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Investimentos

Ibovespa hoje: elevação das incertezas no Oriente Médio, petróleo em alta, ata do Copom e mais destaques desta terça (24)

Enquanto ata do Copom calibra tom adotado no comunicado da última semana, falta de clareza sobre negociações no Oriente Médio gera cautela

Por Matheus Spiess

24 mar 2026, 10:10

Atualizado em 24 mar 2026, 10:27

oriente médio petróleo conflito israel palestina

Imagem: iStock/ Stadtratte

O alívio observado no início da semana, após Donald Trump sinalizar uma trégua temporária e sugerir avanços diplomáticos com o Irã, rapidamente deu lugar a uma postura mais cautelosa por parte dos mercados.

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Embora o adiamento de cinco dias nos ataques à infraestrutura energética iraniana tenha provocado uma queda momentânea do petróleo e sustentado uma recuperação dos ativos de risco, esse movimento perdeu força à medida que surgiram novas dúvidas sobre a real existência de um processo de negociação.

A ausência de confirmação por parte de Teerã, a continuidade dos ataques na região e a falta de parâmetros claros para um eventual acordo voltaram a elevar a incerteza. Como consequência, o petróleo retomou a trajetória de alta, superando novamente a marca de US$ 100 por barril, enquanto as bolsas americanas e europeias passaram a refletir um ambiente mais defensivo. O episódio evidencia, mais uma vez, o quanto o humor global continua sensível a declarações políticas, rumores de bastidores e à evolução militar do conflito.

· 00:57 — Sinais de paz, ativos em dúvida

No Brasil, o dia começa com o mercado digerindo a ata do Copom, que parece ter calibrado parcialmente o tom adotado no comunicado da reunião encerrada na semana passada. O documento reforça a atenção do Banco Central a vetores importantes, como a reaceleração da atividade no início do ano e a elevação das expectativas de inflação.

A continuidade do ciclo de cortes de juros segue no radar, ainda que o mercado possa promover algum ajuste nas apostas ao longo do dia. Ainda assim, alguma dose adicional de sobriedade, em meio a um ambiente tão carregado de incertezas, parece não apenas compreensível, mas desejável. Mesmo que o ciclo prossiga de forma mais contida, com um eventual corte de 25 pontos-base em abril, por exemplo, uma condução mais cautelosa da política monetária pode contribuir para dar suporte ao real.

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A ata chega logo após uma segunda-feira de recuperação expressiva para os ativos globais, inclusive no Brasil, impulsionada por sinais de distensão vindos do presidente americano. Ainda assim, o foco doméstico permanece intenso nos próximos dias.

A divulgação da prévia da inflação oficial, na quinta-feira, e do Relatório de Política Monetária, antigo Relatório Trimestral de Inflação, acompanhada da coletiva de Gabriel Galípolo, também na quinta, pode oferecer uma sinalização adicional importante para o mercado neste momento. Em paralelo, diante das preocupações com os efeitos econômicos da guerra, o governo estuda um pacote em torno de R$ 15 bilhões para apoiar setores potencialmente afetados.

Entre as medidas em avaliação estão uma nova medida provisória para ampliar subsídios ao diesel e negociações com governadores para zerar o ICMS sobre o diesel importado, enquanto a Petrobras sinaliza que não pretende reajustar o combustível no curtíssimo prazo.

No campo político, o governador do Paraná, Ratinho Jr., desistiu da corrida presidencial, abrindo espaço para que o nome do PSD passe a ser o de Ronaldo Caiado. Ainda assim, o movimento mais relevante parece ser outro: a crescente convergência de forças de oposição em torno de Flávio Bolsonaro, o que fortalece a pré-candidatura do senador e ajuda a reorganizar, desde já, o tabuleiro político da direita para a disputa presidencial.

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· 01:41 — Alívio

As bolsas americanas registraram ontem seu melhor desempenho em semanas após Donald Trump adotar um tom mais conciliador em relação à guerra no Oriente Médio e sugerir avanços na direção de uma possível resolução com o Irã.

A reação dos mercados foi imediata: Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq avançaram com força, impulsionados principalmente pela queda do petróleo diante dos sinais diplomáticos. O movimento reforçou, mais uma vez, o grau de sensibilidade dos ativos globais a qualquer indício de desescalada no conflito. Ainda assim, o alívio observado foi apenas parcial. O VIX continua em patamar significativamente superior ao nível pré-guerra, os investidores seguem demandando sinais mais concretos de pacificação e os riscos para as cadeias globais de suprimento continuam relevantes, especialmente em um ambiente em que a incerteza geopolítica permanece elevada.

· 02:39 — TACO Trade?

Trump entrou na quarta semana da guerra tentando transmitir uma mensagem de moderação aos mercados. Ao adiar por cinco dias os ataques à infraestrutura energética iraniana, o presidente americano conseguiu produzir um alívio temporário sobre os preços do petróleo, trazendo o Brent de volta para abaixo de US$ 100 por barril.

Ainda assim, o grau de ceticismo continua elevado. Teerã nega que existam negociações em curso com Washington, Israel não demonstra enxergar um desfecho próximo para o conflito, o Pentágono avalia reforçar sua presença militar na região e países como Turquia, Arábia Saudita e Omã buscam construir canais informais de mediação. Em outras palavras, a recente recuperação dos ativos deixa claro o quanto qualquer sinal de distensão é capaz de alterar rapidamente o humor dos mercados, mas está longe de significar que o risco geopolítico tenha sido efetivamente dissipado.

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Ao mesmo tempo, a dimensão do choque energético ajuda a entender por que os mercados seguem tão sensíveis aos desdobramentos no Oriente Médio. Segundo Fatih Birol, diretor-executivo da Agência Internacional de Energia, as interrupções atuais no fornecimento equivalem, em conjunto, às grandes crises do petróleo dos anos 1970 somadas à crise do gás natural observada em 2022, após a invasão da Ucrânia pela Rússia.

Os danos severos a dezenas de ativos energéticos na região, além dos efeitos que já se espalham para cadeias como petroquímicos, fertilizantes, enxofre e hélio, reforçam a magnitude do problema. Ainda assim, o histórico lembrado pelo JPMorgan mostra que choques agudos no preço do petróleo não necessariamente inviabilizam um bom desempenho das bolsas. Em diversos episódios, as ações sofreram volatilidade no curto prazo, mas entregaram retornos médios positivos nos meses seguintes. Isso sugere que, embora o ambiente permaneça delicado e sujeito a novos sobressaltos, reações exageradas também abrem espaço para recuperação adiante.

· 03:22 — Risco de escalada regional

A sinalização que emerge do Golfo é de clara elevação de tom. Mohammed bin Salman estaria cada vez mais inclinado a restabelecer a capacidade de dissuasão da Arábia Saudita e mais próximo de uma decisão que poderia levar o reino a se envolver diretamente no conflito, enquanto autoridades sauditas já indicam, de forma explícita, que a tolerância do país diante dos ataques iranianos não é ilimitada.

Em paralelo, os Emirados Árabes Unidos também começam a adotar uma postura mais dura em relação a Teerã. Além de ampliarem a pressão econômica sobre ativos iranianos mantidos em seu território — um ponto particularmente sensível, dado o papel historicamente relevante dos Emirados como centro financeiro para empresas e indivíduos ligados ao Irã —, os emiradenses discutem a possibilidade de participação militar e atuam contra a hipótese de um cessar-fogo que preserve parcela relevante da capacidade militar iraniana.

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Para o mercado, esse movimento importa porque sugere um risco crescente de ampliação regional do conflito, com potencial de prolongar a instabilidade geopolítica, pressionar ainda mais os preços de energia e elevar o grau de incerteza sobre os desdobramentos no Oriente Médio.

· 04:19 — Qual a posição da China?

Embora defenda publicamente o fim do conflito com o Irã, a China pode, na prática, extrair alguns benefícios indiretos desse quadro. De um lado, a escalada no Oriente Médio obriga os Estados Unidos a deslocarem recursos militares, atenção estratégica e capacidade de resposta para a região, reduzindo ao menos parcialmente o foco sobre a Ásia e seu entorno imediato.

De outro, Pequim acompanha de perto os efeitos de um eventual bloqueio do Estreito de Ormuz sobre o fluxo global de energia, utilizando esse episódio como uma espécie de laboratório geopolítico para avaliar vulnerabilidades logísticas e energéticas em cenários de interrupção de rotas críticas.

Sob essa ótica, o conflito oferece à China elementos importantes para observar, ainda que de forma indireta, como Taiwan poderia reagir diante de uma situação semelhante, especialmente no que diz respeito à sua dependência energética e à resiliência de suas cadeias de abastecimento.

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No meu entendimento, contudo, a questão de Taiwan tende a ser perseguida pela China sobretudo por vias políticas, de maneira gradual ao longo dos próximos anos. Em outras palavras, por ser uma das maiores interessadas na estabilidade do fluxo energético global, e a principal usuária do Estreito de Ormuz, Pequim tem incentivo para defender a normalização da passagem o quanto antes.

· 05:08 — Setor defensivo

O conflito com o Irã, que já ultrapassa o 20º dia, lança luz sobre uma tendência mais ampla e cada vez mais evidente: a escalada consistente dos gastos militares ao redor do mundo nos últimos anos. Esse movimento tem beneficiado de forma direta as empresas ligadas ao setor de defesa e, por consequência, seus acionistas.

No mesmo período, um índice global de empresas de defesa acumula valorização de 18% em 2026, desempenho bastante superior ao do S&P 500, que registra queda no ano. Trata-se de um reflexo claro da corrida global por rearmamento, tendência estrutural que venho destacado há alguns anos há: os Estados Unidos já teriam desembolsado US$ 11,3 bilhões apenas nos seis primeiros dias da guerra com o Irã e avaliam solicitar outros US$ 200 bilhões para sustentar o conflito; Israel elevou seu orçamento de defesa para 144 bilhões de shekels, montante cerca de 120% superior ao de 2023; e, desde 2022, a União Europeia ampliou seus gastos militares em mais de 60%.

A implicação prática desse quadro é relativamente direta. Em um mundo cada vez mais marcado por tensões geopolíticas persistentes e por orçamentos militares estruturalmente mais elevados, o setor de defesa deixa de ser apenas uma aposta tática ou cíclica e passa a se firmar como uma tese estrutural de longo prazo. Nesse contexto, ETFs temáticos com foco em aeroespacial e defesa, como o já mencionado neste espaço iShares U.S. Aerospace & Defense ETF (BDR: BAER39), despontam como instrumentos eficientes para capturar essa tendência estrutural por meio de uma exposição diversificada ao setor. Ainda assim, convém preservar disciplina na alocação. Posições individuais entre 1% e 2,5% da carteira, com um limite agregado ao redor de 5% para a classe de ativos temáticos, ajudam a equilibrar o potencial de retorno com uma gestão de risco mais adequada, respeitando não apenas o caráter estrutural da tese, mas também a volatilidade inerente a esse tipo de investimento.

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.