pano de fundo, o dólar voltou a se enfraquecer e tocou o menor nível desde 2022 após declarações de Donald Trump minimizando a desvalorização da moeda, o que reforçou apostas em um ciclo mais prolongado de dólar fraco.

Ao mesmo tempo, cresce a expectativa pelos resultados das grandes empresas de tecnologia — com destaque para Meta Platforms, Microsoft e Tesla — que serão divulgados hoje à noite e podem influenciar o humor dos mercados.

Na Ásia, as bolsas avançaram de forma expressiva, puxadas por tecnologia e inteligência artificial, enquanto na Europa prevaleceu uma postura mais cautelosa antes das decisões de política monetária. Nos Estados Unidos, os futuros operam com leve viés positivo nesta manhã, refletindo um equilíbrio delicado entre cautela e apetite por risco.

· 00:57 — Novas máximas

No Brasil, após a pausa da segunda-feira, o Ibovespa voltou a subir com força ontem e renovou máximas históricas, encerrando o pregão aos 181.919 pontos, depois de ter superado a marca de 183 mil pontos ao longo do dia.

Em paralelo, o dólar voltou a recuar, acompanhando o movimento global de enfraquecimento da moeda americana, e fechou em torno de R$ 5,20 — o menor nível desde maio de 2024 — em um contexto de desvalorização generalizada do dólar sob o governo de Donald Trump, que levou a divisa americana, no exterior, ao patamar mais baixo desde fevereiro de 2022.

Como temos destacado, o fluxo de capital estrangeiro segue intenso em janeiro e continua sendo um dos principais vetores de sustentação do rali da bolsa brasileira.

A esse pano de fundo soma-se a divulgação de dados de inflação abaixo do esperado e, qualitativamente, menos preocupantes do que se temia — ainda que com alguns pontos de atenção —, o que reforçou a leitura de que o ciclo de cortes de juros está se aproximando, como comentamos ontem.

Mesmo que a redução não se concretize já nesta primeira reunião do Copom do ano, a expectativa é de ao menos uma comunicação mais flexível, com a retirada de termos excessivamente cautelosos e a sinalização clara de que os cortes devem começar em breve, seja com 25 pontos agora, seja em março — quando, dependendo dos dados, não se pode descartar um início mais intenso.

De qualquer forma, a perspectiva de início do ciclo já é, por si só, um elemento construtivo para os ativos de risco. Ainda na agenda, o mercado digere o relatório de produção e vendas da Vale, divulgado na noite de ontem, que contribuiu para a alta das ações da companhia no pré-mercado desta quarta-feira lá fora.

· 01:49 — Pressão sobre o dólar

Os mercados asiáticos iniciaram o dia sob forte pressão vendedora sobre o dólar após declarações de Donald Trump relativizando a desvalorização da moeda americana, o que acabou reforçando a leitura de que o dólar pode estar ingressando em um ciclo mais duradouro de enfraquecimento.

A reação foi imediata: o índice do dólar registrou a maior queda diária desde a implementação das tarifas no ano passado, diversas moedas asiáticas se apreciaram de forma relevante e o ouro renovou máximas históricas acima de US$ 5.200 por onça.

Esse movimento reforçou a percepção do chamado debasement trade, no qual investidores passam a buscar proteção em ativos reais diante da perda gradual de poder de compra das moedas fiduciárias, ao mesmo tempo em que o mercado começa a trabalhar com um cenário menos convencional — de dólar estruturalmente mais fraco coexistindo com uma economia americana ainda resiliente — justamente às vésperas da decisão de política monetária do Fed.

· 02:34 — Sem novos cortes no radar

Nos EUA, investidores estão pagando prêmios recordes para se proteger de uma queda mais acentuada do dólar, enquanto o sentimento negativo já se estende também ao longo prazo. Esse movimento ocorre em meio à piora da confiança do consumidor nos EUA — no menor nível em 12 anos.

No mercado acionário, os índices seguiram resilientes às vésperas do FOMC, com o S&P 500 em máxima histórica e o Nasdaq se aproximando de recordes, apesar da queda do Dow Jones puxada por resultados fracos da UnitedHealth.

A expectativa é de manutenção dos juros pelo Fed, com o foco totalmente voltado para o tom de Jerome Powell — especialmente sobre espaço para cortes futuros, avaliação do mercado de trabalho e a independência do banco central.

Paralelamente, a agenda corporativa ganha protagonismo, com a divulgação dos balanços de Meta, Microsoft e Tesla, que devem ser determinantes para o humor dos mercados e para a continuidade do rali das ações, em especial no setor de tecnologia.

· 03:21 — Outro acordo histórico

A União Europeia e a Índia concluíram um acordo comercial de caráter histórico após quase duas décadas de negociações, em um movimento que ilustra a rápida reconfiguração do comércio global em um ambiente marcado pelas tarifas mais agressivas adotadas pelos Estados Unidos sob Donald Trump.

O pacto prevê a eliminação ou a redução gradual de tarifas sobre aproximadamente 97% das exportações da União Europeia para a Índia e 99% das exportações indianas para o bloco europeu ao longo de um período de sete anos, com a expectativa de que as vendas europeias ao mercado indiano possam dobrar até 2032.

Do ponto de vista estratégico, o acordo contribui para a redução da dependência europeia em relação aos EUA e à China, ao mesmo tempo em que ajuda a Índia a suavizar sua imagem historicamente protecionista e a diversificar suas alianças comerciais. A implementação do tratado, contudo, ainda depende da aprovação final dos respectivos parlamentos.

· 04:18 — O tão esperado desfecho

Recentemente, a TikTok comunicou a conclusão de um acordo para a criação de uma nova entidade operacional nos Estados Unidos, a TikTok USDS Joint Venture, que passará a ser controlada por investidores não chineses, colocando um ponto final em uma disputa regulatória que se estendia há quase seis anos.

Pelo arranjo, a ByteDance manterá uma participação minoritária de 19,9%, enquanto Silver Lake, Oracle e MGX assumem o controle da operação, com Adam Presser à frente como CEO. Além disso, o algoritmo da plataforma será hospedado em data centers da Oracle em território americano, movimento que busca mitigar preocupações de segurança nacional e reduz de forma relevante o risco de um eventual banimento do aplicativo no país.

· 05:03 — O rali brasileiro vai continuar?

O Ibovespa acumula alta próxima de 13% neste ano e cerca de 46% nos últimos 12 meses — desempenho que, quando observado em dólares, é ainda mais expressivo, com valorização ao redor de 65% nesse mesmo intervalo. Parte relevante desse movimento está associada à própria fraqueza do dólar no cenário global: o Dollar Index (DXY), que mede a força da moeda americana frente a uma cesta de divisas, encontra-se no menor patamar desde 2022, após ter registrado, em 2025, o pior desempenho anual desde a década de 1970. Esse pano de fundo ajudou a impulsionar ativos locais, em linha com o que se observa em outras praças internacionais. Ao longo desse processo, conseguimos capturar bem essa dinâmica por meio de recomendações estruturais — como ETFs amplos (BOVA11, SMAL11 e DIVO11) e ações individuais selecionadas para complementar as carteiras locais. A pergunta que naturalmente se impõe agora é se esse rali brasileiro ainda tem fôlego para continuar.

A nossa leitura parte, antes de tudo, de uma…

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.