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O conflito no Oriente Médio permanece no centro das atenções. Donald Trump tem pressionado China e outros países a contribuírem para a segurança do Estreito de Ormuz, afirmando que os Estados Unidos estão em negociações com cerca de sete nações para formar uma força internacional destinada a garantir a navegação na região. A resposta internacional, no entanto, tem sido até agora bastante cautelosa, enquanto as mensagens contraditórias do presidente americano ampliam a incerteza sobre os objetivos e a duração da guerra. Ao mesmo tempo, o Irã rejeitou a possibilidade de negociações de cessar-fogo e intensificou ataques na região do Golfo. Com o conflito entrando em sua terceira semana, os preços do petróleo se mantêm cima da marca de US$ 100 por barril, elevando os riscos para a economia global, especialmente para países mais dependentes da importação de energia.
Nos mercados financeiros, esse choque energético segue dominando as expectativas. A alta do petróleo tem pressionado as perspectivas de inflação e levando investidores a postergarem as apostas de cortes de juros pelo Federal Reserve, agora mais concentradas entre o fim de 2026 e o início de 2027. As bolsas globais operam sem direção clara, refletindo um ambiente de elevada incerteza, no qual o petróleo, o conflito geopolítico e as decisões de política monetária continuam sendo os principais vetores de volatilidade. Paralelamente, os dados mais recentes da economia chinesa indicaram um início de 2026 mais sólido do que o esperado. Ainda assim, permanece o risco de que a escalada do conflito e os preços mais elevados da energia acabem afetando o comércio internacional e o ritmo de crescimento da economia chinesa.
· 00:56 — Expectativas pressionadas
No Brasil, as expectativas de inflação voltaram a apresentar deterioração, segundo o Boletim Focus, refletindo principalmente a combinação de dados recentes de atividade mais fortes do que o esperado, inflação acima das projeções e o petróleo Brent acima de US$ 100 por barril. Esse ambiente mais pressionado tem levado o mercado a revisar suas apostas para a próxima reunião do Copom. O cenário que anteriormente contemplava um corte inicial de 50 pontos-base na Selic praticamente saiu do radar, dando lugar à expectativa de um movimento mais cauteloso, de 25 pontos-base, em linha com o que o próprio Banco Central indicou como possibilidade em seu último comunicado. Há, inclusive, uma ala mais conservadora do mercado que já discute a hipótese de manutenção da taxa, embora essa alternativa ainda pareça excessivamente restritiva neste momento, já que um início mais contido era possível.
Diante desse quadro, uma estratégia plausível para a autoridade monetária seria iniciar o ciclo com um corte de 25 pontos-base acompanhado de um comunicado mais firme, reforçando a cautela em relação à trajetória futura dos juros. Ainda assim, o simples fato de o mercado passar a discutir um ritmo mais lento de afrouxamento já tem impacto relevante sobre os ativos domésticos. Na última sexta-feira, esse ajuste de expectativas contribuiu para que o Ibovespa voltasse a cair abaixo dos 180 mil pontos, enquanto o dólar superou a marca de R$ 5,30. Mesmo a divulgação de um IBC-Br mais fraco do que o esperado na manhã desta segunda-feira dificilmente será suficiente, por si só, para alterar de forma significativa esse quadro, já que o foco dos investidores permanece concentrado nas pressões inflacionárias e no cenário externo, especialmente no comportamento do petróleo.
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· 01:44 — Vai manter?
Nos Estados Unidos, os investidores iniciam a semana com o foco voltado para a decisão de política monetária do Federal Reserve na quarta-feira (18), acompanhada da divulgação do Summary of Economic Projections (SEP) e da coletiva de Jerome Powell, que devem oferecer sinais mais claros sobre o caminho dos juros nos próximos meses. Embora o mercado espere manutenção das taxas, estamos atentos principalmente às novas projeções para crescimento, inflação e juros, justamente em um momento de forte estresse geopolítico, que tensiona as expectativas dos agentes financeiros.
· 02:32 — Outro grande evento da semana
O grande evento anual de inteligência artificial da Nvidia começa esta semana com a apresentação do CEO Jensen Huang, e os investidores estarão atentos principalmente às perspectivas de oferta de componentes críticos, aos possíveis impactos da guerra com o Irã nos custos de energia e à divulgação de novos produtos. O setor vive uma transição importante: nos últimos anos, os investimentos se concentraram no treinamento de modelos de IA, que respondeu por cerca de 88% dos gastos com chips, mas a próxima fase deverá priorizar a inferência, ou seja, a aplicação prática desses modelos, etapa em que o custo de computação se torna decisivo. Nesse contexto, ganha destaque a tecnologia de LPUs da Groq, cuja licença custou cerca de US$ 20 bilhões à Nvidia e pode ajudar a empresa a ampliar e diversificar seu portfólio de chips para manter liderança frente aos grandes provedores de nuvem que desenvolvem seus próprios semicondutores. Embora o evento possa não gerar uma forte reação nas ações, o mercado segue atento ao ritmo de expansão da empresa, cuja geração de caixa livre pode crescer 85% até 2027, superando US$ 178 bilhões, em um ambiente no qual o investimento em infraestrutura de IA pode atingir US$ 1 trilhão até 2028.
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· 03:23 — Terceira semaana
A guerra entre EUA-Israel e Irã entra em sua terceira semana sem sinais claros de desescalada, enquanto o presidente Donald Trump enfrenta pressão crescente diante da forte alta do petróleo e das dificuldades em construir uma coalizão internacional para reabrir o Estreito de Ormuz. O líder americano tem alternado mensagens: por um lado, afirma desejar um encerramento relativamente rápido do conflito; por outro, intensifica os apelos para que aliados contribuam para garantir a segurança da rota marítima por onde passa cerca de um quinto de todo o petróleo transportado no mundo. Do lado iraniano, os ataques com mísseis e drones seguem ocorrendo diariamente, ao mesmo tempo em que Teerã rejeita negociações imediatas de cessar-fogo. Nesse ambiente de escalada, o petróleo se mantém acima dos US$ 100 por barril e estimativas do Pentágono indicam que o conflito pode se estender mais semanas.
Apesar das pressões de Washington, o apoio internacional permanece limitado. Países como Austrália e Japão já descartaram o envio de navios militares, enquanto a China condena o conflito e dificilmente participará de uma operação para patrulhar o estreito, mesmo sendo altamente dependente do petróleo que transita pela região. Parte dos aliados europeus também demonstra resistência aos pedidos americanos, o que aumenta a incerteza sobre a capacidade de restabelecer plenamente o fluxo de embarcações no corredor energético. Trump chegou a ameaçar novos ataques à infraestrutura petrolífera iraniana, como a ilha de Khark, que já mencionei aqui, e alertou que a OTAN poderá enfrentar consequências políticas caso os aliados não apoiem o esforço americano. O resultado é um cenário de tensão geopolítica prolongada, com repercussões relevantes sobre o mercado global de energia e, por consequência, sobre inflação, política monetária e ativos financeiros no mundo.
· 04:17 — Problemas com crédito privado
Os temores em torno do mercado de crédito privado nos EUA voltaram a ganhar força diante de pressões de resgates em alguns fundos e da redução de exposição por parte de bancos, revelando fragilidades em um setor marcado por baixa transparência e liquidez limitada. Até agora, os problemas parecem restritos a nichos específicos e não configuram um contágio sistêmico como em 2008, até porque o sistema financeiro está menos alavancado e o Fed possui mais instrumentos para conter turbulências. Ainda assim, eventuais resgates podem reduzir a oferta de crédito e elevar seu custo, pressionando as condições financeiras e o crescimento. O setor cresceu rapidamente após a crise financeira global, atraindo investidores com retornos elevados, mas a combinação de alavancagem pouco visível, ativos ilíquidos e sinais recentes de estresse, como restrições a resgates em alguns fundos, reforça que, em ciclos de crédito, a liquidez costuma se tornar um problema apenas quando já é tarde demais.
· 05:09 — Grande recompra
A Berkshire Hathaway (BDR: BERK34) pode intensificar de maneira relevante seu programa de recompra de ações nos próximos períodos. Mantido o ritmo mais recente observado no início de março, cerca de US$ 225 milhões por dia, a companhia teria capacidade de recomprar mais de US$ 50 bilhões em ações por ano, o equivalente a aproximadamente 5% de seu valor de mercado, hoje próximo de US$ 1,1 trilhão. Trata-se de um movimento plenamente viável do ponto de vista financeiro. A Berkshire combina forte geração anual de lucros, ao redor de US$ 45 bilhões, com uma posição de caixa extremamente robusta, estimada em cerca de US$ 373 bilhões, o que lhe permite devolver capital aos acionistas sem comprometer sua solidez financeira nem sua capacidade de investir em novas oportunidades.
A política de recompra da companhia, atualmente liderada pelo CEO Greg Abel, segue a mesma filosofia histórica da Berkshire: a empresa recompra suas próprias ações apenas quando considera que elas estão sendo negociadas abaixo de seu valor intrínseco, calculado de maneira conservadora. Embora esse valor não seja divulgado publicamente, as ações hoje são negociadas em torno de 1,5 vez o valor patrimonial, patamar próximo ao centro de sua faixa histórica de negociação. Caso a companhia decida acelerar o ritmo de recompras, o impacto tende a ser positivo para os acionistas, já que a redução do número de ações em circulação aumenta o valor econômico de cada participação ao longo do tempo. Nesse contexto, a perspectiva de um programa de recompra mais ativo reforça uma visão construtiva para as BDRs da Berkshire (BERK34), que seguem oferecendo ao investidor exposição a uma das plataformas de capital mais sólidas, disciplinadas e resilientes do mercado global.