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Investimentos

Ibovespa hoje: digestão dos resultados da Nvidia, balanços de B3, Axia e Localiza, dados de inflação e mais; veja destaques desta quinta (26)

No último pregão, o Ibovespa fez uma pausa natural, após uma sequência intensa de recordes. Ainda assim, chegou a renovar máxima intradiária, superando os 192 mil pontos

Por Matheus Spiess

26 fev 2026, 09:31

Atualizado em 26 fev 2026, 09:31

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Imagem: Freepik

A Nvidia voltou a entregar números robustos e projeta receita de US$ 78 bilhões no trimestre — acima do consenso —, reforçando que o ciclo de investimentos em inteligência artificial segue forte. Ainda assim, a reação do mercado foi contida no after-hours de ontem, um sinal de que as expectativas em torno do papel permanecem muito elevadas.

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No universo de tecnologia, Salesforce e Snowflake recuaram bastante após guidance considerado tímido, reabrindo o debate sobre quem ganha e quem perde na nova dinâmica competitiva trazida pela IA. Em paralelo, o Alibaba intensifica sua aposta em ferramentas de programação baseadas em modelos de IA, enquanto episódios como o vazamento de dados envolvendo um chatbot da Anthropic lembram que a evolução tecnológica também amplia riscos operacionais e regulatórios.

No pano de fundo macro e geopolítico, Trump voltou a sinalizar a possibilidade de elevar tarifas globais para até 15%, como prometido no final de semana, e a China promete reagir, mantendo o ambiente comercial ainda incerto. As negociações nucleares entre Estados Unidos e Irã, com baixa expectativa de avanço, elevam o risco de escalada no Oriente Médio, ao mesmo tempo em que Washington segue discutindo o conflito na Ucrânia com representantes do país. Com dados econômicos pontuais, falas de bancos centrais e atenção renovada ao mercado de trabalho, o cenário continua propenso a volatilidade — e a reprecificações rápidas nos ativos globais.

· 00:58 — Esperando mais recursos estrangeiros

No Brasil, o rali fez uma pausa natural ontem, após uma sequência intensa de recordes. Ainda assim, ao longo do pregão o Ibovespa voltou a renovar máxima intradiária, superando os 192 mil pontos, em reação à pesquisa eleitoral interpretada como mais favorável a uma eventual alternância política com viés mais fiscalista.

O dólar também recuou, já em R$ 5,12. Esses movimentos seguem refletindo o ingresso consistente de capital estrangeiro: apenas na última segunda-feira entraram R$ 3 bilhões, elevando o fluxo acumulado nos dois primeiros meses de 2026 para R$ 35,5 bilhões — já acima dos R$ 25 bilhões registrados em todo o ano passado, algo próximo de US$ 7 bilhões.

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Caso o ano terminasse nesse patamar, seria o terceiro melhor da série histórica iniciada em 2001. Casas internacionais destacam que ainda há espaço para mais: a alocação média em emergentes nos portfólios globais está em torno de 5,5%, abaixo da média de 6,5% dos últimos dez anos. Um retorno a esse nível implicaria algo como US$ 350 bilhões adicionais para emergentes, dos quais US$ 25 a 30 bilhões poderiam ir para a América Latina e cerca de US$ 11 a 17 bilhões para o Brasil. Não por acaso, André Esteves, no BTG Summit, reiterou que o Ibovespa segue barato mesmo após os recordes e poderia avançar em direção aos 200 mil pontos.

Na agenda doméstica, o foco recai sobre resultados corporativos — como Axia, B3 e Localiza — após a frustração com o Nubank, além dos dados de inflação: o IGP-M de fevereiro é secundário diante do IPCA-15 de amanhã; já o Caged foi adiado para a próxima semana.

No front externo, a revogação de sobretaxas aplicadas com base na Lei de Emergência Econômica dos EUA reduziu tarifas de 40% ou 50% para 10% sobre cerca de US$ 14,9 bilhões em exportações brasileiras (34,9% do total aos EUA), com eliminação em casos como aeronaves — um sinal construtivo, ainda que o debate protecionista permaneça aberto.

O ambiente global tem ajudado, e há vetores locais positivos, como a perspectiva de cortes de juros e o rali associado ao ciclo eleitoral. Contudo, decisões como a elevação de tarifas de importação sobre produtos de tecnologia caminham na contramão desse momento, comprometendo parte da trajetória favorável e reiterando o risco de erros de política econômica justamente quando o cenário externo começa a oferecer uma janela de oportunidade.

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· 01:47 — Melhorando o humor

Nos Estados Unidos, Wall Street se recuperou após a queda no início da semana, com S&P 500, Nasdaq e Dow puxados por tecnologia e ativos de maior risco, à medida que o mercado revisou o pânico inicial provocado por um relatório alarmista sobre IA da Citrini Research, que comentei aqui.

Contra-argumentos ao cenário mais catastrófico e um evento da Anthropic ajudaram a aliviar a tensão, enquanto o balanço robusto da Nvidia — com lucro mais que dobrado, receita +73% e guidance acima do esperado — confirmou a força estrutural do setor, ainda que a reação tenha sido moderada diante de expectativas já muito elevadas. No pano de fundo, prevalece a leitura de que a IA tende a impulsionar produtividade, mas sem, por ora, justificar temores de ruptura abrupta, em uma semana ainda marcada por volatilidade e novos resultados.

· 02:32 — Fraqueza eleitoral

Uma pesquisa independente colocou o partido do primeiro-ministro Viktor Orbán 20 pontos atrás entre os eleitores decididos às vésperas da eleição de 12 de abril, cenário que, se confirmado, pode garantir ao oposicionista Tisza, de Peter Magyar, maioria qualificada no Parlamento e abrir espaço para reverter parte da trajetória institucional dos últimos 16 anos.

O resultado extrapola a política doméstica: aliado próximo de Donald Trump na Europa e uma das vozes mais complacentes com o Kremlin desde a invasão da Ucrânia, Orbán é observado com atenção por Bruxelas, que mantém mais de US$ 20 bilhões em recursos congelados por preocupações com Estado de Direito e corrupção; somam-se a isso os recentes vetos da Hungria, ao lado da Eslováquia, a novas sanções contra Moscou e a um empréstimo relevante à Ucrânia, o que confere à eleição húngara dimensão geopolítica mais ampla dentro da União Europeia.

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· 03:29 — Diversificação

O chanceler alemão Friedrich Merz realizou sua primeira visita oficial a Pequim com o objetivo de reduzir o crescente déficit comercial da Alemanha com a China, seu principal parceiro comercial, ao mesmo tempo em que tenta equilibrar a relação entre rivalidade estratégica e interdependência econômica.

Em meio a críticas europeias sobre subsídios e práticas comerciais chinesas, Merz se reuniu com Xi Jinping e Li Qiang buscando fortalecer laços bilaterais em um contexto global mais incerto. Sua viagem se soma às recentes idas de Emmanuel Macron e Keir Starmer à China, refletindo um movimento mais amplo de diversificação das parcerias internacionais diante dos ruídos vindos da atual Casa Branca — tendência que reforça a percepção de que estamos, cada vez mais, em um ambiente de nova Guerra Fria, com blocos se reorganizando e Pequim emergindo como destino frequente dessa reconfiguração.

· 04:15 — Dever de casa

O aguardado pacote de reformas do sistema financeiro indiano começa a produzir efeitos concretos e reforça a percepção de que o país está se preparando para atrair uma nova rodada de capital estrangeiro.

Em linha com essa estratégia, o Parlamento aprovou recentemente uma medida que permite até 100% de participação estrangeira em companhias de seguros, destravando um segmento historicamente subcapitalizado e com grande potencial de expansão. Paralelamente, os reguladores vêm atualizando as regras aplicáveis a bancos, fundos de pensão e ao mercado de capitais, com o objetivo de direcionar a poupança hoje concentrada em ativos pouco produtivos — como ouro e imóveis — para instrumentos financeiros de longo prazo, capazes de financiar investimentos em indústria e infraestrutura.

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O movimento é coerente com a ambição de sustentar o crescimento estrutural da economia e ampliar a profundidade do mercado financeiro local. Ao fortalecer instituições, melhorar a alocação de capital e abrir espaço para maior participação internacional, a Índia demonstra disposição em fazer os ajustes necessários para aproveitar o ciclo global de investimentos. A lição é clara: países que desejam capturar as oportunidades do momento precisam agir com pragmatismo e rapidez. Quem demora a se adaptar corre o risco de perder o timing — e ver o bonde passar.

· 05:06 — Mais um belo resultado

A Nvidia voltou ao centro das atenções no encerramento da temporada de balanços das “Sete Magníficas”, divulgando números que a mantêm no centro da revolução da inteligência artificial. As ações chegaram a avançar quase 4% no after-hours após o resultado, mas perderam parte do fôlego ao longo do pregão noturno, refletindo a volatilidade típica de um papel cercado por expectativas extremamente elevadas — neste estágio, entregar um bom resultado já não é suficiente; o mercado exige desempenho quase perfeito. Na manhã de hoje, porém, os papéis voltaram a subir no pre-market, sinalizando que a leitura dos números foi, no conjunto, construtiva.

E os números foram, de fato, robustos. A companhia mais que dobrou o lucro no trimestre fiscal, alcançando US$ 42,96 bilhões, com lucro por ação ajustado de US$ 1,62, acima do consenso de US$ 1,54. A receita total avançou 73%, para US$ 68,13 bilhões, superando as estimativas, com destaque para o segmento de data centers, que cresceu 75% e atingiu US$ 62,3 bilhões. O guidance também surpreendeu positivamente, com projeção de…

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.